Entrevista Jeferson
May 05, 2026 00:56
· 1:52:25
· Portuguese
· Whisper Turbo
· 5 speakers
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0:00
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Vou aceitar ele aqui. É o Jefferson, né? E aí, Jefferson? Boa tarde. Boa tarde. Boa tarde, pessoal. Beleza? Tranquilo. Tudo bom? Beleza, Jailton. Jailton e Diogo, né? Diogo, é. E aí? Beleza. Como é que tá nesse frio aí? Tranquilo. Tá da hora, eu gosto desse tempo, ó, mano. Caramba, do nada deu uma... Eu gosto desse tempo. Deu uma esfriada legal. E aí, Jefferson? Fizão da Norte, né, Jefferson?
0:30
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Zona Norte, Casa Verde. Casa Verde? É. Do lado. É do lado, né? É, pertinho. Freguesia do O, Santana, Barra Funda. Faz o próximo. E a família que tá todo mundo em casa aí hoje? O que eu faço pra você? Então, nós chegamos da igreja faz uns...
0:54
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Uns 40 minutos. Aí o Bruno tá ali desenhando e a Bete vai agora no mercado. Ah, legal. Qual a coisa aí de vocês mesmos? Falou? Não entendi. O nome da sua igreja? De vocês? Ah, é Evo Church, chama. Aí eu não vou tanto. Isso, é lá mesmo. É lá mesmo. Se a gente não vai tomar muito o seu tempo, nós queremos agradecer aqui a...
1:23
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
sua presença, por aceitar esse convite, tá bom? Beleza. Quero dizer aqui pra você ficar bem à vontade, nada disso aqui nós vamos divulgar, aqui é só uma pesquisa mesmo que nós estamos fazendo, um trabalho da faculdade, então não tem nada a ver aqui, ah, o Jefferson aqui, ele tá errado, ele tá certo, não existe certo, ninguém aqui tá te fazendo uma investigativa sobre o Jefferson, é uma pesquisa, nós vamos, estamos, é...
1:51
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
concluindo e vai nos dar os dados e está tudo certo. Então fique bem à vontade, não tem nada a ver pessoalmente com o Jefferson, é só uma pesquisa que estamos levantando de forma geral. Tá bom? Beleza, tranquilo. Tem alguma pergunta que você quer fazer de repente, alguma coisa que você está com dúvida ou não? Não dá. Tranquilo. Então nós vamos fazer uma pergunta aí, você fica bem à vontade. Senhor!
2:15
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Fica na playlist dos Fluggles. Fala boa tarde pro pessoal aqui. Boa tarde, galera. E aí, Bruno? Boa tarde. Agora tu vai fazer uma reunião com eles e você fica quietinho. Aqui, ó, playlist dos Fluggles que eu fiz. Olha, gente. Playlist dos Fluggles. Tá bom, vai. Caramba, que legal. Agora tu tá com um negócio de playlist. Jair, então, pra nós começar aí, se puder, contando um pouco como é que é a sua rotina, tipo...
2:44
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Seu trabalho aí, essa rotina com o Bruno, cuidado. A minha rotina de trabalho agora, né? Eu sou autônomo, né? No momento. Depois do diagnóstico do Bruno, eu saí do CLT. Devido às terapias, começou a aumentar os números de terapia. E a gente começou a ver um ganho de...
3:09
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
do Bruno, né? E aí decidimos, eu decidi com a minha esposa de ficar só no aplicativo e tá entrando, levando ele nas terapias, né? Agora não levo mais, né? Porque tem uns dois anos que agora a gente tem a tia da minha esposa que cuida do Bruno desde os sete meses.
3:29
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí com cinco anos, com seis, sete anos, com sete anos mais ou menos, o Bruno já tava mais apto, já tava falando, já tava socializando. E aí eu falei pra minha esposa, ó, agora a gente precisa fazer uma grana a mais, né, mano? Precisa ganhar um dinheiro aí também, né? Eu fazia, eu trabalhava, eu era motorista de ônibus. Caramba. Nossa. Aí...
3:58
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Descobrimos o autismo do Bruno, aí começamos a fazer as terapias, começou a dar certo. E aí eu pedi um horário flexível para eles lá, né? Porque na empresa de turismo, enfrentado, é duas pegadas que a gente fala, né? Entra no horário da manhã, faz a entrada do pessoal e depois eu tenho que fazer a saída. E aí eu entrava às quatro horas da manhã e parava meio dia.
4:24
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí os cara viu que tava dando certo, eles colocaram eu pra entrar um pouco mais cedo ainda, mano. Comecei a entrar três horas da manhã, mano. Aí eu acordava tipo duas e vinte, daqui de casa pra Vila Jaguara de carro, era tipo dez minutos, né, mano? Que eu pego a marginal, não tem semáforo nenhum, era rapidinho.
4:43
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí eu fiquei nesse ritmo aí, levando o Bruno nas terapias, entre ônibus e terapia, e também já fazia umas corridinhas de aplicativo também. Só que aí começou a ficar muito pesado, tinha dia que eu chegava lá na sala da...
5:00
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Fono lá, mano, que eu cheguei até a roncar. Falei, mete. Nossa, eu apaguei lá. Aí começou a ficar uma rotina muito pesada. Aí eu falei, meu, vou ficar só no aplicativo. Faço um acordo lá na empresa.
5:12
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E vou dedicar a vida de ficar levando o Bruno nas terapias. Aí começou a dar certo. Aumentou os números de terapia do Bruno. O Bruno começou a evoluir. E eu comecei a trabalhar só no aplicativo. E aí consegui arrumar uma empresa também. Fazendo entregas. Que eu faço até hoje também com eles. Faço entrega de...
5:35
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Mercadoria de TI, né? Notebook, teclado, maldo, CPU, essas coisas aí. Aí já tem uns quase 4 minutos que eu tô com essa empresa aí. E faço o aplicativo Uber, em Drive, tudo tipo de aplicativo eu tenho. Aí eu vou... No que paga bem, eu tô indo, né? A gente vai analisar. Eu tenho 10 anos na Uber, pô. 10 anos deu.
5:59
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tá com 10 anos, é. Essa semana fez 10 anos na Uber. Falei, nossa, 10 anos já, hein? E tô nos aplicativos e nessa outra empresa aí também. Ô, Gerson, eu dei uma risada aqui, bem enfatizada, porque hoje a Elton também trabalhava com ônibus, e hoje também...
6:22
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Faz corrida de táxi. Ele sabe como é que é a rotina. Mas o Jaiuto era urbano? Não era urbano. Ixi, aí é pior ainda. Urbano ele tá ligado como é que é. É tipo de pessoa, você era motorista? Eu trabalhei muitos anos. Comecei de cobrador, depois passei para motorista. Então, qual que foi? Sambaíba? Eu trabalhei naquela que hoje vira a empresa, que era as cooperativas, lembra?
6:53
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Sim, agora tudo cooperativo. É, porque aqui na Zona Norte, o forte é a Santa Brígida e a Sambaíba, na Zona Norte, né? A Brígida é bem melhor do que a Sambaíba ainda. Inclusive, a empresa que eu trabalhei, ela chamava Urubu Pungá. É do mesmo grupo da Brígida.
7:16
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí é Santa Brígida, Urubupungá, acho que tem Pojucaturo e a outra eu não me lembro qual que era. Que aí duas eram fretadas e duas urbanas. Então, André, praticamente a sua vida foi motorista, né? É, eu trabalhei uma época no escritório. Trabalhei, assim, vou contar a história da minha vida. Aí eu perdi meu pai e minha mãe cedo. Eu perdi meu pai, meu pai tinha 39 anos, eu tinha 10. Minha mãe tinha 35, eu tinha 11.
7:46
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí eu fui criado com a minha avó e com meus tios. Que é até o meu tio que virou tutor, que é um advogado. E aí fui criado com a minha avó, com meus tios e tal. Aí com 15 anos meu tio montou um escritório e uma contabilidade com um amigo dele que era contador. E aí eu fui o office boy na época. Aí comecei a trabalhar de office boy com ele e aí fiquei acho que uns...
8:10
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Uns cinco anos juntos, trabalhando de office boy e tal. Aí depois arrumei um escritório também. Aí eu trabalhava com emissão de nota fiscal. Só que, mano, eu falava pra você, eu não gostava de trabalhar preso no escritório. Aí eu consegui arrumar na NET. Numa época, meu irmão virou instalador da NET. Bem no comecinho da NET mesmo, que veio pra São Paulo.
8:35
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E aí meu irmão, eles estavam todos de moto, antigamente era só retirada na NET. Aí depois eles começaram a parte de instalação, aí passaram pra carro, aí meu irmão falou, mano, tá pegando lá, eu já tinha habilitação, né? Aí eu fui, eu e um amigo meu, eu fui motorista, aí começou a saga de motorista. Aí eu fui motorista instalador da NET, aí fiquei acho que uns dois anos.
9:02
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí depois eu, quando eu conheci a Beth, depois nós conhecemos a Beth, eu conheci a Beth. Aí eu saí da NET. Não, minto, antes da NET eu trabalhei num estoque, ali no Borretiro. Aí eu já conheci a Beth e tal. Aí ganhava um salário razoável lá, não era muito bom. E aí apareceu uma oportunidade de agregar uma Kombi pra fazer entrega de remédio.
9:31
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
o cunhado, o marido da irmã dela, trabalhava nessa empresa. Aí a Beth falou, ó, você quer que eu ajude você a comprar uma Kombi? Você trabalha? Você queria trabalhar? Porque ia ganhar bem melhor, né? Falei, demorou, vamos. Aí ela ajudou, comprei a Kombi, aí fiz o cadastro na empresa, tudo certinho, contrataram, aí falou, uma semaninha a gente chama. Aí não sei o que houve, a empresa...
10:00
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
começou a mandar embora, não contratou mais. Aí eu fiquei meio assim, eu falei, nossa, mano, na época eu até lembro, era 1.200 reais de parcela da Kombi. Aí eu falei, caramba, agora ferrou. Mas aí fui pra cima. Aí tinha uns conhecidos que trabalhava na prefeitura, aí eu consegui um contrato na prefeitura numa época também, agregado, e fiquei na prefeitura uns três anos. A gente fazia...
10:27
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
poluição visual e combate à pirataria, que na época o prefeito era o Kassab, né? Era bom, gostava, porque trabalhava pouco, rodava pouco e ganhava bem. Aí o contrato acabou, eu arrumei numa empresa de fazer entrega de peças genuínas, peça de carro, também foi muito boa, chamava Pace. Aí fiquei dois anos lá, a empresa também começou a mandar embora.
10:55
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Aí nessa empresa aí eu troquei a Kombi, peguei uma Montana na época. Aí depois dessa empresa aí, eu vendi a Montana. Aí comprei um carro e comecei nos aplicativos. Aí no aplicativo eu entrei no ônibus também. Fiquei no ônibus quatro anos, aí depois veio o Bruno, né? Aí subimos do diagnóstico do Bruno.
11:20
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E aí começamos a fazer as terapias, começou a dar certo. Como eu tinha mais disponibilidade de horário, aí minha esposa já tem mais estabilidade, já é formada, já ganha melhor. Aí a gente entrou num acordo. Eu falei, ó, vou sair de lá, fico nos aplicativos e dou continuidade com as terapias do Bruno. E graças a Deus deu certo, mano. Porque o Bruno hoje tá bem independente, já tá, nossa, tá uma benção, né?
11:55
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É só eu e mais um, o mais velho, o Anderson. Ele tem... É, o Anderson é o mais velho. Mas é só parte de mãe, pai é diferente. O pai dele é um, meu pai é outro. O pai dele, na verdade, só teve ele, mas não conviveu com a minha mãe. E aí nós morávamos juntos na rua de cima onde minha avó mora. Minha avó mora na Cachoeirinha, Vila Nova Cachoeirinha, conhece?
12:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Por isso. Então. Aí minha mãe separou na época do meu pai e a gente foi morar com a minha avó. Eu já moro com a minha avó desde os... Desde os 10, 9 anos. Caramba. Eu chamo minha avó de mãe, né? Minha avó tá com 94 anos agora. Ô, louco. E a sua idade atual, Jess? 4... 3. Fiz agora em março. Caramba. Vai que dia.
12:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Dia 7. Faço dia 10, ó. É. E a Bete também. Eu e a Bete faz o mesmo dia. Cara. Dia 7 de março. Ô, louco. E como é que você... Dia 7 de março. Vocês estão junto há quanto tempo já? Desde 2005. Vai fazer 20, 21 anos agora, né? Ô, louco. Em outubro. E casado em novembro vai fazer 14 anos. Caramba. Foi a sua primeira esposa?
13:16
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Minha primeira esposa. Nem queria casar, mano, na época. Ela que veio com essa história de casamento. Aí eu falei pra ela assim, ó, eu só caso, quando deu seis anos, aí começou a cercar, aí eu falei, ixi, agora ela vai ter que casar mesmo. Falei, ó, só caso por uma condição. Ela falou qual? Desde que você me deu um filho. Aí ela falou, ok, mano, eu sempre gostei de criança. Minha família sempre foi grande, assim, na época que morava todo mundo junto.
13:46
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
família humilde e tal, meu tio hoje em dia deu umas condições boas lá pra minha avó, o terreno que meu avô e minha avó comprou, é um terreno bem grande lá, tanto que hoje em dia meu irmão construiu uma casa lá na frente, minha tia também construiu outra, a casa da minha avó, como a gente sempre, era eu, meu irmão, aí tinha o Rodrigo e a Vanessa, que eram os primos, meus dois primos, os quatro, aí tinha meu tio,
14:13
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Minha tia Célia, na época nós já era dentro de um barraco, mano, de dois cômodos, dois, três, quatro cômodos, eram em onze pessoas morava nesse barraco aí. Família grande, sabe? Aí minha tia teve dois filhos, esse meu outro tio que já é falecido teve os dois filhos também, que é o Rodrigo e a Vanessa, que meu primo, o Rodrigo tem 42.
