Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording
May 02, 2026 14:32
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Nada não, né, gente? Pelo amor de Deus. Não, é só o áudio que vai ser usado. Mas mundo concreto, que é o que nós estamos construindo, é legal mesmo. Mundo concreto é um mundo versus o outro mundo. É uma exposição mundo material. Acaba que é uma coisa... Eu ia falar que é um...
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
uma exposição... Os trabalhos...
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de alguma forma falam sobre materialidade, mas acho que não é exatamente isso também, porque não é sobre a poética do concreto celular, sabe? Não é isso. Tem uma coisa de confundir a materialidade, né? Que eu acho que chama muito a atenção de o isopor que parece gesso, o concreto celular que derrete passa a parecer uma coisa mole quando ele é duro, né? Isso é uma das coisas que eu anotei.
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que essas ideias da contradição estão muito presentes nos trabalhos. É contradição, não exatamente contradição, mas é colapso de duas coisas em uma. Tipo assim, é a poça, uma poça que é feita de inox e que derrete, mas não derrete porque ela é de inox. Ou é esses encontros de coisas meio absurdas, tipo a caverna e o...
1:31
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
e o crânio. São coisas muito... parece que tem sempre esse colapso de duas coisas em uma. Eu tenho a impressão de que os trabalhos ficam fazendo isso. Ao mesmo tempo que eu também relacionei isso com a própria ideia de representação, meio de substituição, de apresentar uma coisa que não está lá através de outra. Sim.
2:01
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que... Eu penso um pouco os materiais como substitutos. O concreto celular não é o concreto, ele é um similar, um similar mais pobre, mais barato, mais leve. O isopor também não é...
2:20
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
uma matéria, ele não é pedra, ele não é osso, ele passa por aqui, são os materiais um pouco que simulam as coisas, assim, eu tenho um pouco essa impressão. Tem uma ideia de falsidade, assim. De umas matérias meio... Simulação. Não carregadas historicamente, sabe? Não carregadas socialmente. O isopor é uma coisa descartável.
2:46
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sem valor no meio de arte, é até o que interessa nele. Embora ele seja uma grande matéria de escultura, no Brasil tem carnaval, tem inteiro pedido de isoporto. Mas ele é uma matéria que passa por algo sem valor, descartável, não histórico, sem lugar social. Eu acho que o concreto celular faz mais ou menos a mesma coisa, uma espécie de matéria substituta. Agora, não o inox.
3:16
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Não o inox, não o aço carbono do banco quente. Essas são outras coisas. São matérias com história, com carga. Mas elas estão a serviço de uma construção de uma imagem meio abstrata, meio genérica, estilizada.
3:36
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A posta estilizada, o banco que é um banco standard, né? Ou aquele brilho que eu tenho naquele trabalho, aquele brilho feito de ginox também, né? São muito debitares da representação bidimensional, né? Sim. É, eu acho que a ideia de maquete também pode estar um pouco contida, assim, né? Que são trabalhos meio...
4:05
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
reduzidos nesse sentido, eles são econômicos, nessa ideia de representação que o João está falando, no sentido de que são bem diretos, tipo, é o banco vermelho, é o raio feito de um material só que deixa ver que material que é, tem umas substituições.
4:38
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É tipo materiais que ocupam lugares não muito pra qual eles foram feitos também, assim, né? Tipo, concreto, celular, tijolo, aí eu tô usando pra eles, pra ser esculpido, né? Ele faz um pouco a passagem pra mim entre a espuma, né? Esse material aerado, né?
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É um pouco a malha que recebe outros objetos. E aí o concreto celular é essa variação da espuma. No meu caso, acho que tem a ver com uma descoberta de materiais que me permite produzir imagens. Acho que no caso do João é um pouco diferente, porque acho que a imagem vem antes. Eu acho que a imagem vem antes também.
5:30
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E eu acho que, para mim, é essa correlação entre coisas, que uma coisa me leva para a outra. O concreto celular veio dos trabalhos com espuma, e a espuma veio do desejo de pensar uma malha, um grid, que fosse aglutinante das coisas despedaçadas que eu ficava fazendo.
6:00
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de materiais, de objetos, de formas. Então, ele é uma espécie de... O concreto celular, para mim, é uma espécie de fundo, de fundo para uma figura. E aí, claro, as imagens vão aparecendo, vão aparecendo enquanto eu consigo mexer nesses materiais. E que elas se repetem. Normalmente são imagens que vêm de um corpo.
6:33
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de uma mudança de estado físico da matéria, ou de processos de transformação, o trabalho do tubo também é meio uma coisa que tem uma estrutura por onde passa alguma coisa que se acidenta. Então, tipo, não sei, eu acho que os processos de criação são muito diferentes, mas eles encontram imagens parecidas que eu acho que, ou que dialogam.
7:04
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que eu acho que, no fundo, tem um interesse um pouco desse corpo material, ou do corpo como alguma coisa que produz materialidade também. Tipo, um banco quente é muito um corpo também, é uma espécie de ser vivo ali que está emanando calor. E eu fico pensando muito no banco quente quando você senta no banco que alguém acabou de levantar.
7:34
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
e você pega um pouco o corpo da outra pessoa ali, tem uma espécie até de agonia, assim, meio... Aquilo ali não é o corpo, não tem nada, não tem fluido, não tem nada, mas tem um calor que ela perdeu ali. Residu, né, daquele corpo. Residu e que você meio que... É muito... E você acaba...
7:57
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sentindo, pegando, roubando de volta o calor dela. É muito espiritual nesse sentido, mas é muito material, energético. Não é um espiritual metafísico. Acho que isso também está na exposição, que é todo um espiritual matérico. Coisas que ficam no ar. Acho que é esse jeito muito específico de lidar com essa ideia de...
8:26
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de morte, que na verdade é uma mudança de estado, uma passagem de um estado para o outro.
8:33
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Por isso eu acho que fica também essa dúvida no título, se isso vai apontar mais para essa ideia de morte ou se vai falar mais sobre essas transformações, essas instabilidades que tem na exposição, de uma coisa que nunca pode ser completamente congelada, porque ela está derretendo, ela está esquentando, esfriando.
8:55
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E que eu acho que também tem essa noção do fantasma, né? Da coisa que estava ali e sumiu e deixou uma marca, né? Eu não sei, eu acho a ideia de pensar essa ideia de mundo dos mortos como uma, na verdade, tipo, uma fronteira entre o quão vivo e o quão morto a gente está quando a gente está vivo, quando a gente está morto. Tipo assim, qual que é o limite?
