Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording

2:26:11 3 speakers 42 chapters 333 segments

Chapters

  1. 0:00

    Nada não, né, gente? Pelo amor de Deus. Não, é só o áudio que vai ser usado. Mas mundo concreto, que é o que nós estamos construindo, é legal mesmo. Mundo concreto é um mundo versus o outro mundo. É uma exposição mundo material. Acaba que é…

  2. 5:00

    É um pouco a malha que recebe outros objetos. E aí o concreto celular é essa variação da espuma. No meu caso, acho que tem a ver com uma descoberta de materiais que me permite produzir imagens. Acho que no caso do João é um pouco diferente,…

  3. 8:26

    de morte, que na verdade é uma mudança de estado, uma passagem de um estado para o outro. Por isso eu acho que fica também essa dúvida no título, se isso vai apontar mais para essa ideia de morte ou se vai falar mais sobre essas transformaç…

  4. 13:43

    Acho que, nesse sentido, a exposição começou com uma ideia de morte que era muito simbólica. Aí o João trouxe, e eu ficava imaginando como seria fazer um funeral dentro de uma galeria, como seria um trabalho que jogasse com esse tipo de rit…

  5. 15:54

    Eu estou pensando nessas energias que a gente está fazendo correr dentro de alguns trabalhos. No calor do banco, no frio e condensação da poça, na projeção da animação no crânio, na luz, no seu circuito que passa o pavio queimando dentro e …

  6. 18:18

    Acho que traz o elemento da duração dentro de trabalhos que são muito estáveis. Não é a performance, não é exatamente um vídeo, mas o teu filme, a tua animação é contínua, ela não tem... Ela é parada também. De alguma forma, ela é parada. A…

  7. 20:02

    Mas essa ação é como se fosse um abandono da ação para o próprio objeto, como se fosse ligar o objeto. Acho que tem formas de fazer isso parecer mais ou menos performance. Por exemplo, se eu acendesse essa pólvora de um outro cômodo, onde n…

  8. 23:14

    Quando eu estava começando a trabalhar, assim, lá na década de 90, assim, isso era uma onda, assim, o estranhamento. Tinha uma história do Ostraneni, que era um texto de um filósofo russo muito bacana, eu fiz o olhar ali depois, que tinha a…

  9. 25:00

    Acho que o seu trabalho tem mais, nessa exposição, acho que tem mais mistério do que o meu. Porque, na verdade, eu estou pensando em três trabalhos ou quatro trabalhos, é meio isso. Que são o banco quente, o crânio com a projeção da animaçã…

  10. 26:52

    tanto formalmente quanto materialmente, eu acho que no fundo o que vai ligar os meus trabalhos é um pouco esse diálogo de estados, o ovo que ainda vai nascer, é mais talvez de representação do que a coisa é, do que esse diálogo visual, e eu…

  11. 28:55

    Eu acho que, Maiana, essa sua preocupação com a variedade de materiais, assim, eu acho que todos eles já estão dentro do seu trabalho. E, de algum modo, todos eles já são quase a mesma coisa, sabe? Eu tenho um pouco essa impressão. Eu sou u…

  12. 34:14

    que a ideia de escultura é uma coisa única, de uma coisa inteira. Ela não aparece, porque tudo está meio à mostra, de alguma forma. Eu acho que no teu trabalho, Maiana, é muito legível o caráter modular. Eu acho que você vê as lápis, elas t…

  13. 39:23

    Mas tem um drama, né? Eu acho que é mais dramático. Acho que sim. Um drama compositivo, inclusive, né? De composição, assim. É, eu acho que sim. Eu acho que entre gotas se formando na superfície, giro derretendo dentro, os estados se transf…

  14. 42:07

    E foi uma das coisas mais absurdamente emocionantes que eu vi nos meus últimos, tipo, a coisa mais reaça que tem, assim. Só tinha a família Bolsonaro lá. O Bolsonaro participou do show. Ele foi lá durante o governo dele, que estava, claro, …