14:39
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
A Vanessa tem 38. E o meu irmão tem 45. Ele vai fazer 46 agora no final do ano, em dezembro. Aí foi criado, assim, com a minha avó, com meus tios. Meu pai, já perdi os pais, meu pai cedo, né, mano? Meu pai já era outra vida.
15:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Meu pai já era uma vida louca, sabe? Meu pai já foi do crime. Meu pai, na época dos anos 80, 90, os caras usavam aquela droga que chamava Bach. Os caras injetavam na veia, né? E aí, contrariou o HIV. E nessa época, ele ficou preso lá no Carandiru. Eu cheguei até a visitar algumas vezes lá com a minha mãe. E minha mãe visitava ele também, e aí teve relações.
15:26
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E minha mãe também contrariou o HIV. Aí por isso que foi um atrás do outro. Meu pai morreu num ano e minha mãe morreu no outro. Aí eu fui criado com o meu tio, que é o Xavier, que é o advogado, mas o apelido dele é Loro, né? A gente sempre chama ele de Loro. E aí tem o Tute, que é um barbeiro, e a minha tia Célia, que é a irmã da minha mãe.
15:47
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas assim, suporte da família só por parte da minha mãe. Por parte do meu pai, não tem suporte nenhum. Não tem nem contato mais com eles, né? Mas na época que o meu pai era vivo, e aí meu pai também tinha as coisas dele, então eles viviam na bota do meu pai, viviam lá em casa. Mas depois que o meu pai morreu, não deu a cara nunca mais, sabe? Mas a família da minha mãe, vixi, o maior suporte da hora. Até hoje, né? Tenho contato com eles, né? Caramba.
16:18
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
A casa que vocês moram onde, Jefferson? É casa alugada ou a casa própria? Onde a gente reside? É apartamento, é nosso. É conquista de vocês? É, conquista nossa. A gente morava... Quando a gente casou, nós compramos um apartamento ali na Emirim e aí depois de cinco anos compramos aqui na Casa Verde.
16:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas agora, graças a Deus, conseguimos quitar. E a Beth ganhou um dinheiro aí e acabamos quitando já. O seu irmão, você vê sempre ele? Vejo, pô. Direto. Direto eu vejo. Porque assim, daqui pra casa da minha avó...
17:03
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E carro, eu gasto uns 20 minutos. Como eu trabalho na rua, então, tipo assim, quando eu tô lá próximo da Vila Nova Caxeirinha, eu sempre vou lá ver ela, né? Porque eu tenho uma afinidade muito grande com a minha avó. E eu não gosto de... Quando eu vou, eu fico uma semana, duas semanas lá.
17:20
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Sim, e eu fico lá pensando, nossa, minha avó, minha avó, se eu ver ela, eu me sinto até como, tipo, dando abandono pra ela, mas não é isso, né? Mas às vezes parece, né? Porque a vida da gente é muito corrida, é terapia, é buscar o Bruno na escola, às vezes eu tenho que buscar. Agora não, muito, porque eu coloquei numa perua também, só pra voltar, porque na ida a Bete deixa ele na escola.
17:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E na volta, a perua deixa ele aqui em casa. Aí a tia da minha esposa, que cuida dele desde os sete meses, ela chega aqui dez horas. Aí na hora de meio-dia, meio-dia e vinte, ele chega, aí ela pega ele aqui embaixo no apartamento, dá o banho dele, dá o almoço.
18:02
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí quando tem que ir na terapia, que é em Santana, a Bete chama o Uber pra levar ele. Ou quando eu tô próximo, eu falo, ó, dá pra me levar, eu levo. De quarta-feira, que ele sai às 18, aí eu vou buscar. Porque aí fica um pouquinho mais caro também, aí fica mais difícil de chamar. Aí eu fico me policiando pra ficar próximo de Santana. Ô Gerson, e quando você morava com a sua avó, seus tios davam uma ajuda pra ela ou ela que tomava as rédeas tudo sozinha?
18:33
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Pra cuidar de vocês, que é uma galera.
18:37
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Minha avó foi guerreira, pô. Minha avó, aquela veinha baiana que veio pra São Paulo com 18 anos, fazia tudo, já era doméstica de casa, né? Mas a minha avó, ai, bicho, mano, ela não parava. Ela cuidou dos filhos dela, cuidou dos netos, até o bisneto só não cuida porque agora ela tá com a idade muito avançada, né, mano? Ela nem, hoje em dia, ela nem fala mais porque ela teve uns AVC e aí afetou a fala dela.
19:05
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí, hoje em dia, ela é um bebê, né, mano? Ela tem que dar comida na boca dela, tem que levar ela no banheiro. A gente até ajuda lá a minha tia, paga eu, meu irmão, meu primo, meus tios. Todo mundo ajuda pra dar um pouco pra pagar uma menina que fica cuidadora, né? Tem que ter uma pessoa. Sua avó aí que praticamente puxava fila, então.
19:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É, minha avó puxou a fila de todos. Mas aí depois desse tio meu que eu falei pra vocês, que é o advogado, que virou o nosso tutor, né? Ele era o irmão da minha mãe. E aí ele que ficou responsável pela gente. Graças a Deus deu um suporte bom pra nós. Ele estudava pra caramba, mano. Até hoje ele estuda, né? Na época eu lembro que nós era tudo moleque.
19:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Os outros irmãos dele, tipo, esse meu tio que é barbeiro, eles gostavam de...
20:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
da baile, né? Baile Nostalgia. E esse outro meu tio aí, eu lembro que nós chegava no barraquinho lá, ele tinha uma mesinha de madeira assim, ele sentava na cama dele e vários livros lendo, vários livros, vários livros mesmo, livro pra caramba. Aí ele se formou, cara, começou a ganhar umas ação aí.
20:18
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí ele deu um alpis na vida da gente, em casa, deu um conforto melhor, construiu casa de alvenaria lá pra minha avó. Tanto que a casa lá da minha avó, hoje a minha tia, que é a filha dela, Caçula, que construiu a casa no quintal, ela desceu pra casa da minha avó, porque minha avó não pode ficar sozinha, né?
20:40
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí a casa da minha avó tem quatro quartos, a quintal grande, sabe? Aí minha tia foi morar junto com ela, no mesmo quintal. Aí a minha tia mora lá na casa dela, ela e o filho dela mais velho, e o filho dela mais novo é casado, já tem um filho, e ela mora na casa onde a minha tia construiu. Mas é tudo no mesmo quintal. E o meu irmão também construiu a casa dele no mesmo quintal. Aí tem meu irmão...
21:09
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem essa minha tia e tem os dois filhos dessa minha tia que moram lá na mesma casa que a minha avó. Mas aí é casa, o filho mais novo dela mora numa casa, meu irmão mora na outra. E na casa da minha avó moram minha tia, minha avó e o filho dela mais velho. Ô Gerson, e aí falando mais aí sobre você, sua vida aí em família, qual que é os hobbies de vocês aí que vocês fazem? Eu vi ali que tem uma foto do Corinthians.
21:41
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ah, aqui é Corinthians, mano. Não, é assim, eu sou bem família, sabe? Mano, eu gosto de participar de alguma coisa com o Bruno, o Cabete, a gente vai em parque, eu gosto de ir bastante em parque, eu levar o Bruno. Não tô levando tanto mais, assim, ultimamente, mas uns anos atrás a gente tinha muito no Horto Florestal, no Parque da Água Branca, no Ibirapuera, ali no Cambuci.
22:09
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu levo ele lá no bairro, né, que a gente mora aqui em apartamento. E aqui ele não tem tanto amigo aqui, né, porque as crianças daqui também é um pouquinho mais...
22:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
assim, elevada, então a gente fica com medo, né, de deixar ele lá, lá embaixo, sozinho. Quando eu desço, quando ele desce, eu desço com ele. Mas aí eu ou vou na academia aqui na sala, eu deixo ele brincando, aí eu vou na quadra, os moleques já gostam, sabe que eu gosto de jogar bola? Os moleques já chamam, chama o pai do Bruno, aí nós vamos lá brincar. Eu gosto de interagir, levar o Bruno pra socializar, assim, brincar, né?
22:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ele já teve um trauma aí de uma bolada na cara, aí ele fica com meio com receio, mas agora ele já tá mais ligeiro, porque os amiguinhos da escola dele gostam de jogar bola, né? Aí toda festa de aniversário que tem, os moleques, mano, você quer dar presente pra ele, dá bola. Dá bola ou dá chuteira, é. Aí os moleques que vai lá na festa, eles vão jogar bola, eles já me chamam, mano. Os moleques já vem, vamos lá no pai do Bruno. Aí eu já pego o Bruno, já se envolvo com ele.
23:13
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu, assim, gosto de estar em casa. Quantos você tem mesmo, Jefferson? Você? Entendi. Sua família são quantos? Você, a Beth, o Bruno? É, aqui em casa, só nós três. Mas tem uma... É, só nós três. Mas tem uma sobrinha da Beth que tá morando com a gente já faz uns três anos. Que é a Giovana. A Giovana tem 27, 28, um negócio assim. Moro com você também?
23:40
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É, ela tá morando com a gente já faz uns três anos. Mas o ano que vem ela vai casar e vai embora. Aí vai ficar só eu e o Bruno e a Beth. E a tia da Beth que cuida dele pra gente, né? Que ela fica das 10 até as 18. Aí às 18 horas eu chego. Aí a Beth chega umas 19, 19h30. Mais ou menos. Com a gente.
24:02
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Você agora, por gentileza, esse rapaz, esse homem que assumiu a família, que assumiu uma responsabilidade, que tem uma carga que não é uma carga fácil, diária, né? Mas o Jefferson, o que fica o Jefferson quando precisa parar tudo? O que o Jefferson gosta de fazer quando você trata dele? Poxa, agora é meu momento, é meu tempo, eu preciso viver o meu momento.
24:32
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
O que o Jefferson gosta de fazer com os pilates dele? Agora não é Bruno, agora não é Bet, agora não é ninguém, agora é eu. O que você gosta de fazer com o negócio aí? Eu gosto muito de esporte, né, mano? Eu gosto de correr, eu gosto de fazer musculação, mas eu gosto de muito estar com meus amigos lá do bairro onde eu morava. Sempre tem uns amigos da hora que você leva pra vida, né? Eu gosto. Tem uns amigos meus ali que eu gosto de encostar. Mano, eu conheço todo tipo de amigo, eu conheço tipo...
25:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Amigo trabalhador, amigo ladrão, amigo gente boa, amigo que dá conselho bom. A gente sabe dosar as coisas, né? Porque onde eu morava lá é bairro periferia, né? Lá no Jardim Imperial, Jardim Santa Cruz. Mas cada um, ninguém faz da mente, né? Eu penso assim, né? Se você tá naquela situação, é porque você quis. Se você não quiser, cara, você fala, ó, pra mim não dá. Eu respeito o que você faz aí.
25:27
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu nem falei pra você, conheço cara que é ladrão que eu passo lá, comprimendo, converso, mas não faço as mesmas coisas que eles, entendeu? Se tiver alguma coisa de errado, eu saio fora. Mas eu gosto de fazer isso, é corrida, fazer musculação. Isso aí.
25:47
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Como que é, Gerson? Você é aquele cara que geralmente é o que mais acolhe, é os amigos, é aquele que é mais acolhido? Como é esse relacionamento? Você é aquele cara que mais apaga o fogo ou é aquele que geralmente pessoalmente acolhe?
26:01
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu sou mais de acolhimento. Eu sou mais de... Também preciso também, né? Porque a gente é ser humano, né? Não vou falar que eu sou 100%, mas às vezes eu preciso de uns conselhos. Tipo assim, tem uns amigos meus que eu gosto de trocar ideia. Você falar do seu relacionamento. Principalmente os caras casados, né, mano? Você tem experiência com...
26:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
de casado, você tem que ter um conselho de cara casado, mano. Porque se você pedir um conselho de um cara solteiro, o cara vai falar, mano, larga a esposa, sai fora disso aí, vai arrumar outra. Você é bonitão, você é novão, você vai, mano, você arruma a faixa. Mas eu não procuro isso, não.
26:40
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Você falou da musculação, falou do futebol, mas e aí? Você vai no estádio também? Como que é? Então, agora o próximo desafio é ir para o estádio e levar o Bruno. Quero ir para ele lá. Já fui. Faz tempo que eu não vou. Já fui lá na arena umas 4, 5 vezes, mas faz tempo que eu não vou. Mas esse ano, esse ano não, mano. Esse mês eu vou em algum jogo lá, porque o Bruno, assim, o receio dele era fogos, né?
27:10
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
artifício e tal, que ele tem muito medo. Só que ele, mano, ele me vê, ele me espelha, mano. Eu venho aqui, eu sou corintiano, eu sou aquele corintiano todo é chato, né? Os caras falam, né? Corintiano é todo se dá chato, né?
27:24
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu sou aqueles caras que gostam de zoar. Eu também aceito, porque, tipo assim, se você é um cara que zoa, você tem que aceitar provocações também. Então, mano, Corinthians perde meu celular. Várias mensagens, os caras me zoando. Eu também sou assim. São Paulo perde, Palmeiras perde, Santos perde. O Santos não, né? Porque o Santos, pelo amor de Deus, não dá nem pra mais zoar, né? Mas Palmeiras e São Paulo, velho, eu tenho vários amigos, assim, da escola, da infância.