9:33
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
dessa não vida, uma coisa que não está viva. É uma coisa que eu penso muito, o tempo todo. Talvez a minha imaginação do mundo dos mortos venha de pensar, na verdade, essa fronteira entre vida e morte, mais do que nessa representação exatamente da morte.
10:01
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu estou pensando, eu acho que para mim a relação com esse tema é um pouco mais, muito mundana, sabe? Pensei mais nos objetos mesmo, eu não sei, é menos reflexiva nesse sentido, de o que se pensa do limite com a morte. Eu não sei, o primeiro desenho que eu fiz de trabalho para essa exposição era um...
10:30
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma mesa em que tinha representações de elementos, como se fossem elementos químicos. E como se houvesse uma decomposição de um corpo em formas elementares. Então tinha ali uma pirâmide, um cubo, uma bola, cada um de uma cor, cada um desenhar com uma textura diferente.
11:00
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Estava pensando muito materialmente na morte, se é que eu estou pensando em morte, mas muito materialmente no sentido de desmontar analiticamente o processo de decomposição ou desmontar analiticamente o corpo ou o que se pensa do corpo como um composto químico, atômico.
11:28
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que é mais nesse sentido também que eu estou pensando, como é que você separa, como é que você tira a morte de uma palavra e coloca ela e decompõe mesmo em partes. A gente começou pensando, eu comecei pelo menos pensando a exposição.
11:56
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma coisa assim, se eu fizesse uma exposição de esculturas no jardim, de esculturas que são meio totêmicas e que parecem um pouco objetos memoriais ou lapidários e tal, isso colocaria a galeria numa situação institucional que ia remeter a um cemitério.
12:21
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E aí eu pensei, como seria fazer um funeral dentro da galeria para completar esse círculo simbólico, ritualístico? E, obviamente, eu pensei, nossa, mas a gente está realmente numa situação... A gente entra em relação com algumas exposições que você observa obras de arte como se fosse um...
12:45
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
algo cadavérico mesmo, alguma coisa ali que se encerrou e que você está ali olhando aquele pedaço de coisa meio morta, como são alguns objetos de arte. E eu acho interessante, as pessoas criticam a ideia de que o objeto de arte, tem muito texto que fala sobre isso, arte, essa coisa morta, que está museificada, que está no museu e que não tem relação com a vida. E eu não sei, de alguma forma, eu acho interessante esse lugar.
13:18
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sem vida do objeto artístico, sabe? Quando ele é uma coisa inerte ali e que ele não precisa agir, sabe? Que ele vai produzir imaginação só, assim. Brinquedo dentro da caixa. É, é uma coisa que é tipo isso, assim, não tem agência em si, sabe? E...
13:43
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que, nesse sentido, a exposição começou com uma ideia de morte que era muito simbólica. Aí o João trouxe, e eu ficava imaginando como seria fazer um funeral dentro de uma galeria, como seria um trabalho que jogasse com esse tipo de ritual.
14:10
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que pudesse fazer uma correlação entre espectadores e convidados de um velório, assim. E depois os trabalhos, claro, foram aparecendo, cada trabalho em si começa a trazer o elemento novo, né? E aí, aí sim, eu acho que, por exemplo, entre o crânio, o crânio...
14:40
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o banco quente perto de um crânio, perto de um lápide, o banco acaba virando uma espécie de lugar onde as pessoas poderiam sentar para ver lá. Eles vão ganhando novos arranjos. Eu acho que é isso que vai acontecer na exposição.
15:00
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que de repente vai ter um arranjo onde a gente vai ver esses pedaços criarem diálogos. Eu estou falando muito, gente, desculpa, estou muito cansada e eu perco a linearidade, tá? Eu estou pensando aqui como a escultura como uma coisa inerte.
15:29
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E acho que tem mesmo um tanto de inércia. Inércia é legal nessa palavra. Ela é muito legal. Ao mesmo tempo que ela é uma coisa que remete à coisa parada, ela também remete à coisa inconstância de movimento. Ela é dupla. Eu acho muito maravilhoso esse conceito da física.
15:54
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu estou pensando nessas energias que a gente está fazendo correr dentro de alguns trabalhos. No calor do banco, no frio e condensação da poça, na projeção da animação no crânio, na luz, no seu circuito que passa o pavio queimando dentro e vai marcando as coisas. Mas eu estou pensando que essa energia que passa por vida,
16:24
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
por animação desses trabalhos, na verdade ela também é limitada, contida e simulada. Ela não é do trabalho, ela é adicionada, ela é artificial. Então também tem algo ali que fala de animação viva e que na verdade não é. Também é morta, também é pausa, limitada.
16:56
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que acho que faz essa coisa que eu acho que o meu trabalho faz algumas vezes, que é ficar oscilando entre a representação de uma coisa e a própria coisa. Então é um banco quente que está emanando energia, mas ao longo do tempo é um banco que foi construído um sistema de serpentina dentro que emana calor, que aquilo é limitado, tem que ligar na tomada, vai até uma determinada temperatura, que não há...
17:22
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma vida de fato. Sim, não é nada ali muito natural, né? Não, é mecânico, né? É um funcionamento mecânico, assim. Então ele fica passando da representação e, portanto, a projeção feita a partir da representação que as pessoas têm experiência no trabalho e voltando para o sistema mecânico, para a coisa em si, assim.
17:49
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E eu acho que os trabalhos dessa exposição muitas vezes fazem isso. Esses trabalhos que emanam energia de alguma forma parecem fazer isso. Está neles o limite dessa energia muito claramente também. Sim. Eu acho que a coisa da animação está muito presente. Alguma coisa que é disparada ou animada.
18:18
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que traz o elemento da duração dentro de trabalhos que são muito estáveis. Não é a performance, não é exatamente um vídeo, mas o teu filme, a tua animação é contínua, ela não tem... Ela é parada também. De alguma forma, ela é parada.
18:45
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A pólvora também faz um caminho ali, é narrativo, mas ele não produz narrativa que estaria mais associada a uma performance. Então, a ideia de temporalidade também está aí. Eu tenho dúvidas disso, se não tem uma performance ali. Você falou da outra vez. De acender o pavio, enfim, não sei.