  15. 47:27

    Uma bomba, né? Mas a bomba não tá ali, assim. É sem clímax, né? Sem clímax, isso. O clímax é o acendimento, é o circuito. Eu acho que é a diferença, que ambos são sem clímax, mas acho que a minha, o meu é uma tragédia sem clímax, né? O seu …

  16. 52:46

    das formas e dos materiais. Você estava falando disso de uma diferença, muitos materiais diversos nessa exposição, e eu te falei, acho que não, acho que eles são a mesma coisa. Acho que o trabalho tem uma linguagem mais consolidada, de oper…

  17. 55:00

    falando de uma coisa que você já fez, e você está fazendo trabalho de uma coisa que eu já fiz, sabe? Ah, tem o raio, tem o calor, enfim. As coisas estão muito se encontrando um pouco sem querer, né? Sim. Eu acho que talvez o que liga, não s…

  18. 57:26

    Eu fico pensando como esse humor e essa ideia de desenho, desenho, projeto, imagem mental, tem a ver com uma coisa que a gente estava falando antes, que é da analogia, né? O João Loura já estava falando do dicionário analógico, por um momen…

  19. 1:00:00
    Chapter 19: Né, Maiana? 201s · Speaker 1

    Né, Maiana? Lá no ateliê. Apavorado, ele é apavorado. Meu Deus, o que você ganhou? Desenhando assim mil vezes a mesma coisa na página e sobrepondo um desenho em cima do outro. Claro, tem um limite ali material e tal. E eu faço um pouco aque…

  20. 1:03:22

    tanto quando você passa da imagem mental para o desenho, quanto depois do desenho para a construção, essas perdas de... E aí eu vou, que acho que é diferente do seu método, eu vou indo para o caminho que tanto frustra a imagem mental, que o…

  21. 1:05:00

    Eu acho que eu tenho sempre a sensação de que eu vou perder tudo de uma passagem para outra. Então, o que sobra, o que eu consigo preservar, eu agarro com todas as forças. É quase dar uma agência muito maior para as coisas do que para mim m…

  22. 1:06:43

    Mas ainda assim, o teu trabalho visualmente acho que é mais coeso que o meu. É essa história, um trabalho é um banco quente, outro é um crânio com uma projeção, outro é um sorvete. Outro é um texto que fala mal de você. Isso, outro é um tex…

  23. 1:11:46

    de ideias, que acho que está nos dois trabalhos também, né? Essa coisa que tem um falso déjà vu aí. Até como essa tubulação vai parecer, né? Principalmente nesse primeiro dia do trabalho da Mayanna, em que ela vai estar... grifando, digamos…

  24. 1:16:52

    do que alguns trabalhos que usavam essas imagens do que exatamente eu fico pesquisando isso o dia inteiro, sabe? Tipo, basicamente não sei nada de astrologia, por exemplo, nada. Só sei isso, só gosto, só esse small talk aqui de Bach, que eu…

  25. 1:22:20

    É difícil fazer em dupla, né? É muito difícil. Você não controla totalmente. É. Não, mas é verdade. Você não tem como conduzir tudo. Você tem que ter... Ok, vamos lá. Mas eu acho que essa postura também diz muito dos próprios trabalhos de v…

  26. 1:23:23

    Esse lado, chega esse momento que você perde o controle de como a coisa é feita e ela vai chegar e você vai trabalhar com aquilo e não estar diretamente com as suas mãos ali fazendo a coisa. Na verdade, essa é uma situação de menos controle…

  27. 1:25:00

    sutileza das diferenças que podem ser enormes. O enunciado para a concretização é um mundo imenso de diferenças, de possibilidades. Eu não sei, Érica, eu acho que eu falei um monte de besteira, já estou arrependida. Que pena que... Nem foi …

  28. 1:30:00

    é transversal. É comigo? É com você! Eu não sei, eu não sei dizer. Eu acho que também é um componente de virtualidade do trabalho, que às vezes aparece como uma imagem negativa ou como essa imagem virtual que é concretizada. A gente pode tr…