27:51
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Da minha escola das antigas, tem um grupo aí que a gente tem. A gente conversa já. Faz um tempo que a gente não marca um churrasco, mas a gente já fez um churrasco do pessoal das antigas, né? Aí é da hora, né? Você encontra os caras que você estudou de 20 anos atrás aí, né, mano? É só resenha legal. E hoje o Corinthians aí? Como é que você vê o Corinthians hoje aí? O grupo do Corinthians, como é que você vê?
28:18
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ah, mano, o elenco... Pra você ver, né? Mudou o técnico, parece que o time melhorou, né, mano? E realmente melhorou, né? Porque... Acho que o técnico não tava bom. Eu também não gostava muito do Dorival. Achava que ele mexia muito errado. Mas o time ainda tá... Tem que melhorar muita coisa, né, mano? Tem muita coisa pra melhorar. Qual jogador que você mais se identifica hoje no Corinthians aí que você mais se identifica? Eu gosto muito do Ranieri. Ranieri?
28:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É um volante, né, mano? É um volante ali. É. Eu gostava de jogar no meio campo também, meio campo. Eu sempre joguei. Na época que eu jogava no campo, eu jogava na ponta direita. Aí acabou a ponta, eu jogava a meia direita. Aí salão, futebol de salão, eu jogava sempre nas escolas, né? Lá onde eu morava, lá no bairro do Cachoeirinha.
29:13
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem uma escola lá que chama Raquel. Aí sábado e domingo, mano, era todo sábado e domingo a gente jogava lá de manhã. E era da hora, porque a quadra era cheia, tinha sempre bastante gente. Tipo, tinha dia assim que era dois gols ou dez minutos. Dois gols, né? Não tinha dez minutos. As outras quadras tinha, mas no Raquel não tinha. Era dois gols. Aí tinha jogo que demorava uma hora.
29:38
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Porque também é muita... Sempre tem o juiz, né, mano? Do time, né? Que não pode encostar, não pode dar um jogo de corvo. Essas coisas. Mas tinha um dia que se você perdesse um jogo, mano, podia ir embora. Porque já tinha mais dez próximos lá. Aí tinha jogo que demorava vindo, jogo que demorava meia hora. Tinha jogo que era rápido também.
30:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas eu sempre fui voltado a gente, gente perto. Como eu falei pra vocês, a minha família era grande, e meus tios sempre teve amigos, a casa da minha avó sempre foi cheia de gente. Aí lá em casa, era eu, meu irmão e meu primo, três homens. Aí tinha a minha prima Vanessa também. Aí quando a gente começou a ficar mais adolescente, aí era o ponte, era na porta da casa da minha avó. Todo mundo ficava lá de noite, de dia. Tinha amigo nosso lá que...
30:29
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Qual a idade de vocês? Eu tenho... Eu tô 43. Ah, você é minha idade. Eu tenho 22. Ah, esse daí é normal. Mas você lembra do Cavaleiro do Zodíaco, essas coisas? Você lembra, né, Jair? Os desenhos?
30:46
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Muito tempo eu acompanhava aquela saga interminável. É, então. Aí tinha amigos meus, que os caras vinham de manhã, mano. Vinha bem no sapatinho, que ainda tinha aquela coisa. Ah, hoje eu sou o Seiya. Oh, eu sou o Péganos. Eu sou, sabe, escolhendo personagens. Aí tinha... O principal. Ah, é o Seiya, né, mano? Que era o principal, né?
31:10
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Era o principal, né? Todo mundo gostava dele, né? E o Andrômeda também. Eu achava legal o Andrômeda. O Andrômeda também era legal. Mas o que você achava mais legal nesses aí? O dos desenhos? É. O que você falava? Não, ele faz esse negócio aqui e esse negócio aqui eu gosto.
31:26
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ah, eram os especiais deles, né? Quando a gente fala, né? Eu também gosto de jogar um videogame também. Hoje em dia nem tanto, mas eu era viciado em fliperão, mano. Eu reprovei um ano na escola devido ao fliperão, mano. Você acredita, velho? Eu faltava e cabulava, né, mano? Na época também já... Eu era arteiro, cara. Eu, assim... Na minha infância, a minha infância...
31:55
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não tinha celular na nossa época ainda, né? Então a gente jogava bolinha na rua, jogava basquete, vôlei, e a rua da casa da minha avó sempre teve bastante criança na nossa época, era nós, né? Então sempre, mano, a rua era lotada mesmo, eu estudava, sempre estudei na mesma escola, no Helios, que era ali na Inajarte Souza.
32:15
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí os moleques da escola falavam assim, poxa, eu queria morar aqui na sua rua, mano, que a rua da minha avó lá é a rua conhecida como Rua das Árvores, que é cheia de árvores a rua, né? E aí tem bastante sombra e os moleques também eram sempre bastante, mas teve mais homem na rua do que menina lá.
32:31
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí a gente jogava tudo, mano, empinava pipa, aí eu... Mano, eu era febrão de pipa, velho. Eu caí uma vez dentro da casa da mulher, eu subi no telhado da mulher, caiu quatro pipas de uma vez, e eu fui, vou pegar esses pipas, fui correndo naquelas telhas fininhas, mano, de bracelite. Cara, no terceiro ano passado, mano, pô, caí dentro da sala, a mulher deu um grito, mano. Nossa, já bem que era na casa de um amigo meu, mas ele era mais velho que a gente.
33:04
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Então, nessa época eu já não tinha meus pais, né? Eu tinha esse meu tio aí. Eu preferi apanhar dele do que ouvir ele falar, mano. Ele dava umas humilhadas, tá? Ele falava, nossa, você é um bosta, você é um linde, você não vai... Mano, meu tio dava umas mancadinhas nessa parte aí, sabe? Mas eu não tenho o ressentimento dele. Até minha esposa fala...
33:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Você tinha que... Seu tio não poderia falar isso pra você. A gente já... Não, mano, agora já era. Eu já sou um sujeito homem. Eu não guardo o rancor dele. Ele fez muito na minha vida, sabe? Mas eram uns baratos pesados mesmo. Eu preferia até apanhar dele do que ouvir ele falando. Porque eu era bagunceiro na escola, cara. Eu era bagunceiro. Mas eu gostava de fazer lição, eu copiava. Tanto assim que eu tinha uma letra... Eu tenho uma letra bonita.
33:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu lembro uma vez que a professora falou assim, Jefferson, você tá conversando, você tá levantando pra lá e pra cá, e você não fez a lição, eu quero ver seu caderno. Aí eu levei o caderno pra ela. Aí ela começou a folhear o caderno, ela falou assim, é, você é engraçadinho, né? Você pegou o caderno de alguma menina aí e tá passando pra mim. Ela falou, professora, menina, só porque a letra é bonita, é a minha letra, não é a sua letra. Aí eu catei, comecei a escrever na frente dela, ela falou...
34:25
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Meu Deus do céu, você é bagunceiro e ainda tem a letra bonita. Caramba. E a safada da escola, a safada gostosa, você era aquele cara que a gente brinca, era o namorador da escola? Puta, velho, eu falava pra você, mano, pegava muito, mano. Não é não, mas eu tinha, mano, assim, ó, eu e meu irmão também, meu irmão, a gente não se parece em nada agora, hoje em dia, mas o mais novo não parecia.
34:55
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí, meu irmão? Agora ele parece o salgadinho do Katinguele, mano. Conhece, né? O salgadinho do Katinguele.
35:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mano, ele era igualzinho, igualzinho, ele tocava samba e tal. E o bicho pegava a mulher pra caramba também, mano. E na escola, velho, quando eu entrei na escola lá também, a gente faz, né, mano? A gente gosta de andar mais com a roupinha legal, cabelinho cortado. Aí, velho, tinha umas namoradinhas mesmo, mano. Aí depois, quando deu, tipo, 17 anos que eu comprei uma moto, velho, aí que o negócio deslanchou, velho.
35:29
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eita, pô, o negócio aqui é capricho. Ainda bem que também, graças a Deus, eu nunca tive essa intenção de deixar a menina grávida, sabe? De pôr o filho e falar, ah, mano, tenho cinco, seis filhos e não ter uma presença, sabe? Nessa parte aí eu põe ligeiro. Eu nunca...
35:49
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Eu tive umas namoradas aí, mas num negócio aí... Lógico, né, mano? Falar pra você que teve relação toda vez de camisinha é mentira. Mas eu tinha o maior cuidado, velho, de não querer engravidar ninguém, mano. Graças a Deus, nenhuma até hoje a gente falava, esse aqui é filho seu, viu? Ô, Lers, e você falou que quando a Bete quis te pedir em casamento, você falou que só ia se desse com o filho, né? Você já tinha esse desejo muito...
36:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Cedo, como é que era? Quando surgiu esse desenho? Eu sempre gostei de criança, entendeu? Sempre gostei, sempre me dei bem com criança. Aí quando eu tinha os amigos que já tinham as motos na época, né? E esses amigos já namoravam algumas meninas que já tinham filho. E aí na nossa época não tinha funk. Foi a época do Aches e do forró universitário. Aí eu gostava do forró universitário.
36:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mano, vou falar pra vocês, quem dançava forró universitário não ficava sem pegar a mulher, velho. Acho que até hoje, o cara pode ser feio. Se o cara souber dançar, velho, ele arruma, ele beija. Ele beija, mano, porque eu tinha um amigo feio pra caramba, mano. Mas o bicho dançava, mano. Quando menos esperava, olhava o Gê. Ele chamava Jefferson também, era Gê.
37:10
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu olhava pro lado e o G tava beijando, mano. Aí eu lembro, tem um parceiro meu, o Rodrigo Mariano, até hoje, né? Eu lembro, não sei se você conheceu a Brother, Jair, que era aqui na Barra Fundo. A Brother era do lado da CBF, ali perto, é isso? Isso, do lado, ali mesmo. Foi referência por muito tempo. Isso é louco, era a balada do momento. A gente ia direto lá.
37:39
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí a gente chegava nos rolês e tal, né, mano? Aí os caras dançando. Dava cinco minutos e os caras já estavam beijando, mano. Aí eu olhei pro Mariano e falei, Mariano, isso aqui não é certo não, velho. Nós temos que aprender a dançar, mano, porque não dá, mano. Os caras ali não tem feio pra caramba e já chega, ele já pega e já beija, mano. Aí começamos, aí eu ia no Beto, que era um amigo nosso, ele tem umas irmãs dele lá. As irmãs dele começaram a ensinar a gente a dançar, a porró, mano. Aí depois que...
38:07
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aprendeu o forró, véi, aí deslanchou. E a morte, que eu falei pra vocês também. Mas eu, tipo... Ah, mano, é que é normal esses dias de homem, né, véi? Nessa época, assim, você ficar com as meninas, ficar com uma, outra, sabe? Mas eu já namorei, né? Antes da Beth, namorei uma menina da escola, namorei dois anos. Depois eu namorei uma outra três anos. Aí depois só coisa de onde ficar, mano, né? Fica com uma, fica aqui, fica ali.
38:36
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí conheci a Beth quando eu tinha 21 anos. Caramba. Numa academia. Tô louco. Aí conheci ela na academia, aí já começou a rolar uns olhares e tal. Falei, mano, essa mina tava pagando um pau pra mim, eu vou chegar nela. Aí, né, mano? Aí começou a trocar ideia, aí ela veio e perguntou, olha, que signo que você é? Que mulher tem muito essa coisa, né, de perguntar signo, né?
38:59
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu peguei e falei, sou de peixes. Ela, que legal, também sou. Aí ela falou, o que você faz no aniversário? Eu falei, dia 7 de março. Aí ela pegou, ele falou assim, onde você viu a data do meu aniversário? Falei, não, eu faço aniversário dia 7 de março. Ela, mentira. Aí eu fui lá na recepção, peguei minha carteira e mostrei o RG pra ela. Aí ela falou, pronto.
39:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E daí pra lá, só foi claquera, sorvetinho daqui, esfirra dali. Aí começamos a ficar. Aí eu vi que ela era gente boa e eu já tava bagunçado também. Já tava também querendo arrumar uma pessoa pra ficar suado mesmo, tranquilo, né? Aí deu certo, mano. Começamos a procurar. E quando vocês foram morar junto, já não deu o primeiro, né?
39:46
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não, nem negativo. A Beth não pisa esse negócio de morar junto, não, mano. Ela falou, só vai morar se vão morar se casar. Aí sim, porque na época, a gente começou a namorar...
40:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Quando deu seis anos, ela estava com a mãe dela lá junto, ela já queria... Ela falou, ah, eu vou comprar um apartamento ali e eu vou sair da casa da minha mãe lá, vou deixar minha mãe lá com o irmão dela e vou morar. Ela falou, ah, vou morar com você. Ela falou, não, só vai morar comigo casado. Esse negócio de morar aí depois, não quer casar oficialmente, porque ela já tudo na cabeça dela, casar na igreja, entrar de vestido de noiva.
40:26
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Essas coisas ela sempre teve. Ela já morava sozinha onde você ficava lá então? Não, morava ela, mãe dela, a irmã e um irmão. Aí a irmã dela se amigou com o marido dela. Pai dela? Não.
40:42
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
O pai dela se separou da mãe dela. A Bete também tem uma história de família dela, que o pai dela teve uma traição com a mãe, a mãe dela soube, aí ele foi embora de casa. Aí acho que depois de dois anos voltou, aí ficou com a Bete, aí com a família, aí depois saiu fora, com outra mulher. Aí a Bete foi o responsável da casa, né?