19:15
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A gente tinha aquela história de fazer uma churrasqueira, lembra, no começo? Uma churrasqueira que teria o formato da galeria Mari Matsumoto. E a gente faria um churrasco na abertura. E acho que uma das coisas que, além da literalidade da coisa, da casa pegando fogo e tal, mas uma das coisas que me fez sair disso foi o caráter performático de ficar ali fazendo um churrasco. Que eu acho que não era bom.
19:45
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
para mim. Desconfortável também, claro. Eu entendo a coisa de que pode ser performático, mas, na verdade, eu penso mais como uma ação, porque, claro, eu preciso de um disparador.
20:02
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas essa ação é como se fosse um abandono da ação para o próprio objeto, como se fosse ligar o objeto. Acho que tem formas de fazer isso parecer mais ou menos performance. Por exemplo, se eu acendesse essa pólvora de um outro cômodo, onde não aparece...
20:28
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Onde não aparece a ação de ligar, ela simplesmente entra dentro da sala. É bom que os tubos vêm lá da sala da Marli. Quem acende, seja ela lá. A Marli lá na casalinha dela vai lá e acende. A Marli com fósforo na mão. E longe de todos os espetadores. E de repente esse fogo chega sozinho.
20:56
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, ao mesmo tempo, eu acho que esse trabalho, assim como outros, eles reconfiguram alguma coisa nesse espectador, né, assim, esse trabalho específico do...
21:07
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
não sei se ele ainda chama CineTubo, ou se ele já ganhou outro nome, que até dá esse nome de sessão porque tem esse magnetismo de olhar essa coisa acontecendo. Eu acho que outros trabalhos também têm, como essa ideia de ver esses...
21:28
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
esse vapor saindo por esses pelos, né? Ou olhar esse vídeo em que quase nada acontece saindo de dentro desse crânio, né? Acho que tem algum fascínio nessa estranheza e que muitas vezes essa... quase essa ideia meio do estranho familiar, né? Porque todo mundo já viu fogo, todo mundo já viu todas essas coisas, mas elas deslocadas ali, elas criam essa...
21:54
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Esse fascínio mesmo, essa atração, essa postura corporal mesmo. Eu fico muito imaginando como as pessoas vão se comportar quando elas perceberem que aquele banco, na verdade, ele esquenta. Eu imagino que muitas vezes elas vão sentar rapidamente e levantar com susto. Eu acho que também tem um pouco essa camada de um...
22:18
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
terror, de uma agonia que tem na exposição, que eu acho também relacionado com essa ideia de morte, né, assim, olhar essas esculturas totênicas aí que tem essa aparência de lápide num quintal, é uma coisa meio agoniante, né, meio angustiante, assim como perceber que um objeto inanimado tem vida, né, tem alguma, essa marca de vida que é o calor, né.
22:43
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
ou essa mancha, né, que tem também uma vida negativa, que é do frio, né, acho que esse aspecto um pouco desse terror da exposição, que é e não é ligado à morte, que também me interessa, assim, um pouco, que eu acho que tá e não tá em outros trabalhos de vocês. Você acha, eu não tinha pensado ainda nessa palavra, o estranhamento, o estranho, né? Você já pensou nisso, João? A estranheza?
23:14
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Quando eu estava começando a trabalhar, assim, lá na década de 90, assim, isso era uma onda, assim, o estranhamento. Tinha uma história do Ostraneni, que era um texto de um filósofo russo muito bacana, eu fiz o olhar ali depois, que tinha a história do trabalho de arte ser lugar do estranhamento.
23:40
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
da coisa que não se completa, da experiência que não se completa, que não se devolve materialidade plena. Durante muito tempo pensei nesse sentido. No começo da produção, que eram os móveis, mais ou menos um mobiliário. Depois foi se perdendo. Como discurso, mas no fundo como ambiência.
24:12
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu diria hoje que o seu trabalho tem mais estranhamento do que o meu. Eu estava pensando nessa história das lápides que a Erika falou. Eu acho que essas lápides ali no jardim são, entre aspas, mórbidas, mas elas também são fazendo lápides no jardim da galeria, muito objetivamente, claramente.
24:34
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, lápis que são esculturas, que têm representações, sei lá, de gotas, de escorrimentos, de ovo, e que também são muito diretas as representações, muito sem firula, assim, sem... Eu estou fazendo as coisas de um jeito mais material, assim, mais mundano mesmo.
25:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que o seu trabalho tem mais, nessa exposição, acho que tem mais mistério do que o meu. Porque, na verdade, eu estou pensando em três trabalhos ou quatro trabalhos, é meio isso. Que são o banco quente, o crânio com a projeção da animação da caverna, a placa com os pelos gravados, que talvez tenha fumaça, talvez não, eu ainda não decidi.
25:35
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E aquele trabalho do brilho, com os quebra-cabeças. São cinco. Quatro. O do suéter na janela foi... O suéter, eu não sei o que fazer, porque ele vai ficar muito como uma exceção, eu acho.
25:58
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que formalmente talvez sim, mas ele enquanto corpo, o corpo aparece ali também. Esse corpo ausente, esquisito, colado muito na arquitetura, como se fosse emparedado. Eu acho que ele é um pouco isso. Só se o trabalho dos pelos já não faz um pouco isso, sabe? Já não faz o corpo...
26:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que sobrou só a queratina, sabe? Uma coisa assim. Sei lá, acho que ele é uma possibilidade. Eu acho que muita coisa a gente vai decidir na montagem, né, Maiana? Sim. Hoje a impressão é que eu tenho que ter muita coisa. Eu também fico muito em dúvida do que vai acontecer com... Eu acho que tem uma diferença muito grande entre as esculturas, as minhas, e entre elas...
26:52
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
tanto formalmente quanto materialmente, eu acho que no fundo o que vai ligar os meus trabalhos é um pouco esse diálogo de estados, o ovo que ainda vai nascer, é mais talvez de representação do que a coisa é, do que esse diálogo visual, e eu tenho um pouco de receio do que pode acontecer, pode ser que fique muito desconexo, sabe?
27:19
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O tanto de material que tem, tem inox, tem alça galvanizada, tem concreto celular, tem pólvora, tem acrílico. É uma, realmente...
27:31
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas eu acho que é um arsenal que está meio dentro desse vocabulário da coisa muito industrial, né? Acho que os dois têm um pouco essa coisa em comum, assim, de ser esse material muito impróprio, aparentemente, à primeira vista, assim, para a arte, porque, como o João falou um pouco do Isopor, esse material que ele não tem muito esse gesto humano aparente, essa história, ele não tem esse carregado, né, assim, de...