  29. 1:35:00

    aqui. Eu não sei, eu acho que tem uma coisa talvez mais... Eu fiquei presa na primeira parte da pergunta da Erika, dessa correlação entre essas diferenças de premissas, assim, dos trabalhos, né, por exemplo, você usou um termo que eu não se…

  30. 1:39:34

    É por isso que o mundo da arte é tão chato. É a esfera burocrática da aparição desse interesse que é muito mais amplo. Desculpa, interrompi. Acho que a gente tem esse interesse parecido, mas a gente leva para subjetivações muito diferentes.…

  31. 1:44:55

    É muito são. Não é o teu trabalho que gera uma narratividade, mas é... É uma narratividade que gera uma redução, que o seu trabalho reduz. Uma condensação. Uma parte daquela narrativa que você vai lá... É o pijama do Getúlio Vargas. É um po…

  32. 1:50:00
    Chapter 32: o pijama. 59s · Speaker 2

    o pijama. Eu juro por Deus. Então o pijama nunca foi exposto lá. E, muitos anos, bom, um tempo depois, parece que o Ibram entrou em contato com o museu exigindo 10% dos valores de venda por direitos de imagem do pijama. E eu acabei fazendo …

  33. 1:51:02

    É claro, ele também é trabalho de arte, mas ele também é pijama, é verdade. É o risco que corre de ele ser um pijama, né? Esse é o problema. É o problema que eu vou correr se alguém... Ah, eu quero comprar essa lápide pra eu ser enterrado m…

  34. 1:56:18

    Mas, para mim, tanto nessa esfera da produção das coisas, de conhecer o modo de produção das coisas, quanto de tensionar as negociações dentro das esferas institucionais da arte, os trabalhos têm uma coisa de desalienação. de descobrir como…

  35. 1:57:46

    Na imagem, revela um pouco a transação econômica. É a bandeira daquele lugar mesmo. É a bandeira da filha de arte. É muito direto. O que é surpreendente é que a Arpa tenha topado tão tranquilamente que a gente achasse cheques no estágio do …

  36. 2:01:20

    E essa pós-morte do trabalho, porque se o trabalho em exposição, ele está nesse estado de morte, ir para a coleção privada é a pós-morte ainda. É um outro círculo do inferno, digamos. É como chutar o cachorro morto, né? É, tem isso também, …

  37. 2:05:00

    linha de raciocínio. A gente se perde muito nessa conversa. A hora que vier essa transcrição editada, porque é uma conversa muito longa. Acho que a gente vai ficar horrorizados, assim, com as bobagens que a gente falou. No momento que eu se…

  38. 2:10:35

    Os trabalhos vão segurar. Acho que vão ter que fazer esse trabalho de reinterpretar o título. Eu acho que esses três títulos são ok. Falando sério, eu acho que se você tiver uma preferência pelo dia que é noite, pra mim tá ótimo. Acho que n…

  39. 2:16:00

    Eu mandei para os amigos, nossa, pesado, e eu rindo, cacacá. Mas é um pouco cacacá também. É um pouco cacacá. E se chegar lá, não é uma exposição de pinturas matéricas pretas? É, não é. É outra coisa, é muito mais... Tem nada de muito profu…

  40. 2:17:26

    Eu ia até perguntar para vocês uma opinião, eu estou com várias dúvidas que não estou conseguindo resolver, mas eu fiquei pensando, que acho que tem a ver com essa questão de usar a galeria, se não seria interessante eu fazer todo o sistema…

  41. 2:18:39

    mais econômico, assim mesmo. Mais consciente criticamente do que se coloca como arte. Eu tenho um pouco essa impressão, assim. Essa passagem pra outra sala é isso, né? Essa passagem pra outra sala é fazer um quadro. Fazer um quadro, né? Ele…

  42. 2:23:44

    Vai dar pra ver com mais detalhe que ela tá gelada. Sim, naquele fundinho. Eu acho ela super boa na sala branca. Acho que é legal. Aí se a gente pôs ela na sala branca, o que eu tinha pensado que seria o ponto de contato dos nossos trabalho…