41:09
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Ela acabou assumindo uma responsabilidade também, né? Sim, a Beth assumiu. Tanto que a Beth é referência da família em ela. Ela que se formou primeiro de todas as pessoas da família. Ela que... Ela é contábil, contadora.
41:28
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
É, contadora. O Gerson, e quando você viu que ela era uma moça assim diferente, que ela falava que queria casar, só morasse junto se fosse pra casar, como é que você se sentiu aí? Como é que você viu isso aí? Então, quando a gente começou o nosso relacionamento, eu já vi que era diferente, né? Que era cinco anos mais velha que eu. E eu sempre ficava com as meninas da minha idade, né, mano? Da minha idade, ou tipo um ano mais velha, dois anos, ou mais novo que eu.
41:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí quando eu conheci a Beth, foi totalmente diferente, né, mano? Porque o meu mundo, o mundo da Beth era totalmente diferente. Ela gostava de um samba e tal, eu já não era muito do samba, eu gostava de música eletrônica. É, eu gostava dessas coisas. Os caras falam até pra mim que eu sou um preto falso, que eu não gostava de samba. Meu irmão, meus primos, tudo é do samba.
42:22
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Os moleques faziam sambas, instrumentos. Eu nunca aprendi, nem... Eu tinha dificuldade de aprender, tocar alguma coisa. Meu irmão tocava cavaquinho, eu não. Eu já ia com eles pra, tipo, fazer uma assessoria deles. Montar o palco, montar os instrumentos e também por causa das mulheradas, né? Porque no negócio de samba, velho, os caras eram mulheres pra caramba. E a gente ia junto também com os caras. E aí conheci a Beth.
42:51
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E a Bete, a percepção minha com a Bete foi totalmente diferente, porque ela não era essas meninas de barzinho, era uma mulher responsável, já tinha um cargo numa empresa grande, que ela trabalhava na Marisa na época. E aí comecei, eu já estava com o pensamento de arrumar uma pessoa legal.
43:10
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí foi batendo, cara. Começou a ficar namorando e tal. Gostando dela, também gostando de mim. Aí me apresentei pra minha família, minha avó gostou dela. Aí eu apresento pra família dela, a mãe dela não gostou. A mãe dela era a maior crítica. E a mãe dela de passinhos.
43:32
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ela achava que a Bete ia casar comigo e ela ia esquecer a mãe dela, sabe? Esquecer ela. A mãe dela é um pouco materialista. Até hoje ela é nessa parte. Mas também não tenho receio nenhum com a mãe dela, sabe? Às vezes eu chegava lá na casa dela, ela fechava a cara, entrava pro quarto. A Bete ficava até meio sem graça. Eu falei, não, mano, tranquilo. De boa, não vou levar isso aí pra minha vida, não.
43:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí quando elas moravam de aluguel aqui, na Cachoeirinha, aí a Beth teve uma oportunidade de comprar um apartamento lá na Coab, onde a tia dela morava. Aí ela comprou esse apartamento, que atualmente a mãe da Beth mora lá, nesse apartamento da Coab. E a Beth, o que você poderia mencionar?
44:20
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
que mais te chamou a atenção ou te chama a atenção no Betis? Isso aqui nela é a que eu mais admiro. A Betis é uma pessoa que tem um coração muito grande. Para ajudar o próximo, ela não pensa duas vezes. É uma pessoa de uma boa índole.
44:40
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu, mano, vou falar para você, assim, é que eu não sei, eu não sou muito apegado a estudo, cara. Eu fiz o colegial, mas se fosse para mim de formação, a Beth, eu já estava formado pela Beth. Mas é uma pessoa de uma boa índria, uma pessoa companheira.
45:00
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Posso dizer uma qualidade, mais qualidade dela. É uma ótima mãe. Ela é uma pessoa de uma boa índole que está para ajudar as pessoas, sabe? Não tem aquela coisa de atrasar. Ela é uma pessoa que mais ajuda do que atrasa. E a Beth, a Beth, então sempre ela teve essa... Sempre uma mulher sem trase, uma mulher correu atrás, ficou, ficou, ficou... Sempre.
45:24
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Sempre. Tá falando que vai terminar em 15 minutos para a chamada. Desculpa.
45:39
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E como que é isso? Como que você lida com isso? No contexto, a Beth sempre ganhou mais, a Beth sempre teve uma frente, sempre teve essa, até tu méritos de correr atrás, você ali, você tem a sua qualidade, ela tem a dela, isso é bacana, mas como que é essa relação onde a mulher, ela se destaca no quesito salarial, financeiro?
46:03
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
É, não, sim. Às vezes eu fico um pouco incomodado, né? Porque... Aí eu queria fazer por mais, né, mano? Nessa parte financeira. Porque não é fácil, né, mano? As terapias do Bruno é particular. Tem o reembolso do convênio.
46:20
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E aí nós vamos juntar tudo, condomínio, convênio, escola do Bruno. O que eu faço é pouco, sabe? Mas o bom dela é isso, porque ela é compreensiva e é uma pessoa que não tem aquela coisa tipo, ah, eu que pago as terapias do Bruno, eu que pago a escola do Bruno, ela não tem essa coisa de...
46:42
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Tem que ficar jogando na cara, né? Mas eu procuro fazer o máximo pra mim estar bem junto com ela e já parte com o Bruno, né, mano?
46:52
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
parte com ela também, mas é o que eu falo pra vocês, assim, eu sei, eu deveria ter estudado, isso até o meu tio, que é advogado lá, ele sempre falou, mano, vai estudar, vai estudar, e hoje em dia, mano, eu tenho 43 anos, a cabeça mudou, sabe, mudou mesmo, então eu vou pretender fazer alguma faculdade, eu cheguei a fazer a faculdade de TO, mas em...
47:19
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
É, eu cheguei a fazer... não, né, mano, uma semana, aí depois eu... aí trabalhando, aí começa a conta, aí levava o Bruno na terapia, aí volta, eu falei, meu, não dá. Mas pra mim, eu acho que o que vai funcionar é presencial, cara. Presencial. E acho que online não... tem aquela comodidade, sabe? Daqui a pouco eu estudo, daqui a pouco eu faço, agora presencial você tem que estar lá, né? Diferente. E, Walter, o que você... o que você tem?
47:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
que é esperado de você como homem na relação? Em uma relação, melhor dizendo. Não, faz... O que você sente que é esperado de você como homem em uma relação? Ah, mano, o que todo homem faz dela é assim, a proteção, né, mano? Porque o homem dá aquela proteção pra casa, né? E eu tenho essa parte, né, mano? Mas o que me afeta mais é a parte financeira.
48:17
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
A parte financeira, que aí às vezes eu tô com as contas pra pagar, e aí eu preciso sair pra trabalhar, mas ela quer que eu esteja junto. Aí eu falo pra ela, a gente acaba desentendendo algumas vezes, faz o disso, sabe? Tipo, financeiramente. Então eu falo pra ela, meu, se eu tivesse um emprego mais estável, eu ganhasse um pouco melhor, acho que fluiria um pouquinho melhor as coisas, sabe?
48:45
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Nessa parte. Ela é uma parte mais financeira minha, mas de relação, assim, de homem, mano, eu acho que eu faço a minha parte de homem com ela. Tipo, de companheiro, de pai, sabe? De carinho, de amor, a gente conversa, a gente deita na cama, a gente conversa bastante, sabe? Tem essa parte nossa.
49:06
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Você costuma pedir ajuda quando necessário, quando você tem algum problema conjugal ou pessoal? Como que é o gel? Você é aquele cara que guarda para si ou é aquela pessoa que vai buscar ajuda? Como que você se enxerga diante de algumas questões de tão importante quanto o seu papel familiar conjugal?
49:28
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Ah, eu não, assim, eu sou mais fechado. Eu não sou muito de ficar falando com outras pessoas. Converso mais com a minha esposa, assim. Com a Beth a gente conversa. Mas da família, de amigos, assim, eu prefiro ficar na minha mesmo, sabe? Às vezes posso estar, mano, estou apertado. Mas eu não peço ajuda financeira. Até converso, pô, mano, estou...
49:54
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Porque às vezes eu passo na casa de um amigo meu, o cara tá falando, mano, tem que pagar meu aluguel, não sei o que.
50:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Porque eu não tenho isso. Eu falo, mano, eu também tô na mesma situação, cara. O bagulho tá embaçado. Tem que pagar meu carro, tem que pagar a escola do Bruno, tem que pagar a perua. Mas eu não sou muito de ficar falando muito pras pessoas, não. Eu prefiro ficar na minha, sabe? Eu não sou muito de passar os meus problemas pessoais pra outros. Ou pra minha esposa. Pra minha esposa eu até chego a falar algumas coisas pra ela.
50:27
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Mas para as pessoas assim não...
50:30
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Essa parte dos meus pais, assim, que eu falei pra vocês aqui, eu não gostava de falar também, sabia? Porque eu achava que as pessoas acham ter preconceito, né? Por causa da AIDS, né? Então, eu... Assim, agora tem uns anos que eu já falo, né? Mas eu não gostava de falar. Às vezes eu até inventava. Ah, meu pai morreu de acidente. Minha mãe morreu de câncer, sabe? Pra não falar da real situação deles por causa do preconceito, né? A gente vai...
50:58
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
vai saber como que as pessoas reagem, né? Então, eu até omiti essa parte, assim, mas hoje em dia eu não tenho vergonha de falar, eu converso. Às vezes até no... Eu trabalho com um aplicativo, né? Então, toda hora tem que ter uma pessoa ou outra. Então, a gente vira até terapeuta, às vezes. Aí a pessoa desabafa também, fala da situação, aí eu conto a minha história. Fala, ó, mano, você tá falando a sua história, eu vou te falar a minha. Perdi meu pai e minha mãe,
51:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
um tal ano, tal, tal, tem meu filho que tem autismo e tal, tal. Ixi, aí a pessoa já fala, meu, não é fácil não na sua vida também. Mas a gente tem que se apegar a Deus e agradecer pela saúde que a gente tem e assumir as nossas responsabilidades. Não é porque a gente tem um filho atípico que a vida vai parar. Eu falo assim, quando a gente pega uma pessoa que tem...
51:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu pego um passageiro que tem filho autista ou está procurando diagnóstico, eu falo, mano, a primeira coisa, mano, é a aceitação dos pais. Porque se os pais não aceitam, aí já fica difícil, fica um pouquinho complicado.
52:08
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E minha vida, como eu fui criado na rua, eu era morador de bairro, então a gente vivia muito na rua. Eu falei para vocês, conheci muita gente boa e muita gente ruim também. Mas aí você tem que saber dosar o que você quer para a sua vida.
52:27
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Hoje em dia, quando eu chego lá, assim, na rua, com meu carro, com a minha família, com a minha esposa, com o meu filho, tem gente, tem ex-namorada minha lá. Vou até falar um exemplo. Uma vez, eu estava chegando, eu, a Bete e o Bruno. Na época, a Bete tinha uma renegade, né, que ela pegou. Agora ela não está mais. E aí eu tinha uma ex-namorada dessa rua da minha avó. E ela agora está casada com o cara e tudo.
52:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E o cara tava preso. Aí eu tava chegando na rua com a minha família, mano. E ela viu. E eu vi ela com aquelas bolsonas de viagem, né, mano. Aí eu fiquei pensando, mano, será que ela pensa, né, mano. Pô, tá o cara que eu namorava ali, ó, chegando de carro, com a família dele. E ela cheia de coisa, de jumbo, indo pra prisão. Com a cadeia, né. Falei, tá vendo?
53:16
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem moradora lá, vizinha da minha avó, que, tipo, achava que nós íamos para o mundo do crime, né? Eu, meu irmão, meus crimes, porque a gente todo homem, né? Ficava lá na rua e tal. Então, os moleques que ficavam também, que eram usuários lá também, a gente conhecia, conversava também, mas cada um no seu quadrado, né?
53:35
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí as pessoas veem hoje e falam, ô meu filho, você tá bem, você tá grande, não sei o que, tá com filho, tá com a família, casada e tal. Então você vê que a gente venceu na vida também, sabe? Não é só benefício financeiramente, mas como homem, eu tenho a minha certeza que, mano, eu tô no caminho certo.
54:00
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
pelo caminho certo Gerson que você falou que seus pais faleceram quando você tinha 10, 11 anos né e você nesse tempo aí que você conviveu com ele você
54:13
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Lembra, assim, tem memórias boas do seu pai e sua mãe? Só na hora. A minha mãe era da hora. Minha mãe gostava dela demais. Mãe é mãe, né, cara? Mãe é mãe. Meu pai também. Meu pai, por mais assim que ele ficou muitos anos preso, mas quando ele tava solto, meu pai sempre era um cara presente. Ele levava a gente pra parquinho, levava a gente pra Casa do Norte. Tanto que a Bete fala, nossa, não sei como você gosta dessas comidas de Casa do Norte. Ah, isso daí eu puxei do meu pai, mano. Meu pai que gostava.
54:42
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu gosto de comida do norte, assim, né? Meu avô, minha avó também, da Bahia. E minha mãe sempre, mano, porque minha mãe também não dava apoio, porque minha mãe eu afrontava, mano. Era aquela, ó, se você apanhar na rua, você apanha dentro de casa, mano. Minha mãe, vixe Maria. O dia que eu falei pra vocês que eu repro...
55:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu tomei um couro da minha mãe. Malandro. Sabe a ripa da beliche? Segura a armação. Minha mãe quebrou em mim. Minha mãe não dava boi. Era o barraco e o banheiro era pra fora.