27:57
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de uma vida, né? Parece que ele todo foi feito por máquina, né? E eu acho que essa também era uma coisa que sempre me vem na cabeça quando eu penso no trabalho de vocês, acho que especialmente esses, que eles têm essa relação com as máquinas, né? E com essa ideia de saber, técnica e tecnologia, que eu acho que vocês ficam...
28:20
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o tempo todo mobilizando essa técnica e a tecnologia, mas no sentido meio do absurdo, da coisa que não servia inicialmente para aquilo, e que é um desenho que é da coisa eficiente, é do design industrial, do manual, mas que ele não se concretiza com esse fim inicial, ele escapa para um lado da ficção, da fantasia, da ilusão.
28:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que, Maiana, essa sua preocupação com a variedade de materiais, assim, eu acho que todos eles já estão dentro do seu trabalho. E, de algum modo, todos eles já são quase a mesma coisa, sabe? Eu tenho um pouco essa impressão. Eu sou uma consumidora de produtos da Libero Badaró, São Paulo, Mercado Livre.
29:21
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu sou, tipo assim, artista que faz trabalho com financiado, patrocinado pelo Mercado Livre. Impressionante. Entrega amanhã. Exatamente, entrega amanhã. Sempre nas vitolas que já existem para não me dar problema. Nada é sob medida, é tudo o que já existe. Eu acho que isso é um dado, um pouco, talvez, que as pessoas sabem um pouco.
29:49
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É muito raro que eu mande produzir alguma coisa sob medida. Porque não dá tempo.
30:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então, dos tubos de acrílico, que eles são essa coisa mais... Ele é industrial, mas ele é esquisito, porque ele não é feito nesse material comumente. Sim. Mas também nessa exposição, os dois trabalhos de metal são produzidos sob medida, né? Sim. Essas são, acho que são as duas primeiras esculturas que eu faço encomendadas. Eu nunca fiz, assim.
30:29
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que tem uma parte do meu trabalho que eu gosto, que é ter uma regra de início. Por exemplo, existem tijolos de 60 por 20 por 30. É a partir deles que eu vou trabalhar. Então, o fato de que eu tenho um dado limitador que me ajuda a começar o trabalho.
30:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então, a ideia de empilhar esses tijolos, fazer uma lápide, diferente de eu, tipo, não, posso ter esse tijolo de qualquer tamanho, fazer qualquer figura dentro dele, assim, né? Então, o fato dele realmente ser um muro, né? Assim, a lápide é uma lápide, mas poderia ser um muro, poderia ser uma parede. Se eu crescer isso e começar a esculpir nessa parede, é uma parede imensa que vai estar toda... Tipo, ele está num lugar meio de uso também, assim.
31:25
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ele não está completamente independente do seu uso para qual ele foi destinado, esses materiais. Talvez por isso eu me interesse também pela coisa das tubulações, desse mundo material e infraestrutural, que eu me interesso mais do que os materiais da arte em si, tradicionais.
32:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E daí que eu acho que o trabalho do João vai exatamente no sentido oposto. É, eu tô pensando aqui, ouvindo isso, assim, um pouco vai, outro não, assim, né? Eu tô pensando em matérias, materiais, sei lá, uma associação com coisas da língua inglesa, assim, mas contáveis e não contáveis.
32:31
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que tem uma coisa de escala, né? Você está usando tijolo celular, concreto celular, ele vem num bloco, aquilo ali vai se trabalhar a partir daquelas medidas, mas se você construir uma parede e for aumentando a escala disso...
32:45
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o bloco se perde um pouco, né? Você passa a ter uma matéria que é meio infinita. Quer dizer, infinitos blocos de concreto celular para ser acumulados e fazer qualquer outra coisa. É uma célula, literalmente, né? Isso. E aí, nesse sentido, ele é incontável. Ele passa do contável para o incontável. Eu penso assim, por exemplo, o isopor. O isopor é uma espécie de matéria infinita, assim. Posso trazer mil blocos e fazer o tamanho que eu quiser, mas... Por exemplo, no crânio que eu tenho esculpido agora...
33:14
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O isopor tem PU, que é usado para colar partes, aparente. Significa que tinha um volume ali que não era suficiente. Fui adicionando partes com o PU e aquilo está ali. Não apaguei o PU, ele vai ficar visível no trabalho. Então, isso também fala de que o trabalho não é o elemento do tamanho. Eu posso usar o bloco industrial do isopor. 4 metros e pouco, por 1,20, etc.
33:41
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas eu posso também ir ficando e colando. Isso acho que é uma coisa interessante também de pensar, porque eu acho que tanto no meu quanto no seu trabalho a gente tem um certo interesse por deixar aparentes certas falsidades, não é falsidade, mas deixar aparente a ideia de montagem, dá para ver na escultura.
34:14
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que a ideia de escultura é uma coisa única, de uma coisa inteira. Ela não aparece, porque tudo está meio à mostra, de alguma forma. Eu acho que no teu trabalho, Maiana, é muito legível o caráter modular.
34:37
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que você vê as lápis, elas têm as linhas, a divisão dos blocos, você vê essa parte inteira do cinetubo, quer dizer, é tudo muito, muito legível. Acho que você se interessa por essa grelha, como você usa os trabalhos da grelha, ela é modular. Há uma modulação que te interessa que seja visível.
35:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que isso é parte do processo um pouco, de se fazer e ir adicionando, diminuindo. Sim. Eu acho que você já pensa ele mais inteiro, né? Mas ao mesmo tempo você não, vamos dizer assim, não esconde 100% as coisas. Dá pra ver, por exemplo, o uso do próprio material, do isopor, como uma coisa...
35:27
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Você não vai querer revestir de outra coisa. Aquilo que a gente estava falando outro dia, que é quando a coisa tem uma fronteira entre ela querer ser muito perfeitinha e não alcançar aquela perfeição, ela fica ruim. Então, é melhor que a gente deixe ela nesse lugar só do esqueleto mesmo. Você olha para o esqueleto e já consegue ver que aquilo é um corpo. Mas aí, se você quer fazer...
35:55
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o corpo inteiro, aquilo pode ser que peque por uma incapacidade de alcançar aquilo. Essa mão pesada que você tem que saber a hora de tirar. Mas eu entendo, acho que os seus trabalhos nascem mais inteiros. Os meus realmente vão acontecendo por...