55:16
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
do barraco. Aí minha mãe chegou do serviço e falou, filha, abre aí, a mãe tem um presente pra você. E eu todo feliz, nossa, eu ganhei um presente. Mano, quando ela sacou da espada do He-Man, falei, meu Deus do céu, agora já era. Pode chamar o poder de Graysk, que não vai adiantar. Tem a outra irmã dela, Regina, você vai matar o moleque. Mas aí, mano, você é louco. Mas minha mãe era da hora. Tem o...
55:41
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Memórias da minha mãe e do meu pai muito boas, assim. Por mais que meu pai era vida louca, porque ele tinha uns anos de cadeia, mas quando ele ficou na rua, assim, tinha umas memórias boas dele, mano. Meu pai era um cara querido. E ele era mais tranquilo e sua mãe mais pavirada assim? É, meu pai era de boa e minha mãe já era explosiva. Minha mãe não levava desaforo, mano. Minha mãe, minha mãe era... ela era... os pingos não rir com ela. Caramba. Não tinha dois.
56:11
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Ela falava, mano, se brigar na rua e voltar aqui dentro de casa chorando, vai apanhar também. E era assim mesmo. E eu era briguento na rua, cara. Eu era bagunceiro, briguento, gostava de empinar pipa, jogar bolinha, essas coisas tudo, mano. E seu pai, como é que ele reagia a você fazer esses negócios aí?
56:35
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Davam uns aprontados? Não, não, ele era de boa, ele só olhava, sua mãe vai te pegar. Ele falava. Meu pai nunca me bateu na época, ele nunca nem levantou a mão pra mim. Agora minha mãe, se eu aprontasse, era couro. Minha mãe pegava pesado. E você chegou a jogar um fute com seu pai? Chegou a bater aquela bolinha? Não, assim não, só brincando na rua, assim, na quadra. Nunca tive essa oportunidade, não.
57:04
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não cheguei a ter, porque depois ele ficou preso, mano, e até os oito anos, assim, ele tava, e depois ele ficou, tanto que ele morreu na cadeia, né, porque ele já tava doente, já morreu na cadeia.
57:18
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Agora minha mãe, eu ainda tenho outras lembranças dela. Jogar vôlei na rua. A gente jogava lá, queimadas, essas coisas. Fazia fogueira lá juntos, né? A família grande, quintal grande, a gente sempre fazia alguma coisinha no quintal. Aí minha mãe gostava bastante de festa, essas coisas. Então eu tenho essas lembranças da minha mãe. Caramba. E o que você acha que você puxou dos dois? Você puxou mais alguma coisa de um, do outro?
57:46
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mano, da minha mãe, acho que é coisa de explosividade, sabe? Eu era briguente, eu era briguente. Antes ela tá mais tranquila, mas tem hora que... Tem hora que eu saio do zero ao cem, mano. Caramba. Do zero ao cem, assim, tipo... Ah, tem umas coisas... Não, mas eu aprendi bastante coisa, né, mano? Tenho 43 anos, a gente tem que absorver coisas boas, assim. Mas, assim, no fato, na época, mano...
58:11
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu não podia, mano, se os caras me chamassem de filha da, sabe, né? Meu, perdi a linha, velho. Aí eu ficava muito nervoso, ia pra cima.
58:23
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E jogar bola, mano. Jogar bola é o cara que... Os caras... Ah, você é grandão, mas a gente já... A gente tem uma habilidade também, né? A gente sabe jogar bola. E aí os caras acham que é bobo, aí quer bater e eu batia também, mano. E aí queria vir pra porrada, eu ia pra porrada também. Era tipo isso. Eu até falo pros moleques, falei, mano, minha época...
58:42
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
A gente ia com os moleques pro salão de festa, gostava de música eletrônica, eu ia pro salão pra curtir o salão mesmo. Mas toda vez, mano, não sei se você conhece o Largo da Batata, lá em Pinheiras. Conheço.
58:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Chegava ali em Pinheiros, no Lago da Batata. Nós, na época, os caras chamavam a gente de clover. Que era música eletrônica, roupa colorida. A gente era tudo colorido. E aí os skatistas e os góticos não gostavam. Chegava naquele Lago da Batata, meu coração já disparava. Porque eu sabia que a gente ia descer do ônibus.
59:24
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Ia ter briga, mano. Só que a gente saía do bairro nosso... Praticamente um ônibus da gente, velho. Nós saímos numa galera de uns 30 caras, velho. Sem mentira nenhuma.
59:35
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Porque assim, a gente saía da Zona Norte em uns 15, 20. Aí chegava na Barra Funda, já encontrava mais uns 10, 15. Aí chegava lá na empinheira, descia o ônibus só da gente. Mas aí tinha muita briga. Eu vou criar outra aqui, que essa aqui vai acabar em um minuto, tá bom? Tá bom, pode criar. Mas pode ir falando aí enquanto...
1:00:06
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Então cara, sabe? Tipo, que nem eu fiz esse teste aí de psicanálise, né? Pode saber, meu deu o TDAH. Rolou. Meu deu o TDAH, que tava com a desconfiança de autismo também, mas eu tenho hora que eu fico pensando. Aí, rapidão.
1:00:56
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí, como é que é? Você fica pensando? Então, aí deu outro negócio do TDAH em mim e tal, e aí tem uma hora que eu fico pensando também, mano, se eu não sou autista mesmo, sabe? Porque tem muitas pessoas hoje em dia, porque antigamente o pessoal falava que era louco, né? Que era debmental, essas coisas, mas o autismo não tem idade há muitos anos já, né? É que agora...
1:01:20
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Esses anos de agora que tem muito mais do que antes, né? Tem muita criança vindo com autismo, né? E como rolão tem o que lida com os projetos? Ah, Jailton, assim, pra mim, se for mesmo, mano, não vai mudar nada na minha vida, cara. Tipo, que nem assim, eu tinha um problema quando era pequeno.
1:01:44
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Porque eu fiz xixi, mijei na cama até os 14 anos, velho. Caramba. Na noite, assim, aí eu lembro, até brinco, acabete, eu fui no médico, o médico falou assim, ó, vamos fazer um caderninho, porque eu apanhava, mano, apanhava da minha mãe por causa disso. Caramba.
1:01:59
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí, o tempo agora, eu comecei, mano, fazer o trabalho na rua e toda hora migava, toda hora mijando, mijando, mijando. Aí fui investigar, aí fui fazer um exame, aí o médico perguntou se eu tinha esse problema. Eu falei, não, uma vez eu fiz um exame lá com os caras, minha mãe era viva ainda nessa época, acho que eu tinha uns sete anos.
1:02:20
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eles foram passar a sonda onde sai a urina, né? Ô, mano, cê é louco, o bagulho dói pra caramba. Eu com sete anos, aí teve que cinco enfermeiros me segurar. Aí eu falei pro médico, ele falou assim. Aí esse médico fez agora, uns dois meses atrás, eu fiz esse exame de novo. Aí eu falei pra ele, quando eu era pequeno eu fiz. Ele falou, meu, então você já tem isso daqui desde pequeno. Aí eu fiquei pensando, eu falei, porra, velho, apanhei várias vezes.
1:02:49
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Da minha mãe, da minha avó, dos pessoal. E eles não sabiam que era isso. O que eles falavam? É sem vergonhice. Ele faz isso porque ele quer. E não sei o que. Aí eu fiquei pensando, mano. Até na hora eu chorei, assim, tá ligado? No carro. Falei, caramba, mano. Quantas vezes eu apanhei, mano. E eu não tinha esse controle. Minha mãe também não sabia. Porque naquela época o pessoal era mais, assim, com a cabeça fechada também, né, mano?
1:03:14
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí eu fiquei pensando, né? Aí a Bete até fala, aí tem algumas coisas assim que eu faço às vezes. Ela fala, tá vendo? Que nem assim, tipo assim, às vezes eu tô deitado, aí eu tenho mania de fazer isso, tá ligado? Com os dedos assim, ó. Ela fala, tá vendo? Isso aí estira o tipi a sua. Caramba. Mas se for também, Bete, não vai mudar nada, mano. Eu já tenho a aceitação do meu filho. Se for mudar, vai ser uma coisa das boas. Benefícios, né?
1:03:40
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu fiz uma época, o terapeuta nosso lá, o psicólogo nosso lá, ele falou, Jeff, se for, você vai ter direito até bolsa com redução no valor, você vai ter entrada de meia, tudo que tem os, como fala? Os preferenciais. É, verdade. E quando você era pequeno, você tinha alguma dificuldade de aprender ou de socializar?
1:04:08
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
De socializar, não, mas de aprendizado, sim. Socializar, eu nunca tive problema disso. Mas que nem, ó, minha tia falava, minha tia falava, quando eu era muito apegado na minha mãe, às vezes minha mãe tinha que sair escondida de mim pra sair. E aí eu ficava nervoso, se jogava no chão. Ela falou que teve caso, eu tinha que bater a cabeça na parede, assim, sabe? Aí eu fiquei pensando, mano, tá vendo, mano?
1:04:33
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Isso daí pode ser coisa do autismo, mas não sei dizer se é mesmo, né? Mas eu fiz o teste lá e deu TDAH, meu. Não deu... E essa parte de socialização, cara, na minha é ótima. Sempre tive gente rodeada na minha casa, sempre tive amigos, na escola, na rua. Eu sempre... Ó, chegava um cara novo na sala...
1:05:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Um amigo novo, eu já era do acolhimento. Tipo assim, você chegava, o Diogo chegava na sala de aula. Não foi mal, né? Você chegar numa sala que já tá todo mundo já enturmado, você vai ficar meio retraído. Eu já gostava de fazer amizade, de trazer você pra junto com a gente. Ô Diogo, beleza? Joga uma bola, Diogo. Joga, então vamos jogar com nós. É na quadra, já de quadra. Sempre foi assim. E minha família que eu falei pra vocês, que era grande.
1:05:27
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tinha muita gente na casa e aí, como nós éramos três homens e mais duas meninas em casa, sempre teve os amigos das minhas primas, os amigos do meu irmão e os meus amigos, que são todos iguais. Essa parte social minha é de boa.
1:05:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Fala de intimidade. Você tem esse amigo? Você tem esse tipo de relação hoje? Tenho. Tenho o João, que é um padrinho nosso de casamento. E tenho o Fabinho também, que é um amigão de trabalho da NET. Eu sempre gosto de conversar com ele. Ele é um cara cabeça também. A gente sempre entra nos assuntos particulares do meu relacionamento, do relacionamento dele também. A gente compartilha. Como você lida com isso?
1:06:23
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
querendo ou não, a gente ter ali um momento de vulnerabilidade, mostrar um pouco de fragilidade, de certa forma, como que é isso para você, essa conversa de ter que falar alguma coisa que de repente até te incomode ainda? Não, quando eu converso com eles sobre alguma coisa da minha relação, sobre a minha vida, sobre o meu relacionamento, é quando eu quero falar mesmo.
1:06:49
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Desabafar, tipo... Sabe, mano, você tá querendo desabafar, mano? Aí você vai e fala, mano, vou procurar um amigo da hora, vou conversar com ele. Aí eu me sinto bem, troco uma ideia com ele, um papo de normal, assim, com ele, sabe? E falando do Jefferson, o Jefferson, se você tiver que falar pro Jefferson agora, qual a qualidade que você falaria para o Jefferson nesse momento? Ah, a minha qualidade, mano, é que eu sou um cara bem, assim, de acolhimento.
1:07:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Sou uma pessoa de uma boa índole. E... Ah, mano, eu sempre penso no próximo. A minha mulher até fala. Tanto que no relatório lá que eu fiz, deu de falar mais do próximo do que de mim. Sabe? Tipo, mais do próximo. Eu sou uma pessoa de uma boa índole. Eu não tenho maldade. Assim, quando eu vejo o que quer me prejudicar, aí também já muda o disco. Quando eu falei pra você, eu sou do zero ao cem.
1:07:47
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu sou do zero ao cem. Se eu vejo que vocês dois são pessoas boas, que não querem me prejudicar, eu vou estar com vocês ali de boa. Mas aí se eu ver, ah, o Diogo é gente boa, o Jailton tá falando por trás de mim, eu já quero cortar o mal pela raiz. Falar, ó, mano, o Jailton já não gostei da atitude dele, eu já vi ele falando mal do Diogo, se ele fala mal do Diogo, ele fala mal de mim, então eu já sou bem radical, sabe? Se eu vejo que o cara é um cara de ficar muita fofoquinha falando de...
1:08:16
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
da vida alheia das outras pessoas, eu já não gosto muito também, sabe? Eu já... Com a sua avó ou com a sua mãe, você teve ou tem com a sua avó e com a sua mãe, você tinha algum momento, espaço para expressar suas emoções? Com a minha mãe, nem tanto, porque foi pouco tempo, né, Jair? Com a minha mãe. Mas com a minha avó, sim. Com a minha avó, minha avó chama ela de mãe, né?
1:08:43
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu chamo ela de mãe. Mas eu já compartilhei várias coisas de relacionamento meu com as namoradas com a minha avó, sabe? Na época. E quando você pensa nas mulheres da sua família, olhando por esse contexto mulheres, o que mais te chama a atenção? Quando você pensa nas mulheres da sua família, o que mais te chama a atenção nela? O que mais chama a atenção das mulheres da minha família? Ah, é.
1:09:09
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É o companheirismo delas, que a minha avó, minha mãe e minha tia foram pessoas, assim, muito acolhedoras. Então, é o que eu falei para vocês, são pessoas acolhedoras.
1:09:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
que me ajudaram e ajudam não só a mim, como a família inteira, a minha avó mesmo, uma pessoa que criou os filhos dela, criou os netos, perdeu os dois filhos dela novos, que foi o meu tio e a minha mãe. O meu tio morreu com um acidente de trabalho e minha mãe foi do HIV. E minha avó acolheu todos nós na casa dela, até hoje ela acolhe os netos e os bisnetos lá.
1:09:57
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E a Bete, meu, porque é uma mãe...
1:10:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Excelente, é uma companheira excelente, é uma pessoa de boa família, de boa índole. E eu admiro a pessoa dela que ela é, que ela é uma pessoa de um bom coração, sabe? Uma pessoa que sempre tá ali pra ajudar. Uma pessoa que te dá um alto na vida da minha esposa, mano. É uma pessoa que ela quer ver o bem da família toda, cara. Sabia?
1:10:29
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Quando se trata do Jefferson, qual seria o seu maior medo? Nossa, mano, meu medo... Ah, eu tenho esse medo de mostrar pras pessoas, assim... Assim, ó, eu tô me sentindo à vontade com vocês aqui, sabe? Mas tem certos momentos que eu não gosto de aparecer. Tipo, quando tem muito público, assim, falar um pouco da história da minha vida, às vezes eu fico um pouco emocionado e tal. E...
1:11:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu sou um pouco reservado, cara, assim, eu não gosto de muito holoportes, sabe? Mas aí quando eu falo também da parte do meu filho também, eu acho que eu fico um pouco mais emotivo e tal. Eu trabalhei bastante nessas coisas, melhorei bastante, mas eu não gosto de ficar muito nos holoportes não, assim, não.
1:11:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não gosto de aparecer muito, assim. Mas é que nem a minha esposa fala, meu, você tem uma qualidade que eu falo pra você. Você tinha que fazer uma parte de TO mesmo, que você tem um acolhimento com as crianças. Mas isso foi de mim. De muitos anos, cara. Desde quando eu era moleque, que eu tinha meus 17, 18 anos, que eu falei pra vocês, que eu já tinha amigos, que tinha namorado, que tinha filhos.
1:11:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu sempre brincava com as crianças, dava atenção, e aí as crianças me veem, mano. Já começa a bagunça, eu sou bagunceiro, gosto de bagunçar, gosto de socializar com elas. Ontem que o Diogo mandou uma mensagem, eu falei, ô Diogo, hoje não dá, porque nós estamos no litoral.
1:12:01
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E aí nós chegamos lá, tinha mais duas crianças autistas lá, a gente nem sabia. Tinha um de 7 anos e um de 17 anos, mas esse daí era surdo. Mas ele também tinha um pouco de autismo. Aí eu nem sabia dessa criança que era autista, mano, o Rian.
1:12:19
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí ele chegou, tal, olhou assim pra nós, eu, oi, tudo bem, Riane? Oi, tudo bem e tal. Mano, do nada o moleque veio e fez assim pra mim, pegar ele no colo. Caramba. Aí peguei ele no colo, conversei com ele e tal. Quando fui ver, a mãe, o pai dele falou que ele é autista e tal. Aí comecei a interagir com eles, mano. Com o Bruno e eles. O Bruno, a gente não gosta de ficar deixando ele muito no celular, né? Porque isso daí desregula um pouco as crianças. Um pouco não, muito.
1:12:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Desregula muito. Então, eu estou no churrasco da família, o Abete está ali, eu estou comendo, estou conversando com vocês aqui, daqui a pouco eu olho o Bruno e falo, mano, eu vou tirar o Bruno do celular ao ponto. Aí vou brincar com ele de carrinho, brincar de jogar bola e normal das crianças virem. Aí eu começo a brincar, socializar com as crianças, entendeu? Eu tenho essa parte minha de socialização com crianças, mano, é muito da hora, eu gosto.
1:13:14
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu gosto mesmo. Só que eu tenho medo de aplicar isso, mano, sabe? De profissionalizar isso. Ser um profissional da área, eu não tenho muito medo, mano, sabe? Sei lá, mano. Depois eu tenho que conversar com os pais, passar essas partes técnicas. Eu não sou muito fã disso, sabe? Eu sou do operacional. Eu gosto do operacional. Você vai lá, executa, e brinca, faz isso aí, beleza.
1:13:42
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Agora dessa parte de falar, socializar, conversar com o pai e com a mãe, eu já dou uma travada. Eu falei, mano, não sei. Mas pode ser que ele melhore, né? Ô, Gerson, você falou bastante aí da sua avó, da sua mãe, da Beth. Mas e, tipo assim, aquela pergunta ainda sobre o que você acha que você puxou do seu pai e o marido da sua avó também, se você conviveu com ele?
1:14:09
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Meu bó? Vixe, mano, meu bó era Lampião, mano. Meu bó era da rola. Vixe, meu bó era... Ele era conhecido como Vai Graxa. Ele era aposentado e ele... Ele era engraxate mesmo, de sapato, sabe? Os caras das antigas. Meu bó era esse, ele montou. Meu bó era tipo um marceneiro. Fazia banco, fazia os carrinhos. Aí ele colocou umas rodinhas de rolemã, fez um banco lá, mano, ele arrastava e parava na frente de um barco.
1:14:36
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E fazia, engraxava o sapato das pessoas, né, na rua de baixo lá. E aí ele passava o pessoal e ele falava, vai graxa aí. Aí pegou aquele dele de vai graxa, né, Joaquim. Mas meu vô também era da hora, pô. Meu vô era separado da minha avó, só que morava na mesma casa. Só que meu vô era aqueles baiana retábil, que eu falei, lampião, nessa parte, né. Ele comprava...
1:15:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu mandava as coisas pra minha avó em casa, mas ele não comia a comida dela. Ele fazia a comida dele dentro do quarto dele, aí de manhãzinha, que eu ia sair pra escola, ele já fazia o jabá dele, meu irmão, meus filhos, ele ficava com nojo. E eu já comia, como eu falei pra vocês, que eu gostava de comida do norte. Eu tinha um relacionamento muito bom com meu avô, mano. Meu avô era da hora demais, mano. Você é louco. Meu avô, a minha avó, o...
1:15:26
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Os meus tios também, sempre teve um relacionamento bom com eles. Minha família, da parte da minha mãe, eu tenho um afeto muito grande por eles. Eles me acolheram muito bem na fase que a gente mais precisou, quando nós perdemos o pai e mãe, eu e o meu irmão. O meu irmão, o pai dele mesmo era o meu pai, que criou nós todos, o pai biológico dele.
1:15:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Abandonou ele, assim, sabe? Eu lembro uma vez que a gente foi na casa desse pai dele. E aí nós chegamos lá no portão. Ele me falou, e aí, Jé, vamos lá na casa do meu pai lá pra nós ver ele. Faz um dia que eu não vejo. Vamos lá. Aí nós fomos. Aí o pai dele chegou lá, mano. Ele saiu assim no portão. E ele, e aí, pai? Ele falou, o que você quer? Aí meu irmão falou, vim te ver, né, pai? Ah, já veio o quê? Você quer dinheiro? Meu pai e meu irmão falou, não, mano. Vim te ver.
1:16:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí ele foi, conversou, mas depois foi embora. Aí depois, na hora que nós viramos as costas, meu irmão falou, mano, nunca mais eu vou vir ver esse filho da... sabe? E aí abandonou. Ele falou, mano, meu pai é o negro, porque o apelido do meu pai era o negro, né? Meu pai é o negro, gente. O seu pai é meu pai. E a gente era parecido quando era mais novo. Aí era tipo gêmeos. Meu pai comprava uma roupa pra mim e comprava pra ele também, sabe? Aí ele teve uma oferta com meu pai desse jeito.
1:16:49
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Só que aí depois meu pai morreu, morreu minha mãe, a gente já foi morar com a minha avó, aí os nossos tios já acolheu a gente bem também. E, mano, a gente seguiu nossa vida. Seguiu nossa vida aí, porque eu conheço muito o cara, assim, que perdeu pai e mãe e que desandou a vida, sabe? O cara entrou pro crime, ou o cara não trabalha, não faz nada, e eu nunca pensei nisso, cara.
1:17:13
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu só sou ruim nessa parte de tudo. Estudar, de ser formado. É isso, mano. Eu sou ruim mesmo, mano. Não tenho um foco no estudo, sabe? Nessa parte. Mas de trabalhar. Eu sempre quis trabalhar. Sempre trabalhei. Dos meus 15 anos, sempre trabalhei.
1:17:33
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Sempre quis gostar dele, sempre gostei das minhas coisas, sempre vou comprar roupa. Meu irmão era mais velho, começou a trabalhar mais cedo, aí ele tinha dinheiro, eu usava as roupas dele, ele ficava reclamando. Aí eu falava, ah, um dia eu vou trabalhar, você vai ver, é, toda vez você fala isso, não sei o quê. Aí o jogo virou, né? Você ia trabalhar, ele começou a usar minhas roupas, mas mesmo assim eu não fazia o que ele fez comigo na época, né? Às vezes...
1:17:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Teve uma vez que ele fez eu tirar a camisadinha na frente de todo mundo lá, mano. Falei, caramba, precisa disso, pô. Mas moleque, né? Tinha 14 anos, 15 anos. Aí depois eu comecei a trabalhar, vida que segue, cara.
1:18:11
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não tenho ressentimento nenhum do meu tio, também não tenho problema nenhum se realmente ter o diagnóstico de autismo. É bom pra gente se entender, cara, que com 43 anos ele vai descobrir que você tem um diagnóstico desse, você fica pensando, por isso que eu não fui bem nisso, não fui bem naquilo, não tive um procedimento diferente, sei lá, cara.
1:18:37
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas eu não tenho isso assim como desculpa para a minha vida. Não tenho como desculpa, sabe? Tive a oportunidade de se formar, não me formei, não estudei. A Beth mesmo me inscreveu em duas faculdades, mano. Duas faculdades. Fiz, era para fazer a primeira administração, e aí eu não fiz, e depois educação física, que era o que eu queria na época. Mas aí eu comecei também e depois parei.
1:19:06
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
E como você liga com isso?
1:19:09
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
depois da desistência, qual o sentimento que você tem por você não conseguir engajar? Não, isso daí eu penso muito, Jair, isso daí eu fico pensando hoje em dia, tem hora que bate, mas, caramba, deveria ter estudado, deveria ter me formado em alguma coisa, porque poderia estar numa situação financeira melhor, não é garantido, mas a gente sabe que...
1:19:36
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Com o estudo você tem um passo a mais na frente, né? Um currículo melhor. Às vezes eu fico me culpando assim, tipo, porra, eu podia ter estudado, eu podia ter me formado. Mas ainda dá tempo, cara. Ainda dá tempo. Tem muita gente que já se formou agora com 50 anos, com 40 e poucos anos. Eu tô na próxima. Mas quando você não engaja, você não consegue...
1:20:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Qual o sentimento matrítico que vem quando você não consegue engajar na faculdade ou um curso de escola? Ultimamente eu estou pensando nisso aí, sabia mano? Eu fico pensando assim, putz, será que eu sou autista, mano? Aí às vezes eu até falo, fico pensando, né? Porque a grande maioria dos autistas tem grandes habilidades, né? Mas tem uns que não tem. Aí eu já, falando pra vocês de verdade, eu falo, mano, eu acho que é o autista que nasceu burro.
1:20:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Porque eu não tenho capacidade de entender, de aprender algumas coisas, sabe? Eu tenho facilidade em algumas coisas, mas estudar, assim, cara, eu não tenho um foco bom. Eu tenho uma dificuldade, às vezes, de ler e de entender. Bom, Gerson, dessas vezes aí que...
1:20:50
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
A Beth te inscreveu na faculdade. Tipo, você acha que tu queria ir mesmo? Foi uma coisa que vocês decidiram junto? Ou você acha que ela deu uma pressionadinha assim pra tu fazer? Ela deu uma pressionada. Deu uma pressionada. Teve vezes que ela sabe tudo do documento. Ela ia lá, fez a inscrição, ó, te inscrevi na faculdade. Falei, ixi, você é doido, não quero sair não. Não é bom estudar não, tem que trabalhar.
1:21:14
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu tenho as contas pra pagar aqui, não vai me atrapalhar a faculdade agora, não vai dar certo não. Mas eu, tipo assim, não vejo como invasão de privacidade dela. E eu não vejo como invasão de privacidade, eu vejo que ela quer uma melhora minha, sabe? Ela quer ver o bem, né? Que ela fala pra você, eu sei que você é uma pessoa boa.
1:21:41
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas eu queria que você estudasse, eu queria que você tivesse um emprego bom, que você ganasse um salário legal, para você ficar bem com você mesmo, né? Mas eu não... Como você se sente ali como homem, esse homem que tem responsabilidade como pai, como marido, como você se sente quando ela pressiona dessa... De alguma forma, é uma pressão, né?
1:22:06
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É, é uma pressão, mas assim, eu não vejo como uma pressão, tipo, de obrigação. É uma opressão pra ver a melhora, pra ver a minha melhora, pra ver eu dar um álbum na vida, entendeu? Ela fala, meu, eu queria que você estudasse, eu queria que você... Eu vejo isso daí como uma coisa boa dela pra mim, não como, tipo assim, pra estar no mesmo status que ela.
1:22:33
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu vejo que ela vê uma melhora para mim e para ela, para ela, para o Bruno, para a gente, para a família, entendeu?
1:22:52
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Formação acadêmica? Você se sente às vezes assim? Às vezes sim, gente. Às vezes sim. Se eu falar que não, é mentira. Mas às vezes eu me sinto assim. Pô, mano, não tenho essa grana. A Bete ganha melhor e tal. Mas às vezes eu me sinto inferior. Pô, mano, não consigo fazer isso, mano. Não é possível, cara. Eu tenho que vencer na vida. Eu preciso dar uma melhora pra minha família, uma melhora pra minha esposa, sabe? Tipo...