36:24
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
adicionar partes, assim, né? Que eu acho que é o pensamento, justamente a ideia que você falou do possível infinitude de trabalho, assim. Ele pode continuar para sempre, né? Tipo, se eu quiser transformar a lápide num muro, eu posso. Se eu quiser transformar o muro num cemitério, eu posso. Se eu quiser transformar o cemitério numa cidade, eu posso. Tipo, a coisa pode ir.
36:51
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
infinitamente crescendo, porque ela não tem exatamente início e meio-fim. O cine do cubo pode passar pela galeria inteira, pode sair pela cidade. É realmente uma ideia de uma duração eterna. E os seus trabalhos têm limite. Eles têm o limite da forma, eu acho. De alguma forma, a imagem segura.
37:20
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
a continuidade do trabalho. A animação acho que faz isso, né? A animação pode ser eterna ali no vídeo. É, mas é um eterno... É um eterno pequeno, assim. É, fica virando uma coisinha ali. Não sei. Isso é muito legal, essas coisas de falar de duração, de instante ou eternidade. Qual a diferença entre instante e eternidade?
37:52
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O inferno, nas literaturas sobre o inferno, tem muita descrição sobre isso. A eternidade é um castigo. Então, que tipo de eternidade você vai ganhar quando você for para o inferno é o seu castigo. Exatamente. Que tem a ver com essa inércia também, de repetir eternamente essa mesma coisa. Eu estou pensando na animação aqui da caverna, que é um loop.
38:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
nesse sentido infinito, mas que é um loop meio falido, assim, que tem uma falência, essa coisa fica só repetindo a mesma gota caindo, sabe? Que é uma espécie de loop triste, assim, sabe? Que é o mesmo tempo pensando que não é a repetição do sísifo, né? Que tem aquela coisa do esforço, aquela coisa... É uma coisa muito mais...
38:53
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É não heróico, né? É não heróico. Muito menos heróico do que essa ideia de repetição do esforço, né? Desse esforço. Eu acho que o meu trabalho já tem um interesse pela figura da tragédia, do trágico, assim, e do heroísmo, que também não acho que é um herói comum, assim.
39:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas tem um drama, né? Eu acho que é mais dramático. Acho que sim. Um drama compositivo, inclusive, né? De composição, assim. É, eu acho que sim. Eu acho que entre gotas se formando na superfície, giro derretendo dentro, os estados se transformando, eu moro como aquilo vai acontecer, vai escorrer, não vai, vai impulsar no chão.
39:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tem muito mais drama do que um banco que emana continuamente.
40:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
a quantidade de calor. Sim. E é ali que tem uma espécie de sutileza do acontecimento. Não é sutileza, essa palavra é ruim, mas não tem pico, não tem ápice. Não tem pico. E essa é um pouco a diferença mesmo da tragédia, da ideia de tragédia, é que ele tem uma ação que modifica o Estado.
40:32
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A própria ideia de catástrofe é isso, né? Você tem um momento em que aquilo não volta mais atrás e se transforma completamente. Então, é tipo uma hora que o gelo derreter, uma hora que aquilo lá acaba, assim, né? É, e no dia seguinte você vai lá, congela de novo, começa tudo de novo. A pólvora também, né? Ela vai fazer ali aquele show meio pirotécnico, apesar de você não ser, né?
41:03
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma coisa que marcou muito a minha imaginação foi... Vai parecer meio absurdo isso, mas foi um... Eu fui no... Agora fiquei com vergonha de falar. Mas eu fui no Beto Carreiro... Aê, beleza! Podia estar falando qualquer circo. Em 2022. E foi muito engraçado, porque foi engraçado. Foi muito doido. Foi, assim... Muito pouco...
41:39
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tempo... Foi logo depois que meu pai faleceu. Eu fui porque a gente estava num período de férias, eu encontrei com minha irmã e uma amiga, e a gente estava naquele assim, vamos fazer coisas para levar o Romeu, meu sobrinho. A gente foi no Beto Carreira. E aí a gente assistiu um show do Hot Wheels, dos carros, que era um espetáculo dos carros fazendo malabarismo.
42:07
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E foi uma das coisas mais absurdamente emocionantes que eu vi nos meus últimos, tipo, a coisa mais reaça que tem, assim. Só tinha a família Bolsonaro lá. O Bolsonaro participou do show. Ele foi lá durante o governo dele, que estava, claro, com bastante tempo livre. Foi lá, entrou num desses carrinhos, desses carros, e ficou dando pirueta. Teve esse evento importante para a condução do país.
42:36
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Incrível. Eu sabia que ele assistia, mas não que ele tinha dirigido um Hot Wheels. Ele não dirigiu, acho que ele foi de carona. Mas eu lembro que isso foi uma coisa que me marcou de uma maneira. Eu nunca experimentei nada parecido, porque eu não sou uma pessoa que vai em estádio, por exemplo, de futebol. Eu gostaria de ir para entender, mas eu não fui muito socializada no mundo do futebol. Então, não está dentro de mim, sabe? Eu vou mais, eu acabo vendo a coisa de fora.
43:08
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Agora, quando eu cheguei lá e vi isso, esse show pirotécnico de carro, fumaça, e eles... É tipo uma corrida? Como é que é isso? Imagina o... Como é que eu posso dizer? Sabe esse pessoal que faz show com bicicletas e... Globo da Morte. É um Globo da Morte, só que é com carros.
43:38
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então é uma coisa muito absurda. Mas é no circuito fechado? Você vai num lugar que é tipo uma arena gigante, que tem uma pista de carro com rampas, e eles começam a dar pirueta, cavalinho de pau, tacar gasolina, tacar fogo, e é uma coisa assim, que você fica numa adrenalina absurda, porque você aumenta a escala do perigo, sabe?
44:04
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E é literalmente a coisa que talvez a gente... Eu fiquei pensando onde a gente experimenta isso. Talvez o sentimento de catarse do teatro antigo tinha a ver com, claro, principalmente as cenas de morte, que às vezes aconteciam de verdade. Como é que se experimenta esse sentimento de...
44:35
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
trágico, assim, e que hoje a gente, claro, transporta isso para outras experiências, assim, né? Mas, que eu acho, por exemplo, futebol é um deles, né? Você experimenta a catarse. Eu acho que na arte a gente não vive muito, não é um lugar mais para catarse, assim, né? Mesmo as performances não são coisas que você fica...
45:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tipo, meu Deus, eu acho que o cinema ainda tem isso, o filme de ação, essas coisas que te colocam num estado completamente de drama mesmo, sabe? E aí eu me lembro que eu saí do Hot Wheels e pensei, meu Deus, como eu posso ter, como é que eu posso dizer que eu não gosto disso, sabe?
45:25
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu posso não gostar desse ambiente, eu posso não me identificar com essas pessoas, mas o que ela produz em mim, o que ela efetivamente produziu em mim, foi algo de uma mudança profunda de estado psicológico, ou sei lá, de estado de experiência sentimental com o mundo.
45:51
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que talvez tivesse a ver um pouco com a experiência que eu tive com meu pai, da morte dele. Eu estava tentando simbolizar isso, por isso que eu fiquei tão interessada. Por que eu estou falando isso? Estou falando isso por causa do interesse pela tragédia. Como é que isso aparece como um interesse... Como é que isso aparece no trabalho, de alguma forma, eu acho.
46:31
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A diferença entre uma gota pingando eternamente, uma ação meio falida, e uma pólvora que também não acende nada, ela não explode nada, ela só caminha e faz um caminho. Então, qual é a diferença dessas duas coisas? Uma tem mais tragédia do que a outra, apesar de que ambas são falhas. É, uma pólvora que se volta...
47:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Para si mesmo. Para si mesmo, exato. Serve ali para ser pólvora acendendo. Ela não aumenta a escala, a própria escala. Ela não vai num crescente que depois gera... Talvez essa explosão final. Ela talvez esteja ali um pouco como uma intenção, tipo assim, isso poderia explodir se tivesse ali no final uma...
47:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma bomba, né? Mas a bomba não tá ali, assim. É sem clímax, né? Sem clímax, isso. O clímax é o acendimento, é o circuito. Eu acho que é a diferença, que ambos são sem clímax, mas acho que a minha, o meu é uma tragédia sem clímax, né? O seu talvez não tenha a tragédia, assim. Acho que não.
47:52
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tem um silêncio, né, assim, dessa coisa contínua, ao mesmo tempo que as construções das estalagnites e estalactites também são desse ritmo lento e contínuo, né, que tá aí, que eu acho que tem no trabalho do João do modo geral, assim, né, da coisa que fica ali silenciosamente, e que eu acho que se reflete muito nessa coisa que ele falou de não querer fazer o churrasco, né, assim, de não querer...
48:19
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
chamar esse tipo de atenção, mas de uma coisa que possa ficar lá acontecendo, convivendo com as outras, sem que tenha esse tipo de palco. Acho que isso tem a ver com uma relação, a gente pode até pensar na história da arte, esse problema do...
48:41
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
da teatralidade, assim, né? Eu acho que o trabalho do João é muito antiteatral, apesar de ser uma coisa de cênico, de ser cênico, assim. O antiteatral é que ele não está se mostrando, assim, né? Tipo, não reúne as pessoas... Acho que parece que tem uma certa... Agora eu quero fazer um papel de leitura de trabalho, mas... Certa indiferença com o público, assim.
49:13
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que eu acho que faz você achar estranho ficar assim, tipo, ah, não, se eu tiver que fazer uma ação onde vai reunir todo mundo pra assistir, a gente coloca o trabalho imediatamente numa situação de teatro, de teatralidade. E eu também, né? E você também. E que é uma coisa que pra mim também eu tenho dificuldade, porque eu acho muito difícil esse lugar do espectador de arte de estar no...
49:43
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas, de alguma forma, esse espectador me interessa, porque eu estou pensando qual é o espectador que está velando um corpo, ou que está olhando um objeto de arte. É uma coisa que passa pela minha cabeça quando eu penso esse trabalho.
50:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
trabalho na arena pública. Para mim, o churrasco funcionaria se ele acontecesse sem pessoas, sem ninguém fazendo churrasco. Acho que as coisas funcionam muito na esfera da imagem para mim, da imagem mental.
50:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que é isso, a escultura do crânio é uma escultura, ela tem todas as marcas da sua construção, tem a discussão sobre aquela matéria, aquela matéria sem valor, aquela matéria infinita, aquela matéria descartável, tem a representação desse elemento central na humanidade do crânio, tem o memento mori, tem mil coisas que podem ser associadas ali. Mas a hora que você liga a projeção...
50:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
aquilo vira imagem de crânio e a proteção é que passa a ser o que está acontecendo de fato. Então, eu gosto disso, eu gosto de um trabalho que se põe como escultura e depois ele se anula como imagem, de certo modo. Não sei o que eu estou falando disso agora, mas... A ideia de teatralidade, de que a coisa serve para ter uma ativação também.
51:28
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu também tenho conflito com isso. Esses trabalhos com duração, com temporalidade, para mim, eles me colocam bastante em conflito, porque eu não penso em performance, nunca pensei em performance, sempre pensei em objeto. De repente, os objetos começam a aparecer na imagem também como alguma coisa que gera duração, durabilidade ou algum tipo de ação.
52:01
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que, no fundo, esse é o primeiro trabalho. O YouTube é o primeiro trabalho que eu faço, que eu apareço. Acho que eu nunca fiz nenhum trabalho em que eu precisei estar presente no acontecimento dele. Embora o seu trabalho tenha muita manualidade.
52:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O processo dele é um fazer ponto a ponto, é um fazer que vai descobrindo a solução, o caminho, a forma, o material. Eu acho ele um trabalho muito pessoal, pessoalizado. Sim, tem muito processo e tem muita identidade, talvez, também, das formas.
52:46
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
das formas e dos materiais. Você estava falando disso de uma diferença, muitos materiais diversos nessa exposição, e eu te falei, acho que não, acho que eles são a mesma coisa. Acho que o trabalho tem uma linguagem mais consolidada, de operações de linguagem dentro de um determinado repertório, que vai se esplendindo, vai puxando outras coisas, claro, mas acho que ele rebate muito em termos de linguagem internamente, sabe? Sim.
53:17
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E o meu trabalho acho que vai em uma direção um pouco oposta, assim, porque o cara trabalha uma história completamente diferente e cada um vai achar um material diferente, um caminho diferente. E eu acho que o que é coeso no trabalho, no meu trabalho, todo aqui, né?