1:23:20
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tipo aquela coisa, ó, faz o seu emprego, arruma um outro emprego que eu vou conseguir bancar aqui a casa, sabe? Tipo isso. Eu me sinto às vezes assim. Como é que você percebe o papel do homem hoje na sociedade? Você acredita que o papel mudou de alguma forma? Do homem? Como você percebe o papel do homem hoje, nos dias atuais, na sociedade? Você acredita que o papel mudou de alguma forma? Mudou. Mudou muita coisa, porque hoje em dia...
1:23:49
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem muita mulher que tem capacidade de ser o homem da casa tranquila também. Tem mulher que não depende de homem. Antigamente o homem que banchava mulher, assim, né? Na época, uns anos atrás. Eu também acho um preconceito bobo de achar que a mulher não é capaz de assumir certos cargos. Eu acho besteira isso. Eu acho...
1:24:16
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Que não deveria ter diferença salarial, porque quando o cargo do homem... Tipo assim, a Beth, ela é gerente. Mas ela tem gerente lá que ganha melhor que ela. Só que ela é muito mais inteligente do que o cara. Mas ele ganha melhor porque ele é um homem.
1:24:32
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E hoje em dia, cara, mudou muita coisa. O homem é mais vaidoso também. O homem não tem mais estética, essas coisas ali. Você vai no salão aí e tem cara que faz progressiva. Tem cara que faz unha. Entendeu? Mas também não vem preconceito na Numa. Numa agora, professor, que esse crescimento da autonomia feminina na sociedade, isso de alguma forma impacta nas relações? Eu, na minha opinião, impacta...
1:25:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
para melhora, eu acho que para melhora, para impactar melhoras, não para diminuir o homem, não para diminuir o homem, eu acho que não tem nada a ver uma coisa com a outra, porque a gente está no século 21, então a gente não tem que pensar que a mulher não é capaz, que a mulher é inferior, a mulher é um ser humano igual a nós, ela vai fazer.
1:25:31
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Então, bem-vindo a questão, mas essa questão, já que tem que ter muito equilíbrio, de alguma forma, de um ganhar mais, outro ganhar menos, aqui isso impacta na relação a dois, de alguma maneira a questão mais salarial, não a questão de conquista de posição que você concorda em tudo. Eu também concordo plenamente, mas essa questão salarial, você acha que isso muitas vezes é um problema ali?
1:25:59
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
de acordo, de os dois lidarem com as questões diárias na casa? Sim. Isso vai muito de relacionamento, né? Independente que se o homem ganha mais ou ganha menos, tem que ter um... como eu posso dizer?
1:26:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É, o comprometimento dos dois, né? A consciência dos dois, né? Que nem no meu caso com a Bede. Na época, eu abri mão de trabalhar do CLT pra mim levar o Bruno na terapia. Eu tendo a consciência que ela tem um cargo melhor e ganha melhor, eu poderia parar o meu CLT.
1:26:42
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
para dar uma atenção melhor para o meu filho, e ela ganhando o salário que ela ganha e com o encargo que ela tem, dando uma sustentabilidade de pagamento também, né? Mas também, assim, eu não vou chegar do jeito que ela chega, mas eu chego com a parte que dá para mim.
1:27:07
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
se pede, se aponta que chegam, todo mês para você, como que é esse desafio sempre de chegar com menos, como você grita com isso, todo mês é um conflito, como que é isso para você, Jefferson, como homem?
1:27:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ah, cara, tem hora que a gente fica um pouquinho desapontado, né? Porque você é o homem da casa, tem aquela coisa de superioridade, mas, como eu falei pra vocês, pra mim não tem isso, tem que ser os dois, o casal, é uma carne só, né? Casou, é uma carne só, então, no momento que ela pode estar bem agora, ela pode estar mal e eu posso estar bem, então...
1:27:49
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem hora que bate, assim, você fala, poxa vida, mano, deveria pagar isso aqui sozinho, poderia ajudar ela naquela situação da terapia, eu não tenho condições. Bate um pouquinho, assim, tipo, meio desânimo, né, tipo, pô, mano, preciso fazer alguma coisa de melhora na minha vida.
1:28:08
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas já melhorou, já foi mais ruim dessa parte minha, dessa parte financeira. Às vezes bate umas bads, tipo, caramba, mano, tô apertado aqui, vou ter que pedir uma ajuda pra minha esposa, mas eu converso com ela na boa agora, tipo, falo pra ela. Já teve muita dificuldade em pedir pra ela, com certeza, teve muita dificuldade, e como você lida com isso?
1:28:33
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Não, ainda tem assim, sabe? Tem certas coisas que é minha, assim, tipo uma parcheira do meu carro. Eu sei as contas que ela já paga do Bruno, da escola também. E aí eu tô pagando aquela, paga a conta de água, paga um aneste, paga uma luz, ajuda no aluguel do condomínio. Aí eu não consigo pagar meu carro. Aí eu tenho que chegar e falar pra ela, né, Flávio?
1:28:58
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Pra mim essa situação não vai dar se eu não... A gente tava tendo muita conflito por causa dessa coisa de trabalhar às vezes no final de semana, sabe? Ou dar uma estendida mais à noite e tal, aí ela quer estar junto comigo, ela também quer chegar, treinar, fazer... Tem que ter uma vida também, porque a gente, quem fica atípico também tem muita responsabilidade em refazer a criança, né?
1:29:23
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Mas a gente tem que cuidar da gente também, né? Senão, não dá, né? Então, aí ela treina também aqui na academia, aí ela quer treinar, aí às vezes eu chegar um pouquinho mais tarde. Então, estava tendo um conflito por causa disso. Mas aí, a gente vai conversando, a gente vai aprendendo com os erros, né? O que não estava muito certo? Você teve alguma pressão social sobre como deve agir como homem? Se eu tive uma pressão social? Você tem que criar uma pressão social?
1:29:53
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
de como você deve agir, que é uma pressão social, porque eu tenho que agir assim, porque eu sou homem, eu tenho que agir, eu tenho que...
1:30:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tem que assumir essa responsabilidade porque o homem tem que fazer assim, o homem tem que tomar essa decisão, o homem tem que liderar. Há uma pressão social sobre isso que você encerra? E se você enxergar isso, você acredita como nós devemos agir? Não, não tem essa pressão, não. Tipo, eu fico vendo assim, né, cara? O que eu posso fazer está no meu alcance, eu posso fazer, entendeu?
1:30:29
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tipo assim, se eu pensar que nem na terapia dela, eu não vou ter condições de pagar a terapia do Bruno. Ela tem.
1:30:36
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ela tem, ela faz as coisas dela e eu prefiro fazer as coisas corretas pra ajudar no que eu posso fazer, entendeu? Não posso também pensar, nossa, mano, essa daqui eu sou homem, eu tinha que pagar. Eu não penso dessa forma assim, sabe? Ela também tem essa parte dela que não tem de ficar pesando por causa disso, então vai bom. E também eu tenho minha parte também.
1:31:04
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
de pai, de companheiro, de buscar, de socializar com ele. Quando ela está num ambiente que ela quer descansar, eu sei que ela vai deixar, vai, deixa comigo, fica lá. Eu dou banho, eu troco, eu dou comida.
1:31:22
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Tudo isso. Hoje em dia ele já tem autonomia, então a gente já dá mais autonomia pra ele fazer as coisas dele, né? Ou fazer uma lição de casa também, ajudo, ela também faz, também. Então, a balança tá bem equilibrada entre nós dois, sabe? É até legal, que é uma forma de humildade sua, né?
1:31:43
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Você vê ali o que precisa fazer e você, tipo, não liga no que vão achar, você vai lá e faz, e tá dando certo, né? É, não, nada a ver. Queria ver se a gente tá em alguma festa, assim, já ouvi, até o marido da minha prima falou esse dia pra ela, assim, nossa, mas nas festas que eu vejo, eu vejo sempre o Jefferson dando atenção, assim, pro Bruno, pra lá e pra cá e tal. A Beth também dá atenção. Mas eu vejo que ela tá num momento ali, conversando, se distraiu, e eu falo, mano...
1:32:12
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Deixa comigo, aqui eu brinco com meu filho, eu brinco com ele, porque não pode jogar bola na quadra a mãe com os outros meninos?
1:32:21
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Melhor pai, né, mano? Aí eu vou com ele lá, vou levar ele no parquinho pra brincar, pra escorregar, pra ir no parque. A gente faz umas caminhadas junto. Quando vai na academia, a gente vai junto também. Quando dá tempo, dá pra ir eu, ela, ele, ele desce junto também. Aí ele gosta de desenhar, ele tá lá desenhando também. E aí a gente leva ele junto, aí eu ponho ele também pra fazer alguns exercícios. E assim vai, cara.
1:32:47
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É um suprindo a necessidade do outro. Não tem aquela coisa, tipo assim, ela paga a maior parte da casa, das terapias, e ele não faz nada. Não tem isso. Não tem isso. O meu relacionamento com a Beth é bom por causa disso, sabe? Não tem essa coisa de, ah, eu faço isso e eu pago isso, eu tenho direito de fazer mais do que você. Não tem essa, sabe? E, tipo assim, nesse contexto aí de...
1:33:18
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
dessa trajetória sua aí? Já teve algum momento que você, tipo, chegou a perder sono, dificuldade de dormir? Ou teve algum sonho, assim, frequente? Mano, falar pra vocês. Eu não tenho... Eu tenho sono ruim, mano. Eu durmo assim, mano. Parece que dormir quatro horas pra mim tá bom. Caramba. Como essa coisa de... Quando eu comecei a trabalhar no ônibus, que eu comecei a acordar cedo...
1:33:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Meu, tem hora que dá quatro e meia, quatro horas e eu já acordo, velho. Eu gosto de acordar cedo. Eu acordo cedo, já não gosto de ficar deitada muito, a Beth já gosta de ficar deitada. Como eu falei pra vocês, eu morava em bairro, agora que a gente tem 14 anos que a gente mora em apartamento, né?
1:34:11
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
No começo, pra mim, foi meio difícil, cara. Eu ficava que nem uma barata dentro de casa, assim, pra lá e pra cá. Porque eu morava em casa, né? Eu só subia as escadas e tava na rua. E não tem, assim, de sono que a gente perdeu quando o Bruno era mais novinho, né? Quando ele, depois dos três meses, que a gente nem sabia do autismo dele, aí tem a coisa dele ter alergia de leite, né? PLV, produtos de animais. E aí ele não dormia muito bem. A gente tinha que revezá-lo.
1:34:40
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Mas eu não tenho essa coisa de, ah, dormi pouco. Não tenho, não tenho mesmo. Essa parte aí pra mim é tranquila. E, tipo assim, fora essa parte aí financeira, tem alguma coisa que você acha que você gostaria de viver diferente na relação?
1:35:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Pô, isso aqui, eu gostaria de fazer isso, assim, sabe? Fora a questão financeira, você acha? Então, mas a questão financeira entra nessa parte, né? Tipo assim, se eu tivesse umas condições melhores, um emprego com um salário bom, eu queria ter mais tempo com a família, mano. E sair, passear, sair num restaurante.
1:35:23
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
sabe? Ah, vou num restaurante ali, que eu sei que vai pagar a conta e não vou pagar a conta sem consciência de falar, pô, meu, eu vou pagar isso aqui hoje, mas amanhã eu vou ter que redobrar pra mim, vou ter que trabalhar bastante, sabe? Eu vou ter mais tempo com a família, geralmente.
1:35:45
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu, assim, às vezes é mais ela, mas eu sempre consigo, ajudo ela também, né? Aí ela fala, não, não precisa. Eu falei, não, precisa sim. E agora mesmo, a gente foi, veio da igreja, aí nós passamos, eu falei, tem mistura lá, ela falou, não, vamos comprar um frango.
1:36:03
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu peguei, ela falou, não, passa seu Pix pra mim, pra mim fazer. Eu falei, não, deixa que eu pago aqui. Ela, não, porque eu falei, não, mano, para com isso, deixa que eu pago. Amanhã eu vou trabalhar, amanhã ganha, deixa que vai ser produtivo amanhã o dia. Porque ela fica muito nessa... Quando ela, às vezes que ela paga, você não paga um sentimento? Não, não. Não.
1:36:31
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ela pagou e eu mais uma vez não consegui pagar? Não, não, não. Já teve isso daí, mas uns anos atrás. Agora eu não tenho mais isso não. Uns anos atrás eu ficava até meio receoso de sair com os lugares porque... Falar, puta, não tenho esse dinheiro não, mano. A gente vai gastar isso aí. Aí ela ia pagar e eu ficava meio constrangido mesmo. Daí eu vou falar a verdade. Mas hoje em dia eu não tenho mais isso não. Caramba. Mas quando você consegue pagar, você se sente um pouco mais...
1:37:01
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
A gente se sente e vê, né, porque você pagou a conta ali e tal, você fica tranquilo, né, mano? Mas a gente sai com um casal próprio daí que também a mulher paga a conta, o homem não tem o dinheiro e a gente vive normal, pô. Eu não fico mais nessa coisa de, ah, eu sou homem e a gente tem que pagar. Não tem isso mais.
1:37:24
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
É, um filme assim específico, se é que você gosta de filmes, como filme que você, se você gosta, você poderia falar? Ah, mano, eu já fui bastante de assistir filme, agora eu não assisto muito filme, não. Mas eu fico vendo aí, um filme que eu gostei agora tem a ver com autismo, mano. E foi o... Aquele lá, o... Acho que é atirador, mano. Atirador. Hum, eu acho que...