53:37
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o que eu acho, sei lá, mas é uma espécie de natureza das operações, que também é super difícil de definir, de nomear, e talvez não seja o caso de nomear, porque esse é um esforço do que, afinal de contas, de secar, de esvaziar, de abrir mão, de certo modo, de matar, mas eu tenho a impressão que é isso, que é um pouco uma natureza
54:08
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A natureza do pensamento que vai andando, sabe? É quase... Por isso que eu digo que ele funciona mais em termos de imagem, assim. Eu penso os trabalhos mais a partir da imagem. Sim. Porque eles são mais projetivos, nesse sentido mais abstratos, menos materiais. E curiosamente eles se consolidam materialmente, como escultura, como coisa.
54:30
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
com o corpo físico no espaço. Não sei. Eu acho que são trabalhos muito diferentes. Muito. Mas ao mesmo tempo eles têm esse contato muito grande. Eu não sei na natureza das coisas representadas, na proximidade. Eu estou fazendo um trabalho que está...
55:00
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
falando de uma coisa que você já fez, e você está fazendo trabalho de uma coisa que eu já fiz, sabe? Ah, tem o raio, tem o calor, enfim. As coisas estão muito se encontrando um pouco sem querer, né? Sim. Eu acho que talvez o que liga, não sei, posso estar chutando aqui, mas talvez o que liga seja um pouco um interesse também pelo desenho, assim, né? E por essa ideia...
55:30
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
do mundo como uma coisa que pode ser desenhável, em termos de pensamento. Eu também acho que as operações são diferentes, mas o desenho também aparece no meu processo de construção das coisas. Não exatamente com interesse de linguagem. Tipo, a discussão do desenho. Nunca consegui entrar nessa discussão da linha.
55:59
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
da qualidade da linha, da materialidade da linha, eu nem sei, eu nunca mostrei em desenho, porque eu estou pensando, mas assim, eu preciso para pensar, eu preciso desenhar, assim, e as imagens aparecem nessa tradução, então, imagem mental, né, depois, claro, depois isso vai sendo, eu vou encontrando os materiais para isso, mas, mas acho que,
56:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Talvez, inclusive, uma influência também cultural do que cada um gosta. Eu não sou muito da Belas Artes, não me formei muito no mundo da televisão, do desenho, fui conhecer a arte bem mais velha. Talvez tenha um interesse por isso também, por esse mundo cartunesco, que pode ser...
56:58
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
meio reduzido, sabe? Essas coisas icônicas, assim. E um pouco esse tom desse humor. Acho que outra coisa que permeia é um tipo de humor parecido, mas realmente os processos do nosso trabalho são muito diferentes.
57:26
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu fico pensando como esse humor e essa ideia de desenho, desenho, projeto, imagem mental, tem a ver com uma coisa que a gente estava falando antes, que é da analogia, né? O João Loura já estava falando do dicionário analógico, por um momento eu achei que a exposição fosse se chamar de dicionário analógico, porque eu acho que um procedimento em comum de vocês é de criar essas analogias entre...
57:52
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
objetos e matérias dissonantes, de coisas que não se encontram e que não naturalmente se...
58:02
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
tem um toque diferente, tem uma sensação tátil, quase contraditória, contrastante. Então, acho que essa ideia do desenho como uma ferramenta que imagina, que cria o objeto, que vem de uma cultura visual compartilhada, mas que...
58:26
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
alguma coisa na composição dele é alterada, assim, né, tipo, ou lembrando de outros trabalhos até que talvez não vão estar na exposição, tipo, do pão da Maiana, né, assim, o pão de ontem, de um estar dentro do outro, nessa ideia do jornal, do diário, né, que aí também tem uma noção de tempo, mas muito essa noção do comum, né, do pão mais comum, a coisa mais comum.
58:55
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ou do João, estava lendo aquele texto do Cadu Hitchell, porque ele lembra desse trabalho...
59:01
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
luminoso, né, eu acho que é uma frase que ela também é muito útil para essa exposição, os motivos permanecem obscuros, os motivos em geral aqui permanecem obscuros, né, desses cruzamentos, e essa coisa comum, né, da cereja em cauda, dessa imagem festiva, tal, ela tá nessa mesa estranha, né, então essa...
59:28
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Essa forma como o desenho é capaz de imaginar e de trazer para a materialidade o que é comum e inexistente ao mesmo tempo. Essa ferramenta é capaz de produzir esse encontro. Eu acho que estou pensando sobre o desenho. O desenho é uma ferramenta grande para mim também. Eu fiquei vendo a Maiana desenhar.
1:00:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Né, Maiana? Lá no ateliê. Apavorado, ele é apavorado. Meu Deus, o que você ganhou? Desenhando assim mil vezes a mesma coisa na página e sobrepondo um desenho em cima do outro. Claro, tem um limite ali material e tal. E eu faço um pouco aquele desenho também. Que são os desenhos que não vão ser desenhos. Eles vão ser só a folha que você vai ficar anotando pequenas coisas, pensando pequenas diferenças.
1:00:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E isso acontece assim, um pouco como aconteceu ali com você, depois tem outro momento que isso acontece separadamente, cada coisa que eu penso a partir do desenvolvimento de um trabalho é um desenho separado. Mas ainda é projeto, ainda é ir desenvolvendo no desenho aquela imagem mental ali. E depois fiz muitos anos isso, desenho que é projeto, projeto, projeto, projeto. Depois isso virou um problema, assim.
1:00:58
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O problema no sentido que eu quis pensar o que é o ato de desenhar para fazer os projetos. E aí comecei a fazer desenhos que pensavam o próprio desenho como desenho e não um objeto terceiro, um objeto externo, uma coisa externa. E esses desenhos são mais difíceis de acontecer e de funcionar também. Mas tudo isso para dizer que dois desses desenhos eu estou...
1:01:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
pensando em pôr na exposição eventualmente. E que eu acho que uma coisa que funciona para mim quando eu faço exposição é ter desenho que mostra clima um pouco por trás da exposição, sabe? O humor, não o sentido do humor, do bom humor, mas do humor, das nuances...
1:02:01
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Puta, como é que a gente vai falar isso? O clima é um bom termo, sim, talvez. No sentido do fluido, humor. É, mas esses desenhos que eu pensei por lá, eles fazem referência um pouco a trabalhos que estão lá, mas eles também são um pouco misteriosos, um pouco surrealistas, um pouco mórbidos, negativos. Eles são um humor negativo.