1:37:53
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E é o Snipe lá. Contador. Contador, boa. Contador. Agora eu procuro ver filmes assim, sabe? Que fala da vida atípica das crianças. Você identifica com o personagem? Não, não me identifico não, mas eu gosto da história, né? Que a gente vai vendo, assim, a história do cara que era um autista, mas o cara era um matador, pô.
1:38:23
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Era um matador de um grão, ninguém descobria que era o cara. Saiu dois dele agora ainda. E o filme lá, o que mais? E eu também... Tem uma questão no filme, você sabe dizer? Ah, eu gostei daquela parte que ele monta o quebra-cabeça de ponta cabeça. Aham, cara.
1:38:41
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E as contas que ele fazia também lá na lousa, tem uma cena lá que ele faz uma conta, nossa senhora, muito bom na conta. Mas a parte que mais me marcou foi essa parte do quebra-cabeça, que ele montou de conta-cabeça. Aí ficou faltando uma peça, ele deu uma desregulada e ele ficou nervoso, ele não achava a peça e a irmã dele achou e deu na mão dele.
1:39:04
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
ele colocou lá e parecia que nada aconteceu. Ele tem lá uma estratégia de, quando ele está ficando regulado, de regulamentar, né? Sim.
1:39:22
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Você e eu, todos nós temos algum tipo de mecanismo. Quando você percebe que está ficando nervoso e etc, nasciolo, tem alguma coisa que você usa como regulação ali para de alguma forma você ficar bem?
1:39:37
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Ah, eu prefiro ficar mais na minha. Eu fico mais quieto, mais isolado. Às vezes eu estou nervoso com alguma coisa, eu não gosto de ficar perto de ninguém. Gosto de ficar tranquilo. Gosto de ficar no... Eu tenho alguma coisa, alguma dúvida, alguma coisa, alguma preocupação. Eu tenho muita...
1:40:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
de ficar guardando pra mim, sabe? Eu não gosto de ficar falando muito, assim, tipo alguma dívida que eu tô. A Beth já até detecta. Ela falou, o que que cê tem, Jefferson? Não, não, cê tá estranha, te conheço. Falei, não, nada não, eu quero ficar na minha. Eu gosto de ficar na minha, ficar atrás. Não, mas pode falar. Não, não, eu quero ficar na minha. Depois eu falo. Deixa eu tentar resolver da minha forma, conquistar do meu jeito, depois aí eu falo. Não tem, tipo assim, alguma coisa que...
1:40:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Me regula, assim. Eu gosto de fazer mais ficar na minha, de boa, mais tranquilo. E também os filmes, assim, agora que eu tô querendo ver, que é o Mortal Kombat, né, que vai sair aí. Que é da minha época também, dos jogos, né. E eu gostava muito de ver comédia também. Se eu gostar de comédia, eu gosto. A Bete, quem fala assim, às vezes eu tô no Instagram, aí vejo muita coisa de comédia, só pegar meu carregador aqui com a bateria tá acabando.
1:41:03
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Gosto de ver muita coisa de comédia também, assim, sabe? Qual personagem que você goste mais? Era videogame que você jogava, né? Mortal Kombat? Qual que você gostava mais? Qual que você gostava mais? Dos personagens? Ah, dos personagens? Ah, mano, tem vários lá que eu gosto. Tem o Baraka, tem o Liu Kang, tem o Kano, tem a Kitana.
1:41:32
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Eu gostava de jogar. Jogava Tekringle Python. Quantos anos você tinha, mais ou menos, nessa época aí? Ah, 13, 14. E, tipo, algum deles você falava que queria ser ou imitava ou tentava copiar? Não, não. Assim, eu não cheguei nessa... Só gostava de jogar mesmo. Jogava, gostava muito. Videogame, futebol... Agora é o Fifa, né? A gente gostava de jogar bastante.
1:42:03
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
E Mortal, gostava de jogos de luta, né? Gostava de ter King of Fighters, gostava de jogar o Mortal Kombat. Aí os outros jogos na época, o Diego, acho que nem conhece o Atari, né? Você já ouviu falar, né? Já ouviu falar. Tô falando daquele lado, do Comic-Con, do Pac-Man. Pac-Man, eu vi. Chega a jogar Pac-Man. Tem até hoje aí, pô. Tem aquele jogo de carrinho, o Anduro, que era tipo o Gran Turismo, essas coisas aí.
1:42:33
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Caramba. Ô, Gerson, pra nós encerrar aqui, o que que você acha aí que nos seus relacionamentos te trouxeram mudanças, assim? O que você acha que você amadureceu aí com esse relacionamento aí, que mudou em você? Que se não fosse eles, você acha que não te mudaria? O meu relacionamento caiu aberto, você fala, né? Ah, me trouxe muito mais amadurecimento, porque, assim...
1:43:04
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Por mais que seja cinco anos de diferença, ela é mais velha, e eu também já estava com 21, já estava com a consciência de arrumar uma pessoa mais séria, né? Porque a gente na época arrumava muita menininha novinha e tal, que não tinha responsabilidade, a Beth já tinha uma responsabilidade.
1:43:28
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
tanto profissional como na casa dela, né? E aí isso daí foi me trazendo as qualidades que ela tem, né, mano? Tipo, assim, a única coisa que eu não peguei muito foi coisa de estudar, né, mano? Mas de ajudar o próximo, eu já sempre fui uma pessoa assim, e com ela só melhorou, né? E o que me trouxe mais consciência foi meu filho, né, mano? Eu sempre quis ser pai, né? E aí, depois que teve o diagnóstico do Bruno...
1:43:55
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Aí eu peguei e pensei comigo, mano, a gente precisa fazer alguma coisa pra ele ser apto à sociedade, né? Pra ele não ficar refém do amanhã, né, mano? Ele tem que saber falar, tem que saber socializar, essas coisas. Porque, tipo, que nem eu falei pra vocês aí do diagnóstico de eu ter DH, não sei se é autismo, essas coisas. Mas tem muita coisa minha que eu não vinguei na vida devido a isso também.
1:44:24
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Então eu não quero o que eu não quero para mim, o que eu não tive, eu não quero para ele, entendeu? E a minha esposa, só tenho a agradecer a ela, porque é uma pessoa de boa ídole, uma pessoa que sempre quis ver meu bem, é uma pessoa, é uma companheira, sabe? É uma pessoa certa mesmo na minha vida.
1:44:55
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Pai. Pai.
1:45:00
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Pode definir uma palavra pro meu pai? Meu grande amigo. Mãe. Ah, mãe é mãe. Mãe é mãe eterna. Mãe é mãe. Vó. Minha avó também não tem como falar, mano. Minha avó é o alicerce. Alicerce de... Meu vô... Meu vô também é meu grande amigo, meu companheiro. Foi uma pessoa de boa índole comigo. Mestre.
1:45:36
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
Bete, é gratidão. Uma companheira excelente. Seu filho? Ah, meu amor. Meu grande amor, minha vida. Jefferson. Jefferson? Vou te dizer o que eu posso dizer de mim. Ah, mano. Defina com uma palavra, Jefferson. Ah, mano, deixa eu ver. Puta aí, tá vendo? Chega em mim, eu travo, velho. Vou falar pra você, uma pessoa de boa índole, vai? Pessoa de boa índole.
1:46:16
S…
Speaker 3 (Entrevista Jeferson)
E você acha que tem alguma coisa, Gerson, nessa... Você está no coração aí que você gostaria de compartilhar ou você acha que foi tudo assim? Compartilhar que eu gostei de estar fazendo essa entrevista com vocês aqui. Entrevista, sei lá, não sei o que eu falo. É, entrevista. Gostei, assim, uma experiência boa porque trabalhando, falando com pessoas que são profissionais e...
1:46:46
S…
Speaker 5 (Entrevista Jeferson)
Até me abrir um pouco mais, né, cara? De falar assim, de socializar da minha parte, da minha vida, com vocês, é uma coisa gratificante. E eu quero que vocês... Jefferson, que aqui em nenhum momento era...
1:47:02
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Desculpe se o seu casamento está bom ou está ruim. Esse nunca foi o intuito, tá? Não, nem passou na minha mente isso. E não está investigando o casamento, se está bom, se está ruim. Se você é um bom marido, se pede uma boa esposa. Não tem nada a ver sobre vocês. Aham. E além do que você, de repente... Não, estamos aqui... É uma troca de experiência, né, Jair? Estamos aqui precisando relacionamento, tá bom?
1:47:29
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Sim, com certeza. ... entre um homem e uma mulher. Então, que há uma divigência, e em cima dessa divigência, onde nós estamos aqui do outro lado, levantando algum dado de pesquisa, dentro do que nós estamos confundindo. Não tem nada a ver sobre... O Jefferson não é um bom marido, o Jefferson não é um bom pai... Não, o que é isso? Mano, eu não levo isso daí para o coração de jeito nenhum, mesmo que fosse. Porque assim, quem está vivendo...
1:47:57
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
O dia a dia aqui sou eu, minha esposa e meu filho, entendeu? É óbvio que, assim, vocês profissionais podem dar até conselhos bons, dar alguma coisa boa, mas o dia a dia quem vive somos nós aqui, entendeu? Mas eu, mano, gostei demais. Se precisar fazer mais alguma entrevista, até presencial, eu vou, cara. É que da hora, né?
1:48:22
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Porque assim, já amadureceu muito, né, Jair? Já amadureci muito nessa fase minha com o meu filho, com a minha esposa. Minha esposa gosta de falar, gosta de dar palestra. Eu tô acompanhando ela. A gente se conhecemos lá na caminhada lá e tal. Então, pra mim é tranquilo. Se precisar fazer alguma outra live ou presencial, pode contar. E você? Você é um cristão, né?
1:48:48
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Cara, assim, a minha esposa falou, né, eu comecei a ir com ela pra igreja, tem uns três anos que a gente vai pra igreja. Eu não me considero um cristão mesmo, certo? Porque, mano, assim, tem, tipo, cristão não bebe, eu não sou de beber muito, mas quando tem alguma festinha eu bebo, sabe? Eu tenho companheiros, tenho uns amigos que não são muito legais, então você tem que se afastar de uma certa amizade. Mas eu tenho...
1:49:18
S…
Speaker 4 (Entrevista Jeferson)
Não entendi. Como você definaria Deus? Deus? Amor. Deus é amor.
1:49:26
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Deus é vida, Deus é tudo. E eu sempre acreditei em Deus, sabe? Eu sempre fui uma pessoa da minha família que era evangélico ou católico, mas eu sempre tive temor a Deus, mano. Eu nunca tive dúvida de Deus, porque sem Deus a gente não é nada, mano. Isso não é palavra de cristão, não é coisa de ideia, para colocar na ideia, mas eu penso desse jeito, a minha opinião é essa. Porque se você não tem Deus, cara...
1:49:54
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Sua vida não vai pra frente, irmão. Pode até ir de uma outra forma, só que...
1:50:00
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Você não vai viver em paz, não, cara. Entendeu? Mas, assim, depois que comecei a ir para a igreja com a minha esposa, tive meu filho, a gente vai mudando a consciência, sabe? A gente tem que ir melhorando as coisas, né? Menino, eu vou passar lá depois. Eu vou passar, não tenho tempo de ir lá a igreja de vocês. Eu vou passar em algum momento lá, talvez eu estou de passagem, que eu trabalho também na rua com o táxi. Eu vou deixar uma bola... O nome dele mesmo, seu filho? Bruno.
1:50:29
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Vou deixar lá pra ele, beleza? Beleza, pode passar lá. Vai lá assistir o culto lá, cara. Pra você ver lá é legal, pô. Uma igreja não é aquelas igrejas que ficam na mentalidade, não. O pastor é novo, mano. O pastor tem acho que 45 anos. Eu conheço, pô. Eu sou cristão. Eu frequento a Zai. Ah, então você entende. Você sabe como é que é. Ô, Gênesis, eu vou falar aqui minha parte, tá? Fica aqui minha gratidão. Agradeço a mim.
1:50:56
S…
Speaker 1 (Entrevista Jeferson)
Deus te abençoe para a família, para a casa e obrigado pelo seu tempo, tá bom? Eu sou muito grato pelo seu tempo aí, pela sua disponibilidade. Foi muito gratificante para nós aqui, inclusive para mim, essa troca de experiência e poder ouvir um pouco a sua história, tá bom? Fico muito bom. Beleza.
1:51:14
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Obrigado, Diogo. Obrigado a vocês. Valeu, fica com Deus, viu, Jair? Eu também. Vou agradecer aí, Jair, isso aqui é sensacional, sem palavras aí, sua vida tem muitos ensinamentos bons aí, foi muito bom, muito gratificante. Vai até além do trabalho, vai experiência de vida que eu...
1:51:32
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
Tô novão aqui, 22 anos. Começando aí. Então, muito grato, irmão. Que Deus abençoe você. Vai ser um grande profissional você, cara. Obrigado. Você transparece isso. Você tem uma cara de uma pessoa bem calma, bem tranquila. E vai pra cima que você vai ser um ótimo profissional ali. Obrigado. E com fé em Deus você também, com o tempo aí, no momento certo, Deus vai colocar no seu coração também. E você vai achar algum curso aí, alguma coisa aí.
1:51:59
S…
Speaker 2 (Entrevista Jeferson)
quando for o seu tempo, que você vai engajar, fé que vai dar certo. É isso daí. Obrigado, hein, pessoal. Valeu mesmo. Se precisar, só entrar em contato com a gente aí, beleza? Beleza. Um abraço, Gerson. Falou, Gerson. Ficar com Deus. Uma ótima semana pra vocês aí. Você também. Falou. Falou. Tchau.
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