1:02:31
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então, acho que acaba sendo um elemento que ajuda a ditar a direção da apreensão dos trabalhos na exposição. Um pouco como título, assim, são um pouco complementares, autônomos complementares. Desse refinamento do que se vai mostrar, sabe? Enfim, pensando um pouco no desenho, como esse...
1:02:58
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho para você também, Maiana, quando você desenha e vai definindo a forma, vai lapidando, vai refinando a coisa ali. Ele está no papel, mas ele está mais na cabeça. Está muito. Eu acho que é a tentativa de tirar da cabeça para colocar em uma possível realização. E o desenho vai dando também as...
1:03:22
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
tanto quando você passa da imagem mental para o desenho, quanto depois do desenho para a construção, essas perdas de... E aí eu vou, que acho que é diferente do seu método, eu vou indo para o caminho que tanto frustra a imagem mental, que o desenho frustra a imagem mental, quanto que a construção frustra o desenho.
1:03:47
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então há esses gaps entre a passagem de um modo de existência da imagem para outro, eu vou incorporando no trabalho. E eu acho que diferente do seu, eu acho que você tenta encontrar qual a melhor maneira dessa construção se adaptar a essa imagem que aparece mental.
1:04:16
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sei lá, acho que essa precisão que tem no seu trabalho de ir até o fim, assim, tipo, não, vou construir esse crânio desse tamanho, né, tipo, não vai ter uma coisa no meio ali que vai ter uma pequena mudança ou outra, tipo, ah, vou incorporar a cola que não estava previsto, mas, assim, eu acho que no meu caso a transformação é muito radical, assim, da passagem de uma coisa para outra.
1:04:45
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que é o que você falou quando eu estava lá fazendo os desenhos, que era esse modo meio intuitivo de trabalhar. De alguma forma, eu acho que eu fico respeitando muito o...
1:05:00
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que eu tenho sempre a sensação de que eu vou perder tudo de uma passagem para outra. Então, o que sobra, o que eu consigo preservar, eu agarro com todas as forças. É quase dar uma agência muito maior para as coisas do que para mim mesma, no sentido do controle do trabalho. E deixa o trabalho, porque às vezes o trabalho não acontece. Muitas vezes não sobra nada mesmo. Aí, vida que segue.
1:05:30
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu tenho essas coisas, trabalho que eu não consegui realizar. Eu acho que funciona, eu acho que é um bom trabalho, mas não achei a solução técnica para aquilo, sabe? E você não vai ficar com uma coisa que não... Tipo, eu fico pensando muito nisso, nesses trabalhos que são entre...
1:05:54
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que começam a surgir enquanto você está fazendo um trabalho. De repente, uma coisa nova ali aparece, você muda a direção. Para mim, é muito assim. É tipo você está andando em uma estrada, aparece uma bifurcação. Ah, vou pegar. Mesmo você não querendo ir mais para aquele lugar. Ah, não, tem uma bifurcação, vou pegar aqui. Vamos ver onde é que vai estar.
1:06:14
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que eu funciono muito assim, isso que me dá o sentimento de que eu tenho muitos tipos de trabalhos, porque eu acho que cada bifurcação que eu fico curiosa, abre um caminho novo, sabe? E nesse sentido, talvez seja um pouco da minha, da maturidade mesmo, do trabalho, ou da imaturidade, na verdade, uma falta de objetivo final.
1:06:43
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas ainda assim, o teu trabalho visualmente acho que é mais coeso que o meu. É essa história, um trabalho é um banco quente, outro é um crânio com uma projeção, outro é um sorvete. Outro é um texto que fala mal de você. Isso, outro é um texto crítico de alguém que não gosta do meu trabalho. Trabalho é bem bifurcado, na verdade.
1:07:10
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas ele respeita, eu acho que o trabalho respeita as suas imagens. Eu acho que você domina mais o seu trabalho do que o seu trabalho te domina. No meu caso, eu sou completamente sufocada pela minha intuição, pelo caminho que vai se colocando em cima. Isso me dá muita angústia, no sentido de que eu não sei o que estou fazendo.
1:07:38
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sentimento de não saber o que eu tô fazendo. Acho que é uma imaturidade ainda do fazer mesmo, processo artístico. Acho que é uma imaturidade. Acho que é mais intuitivo, mais caótico. Falar de imaturidade é esperar que isso vai acabar alguma hora. É, que você vai ficar madura. Isso, não vai.
1:08:08
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ah, não, gente. Pelo amor de Deus, não aguento mais esse caos na minha vida. Não vai, não. Não, mas eu acho o meu caótico também. Em que lugar? Eu acho que a diferença é onde está o caos em cada trabalho. Antes, durante ou depois. Eu acho que é um pouco isso também. Eu não sei. Essa história dos trabalhos muito diversos, muito diferentes, durante muito tempo, foi um...
1:08:42
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Algo muito desconfortável. Falei bastante vezes a palavra muito aqui, mas sempre foi desconfortável. Até hoje, às vezes, é desconfortável. Porque quando você vai para o mundo, você encontra essas demandas. Escreve aí um parágrafo sobre o seu trabalho. Não dá. Sim. O mediático é muito chato, na verdade. É muito chato mesmo. Também acho insuportável.
1:09:09
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E a sensação que eu tenho é que cada vez que eu tenho que falar sobre isso, eu estou mentindo, de alguma parte, eu estou mentindo. Vou contar uma historinha aqui fora da nossa exposição. Eu vou participar de uma exposição na Gruta, e a dona da Gruta mandou uma lista de coisas que a gente tem que entregar, os artistas têm que fazer isso, isso e isso, fazer um texto de audiodescrição, tem que fazer um resumo do seu trabalho, enfim.
1:09:38
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Entre essas coisas, você tem que mandar uma imagem em alta definição de você, que ela quer publicar nas mídias sociais, porque as mídias sociais são assim, a empresa que faz imprensa pra gente, enfim, essas merdas. E a Ana entrou numa discussão com ela, o clima ficou super pesado e tal. E eu também não tenho foto pessoal, eu não tenho uma foto minha pra mandar.
1:10:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Aí eu pedi pensar um modo alternativo de fazer isso. Aí eu entrei na IA hoje e pedi para fazer uma foto de um sósia meu.
1:10:12
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Junto nos meus trabalhos. Cara, a foto ficou muito legal. Eu quero mostrar isso. Eu vou mandar pra vocês no WhatsApp. Isso vai virar um trabalho, né, João? Pelo amor de Deus. Tem essa natureza, né? Essa operação. Virar um booking. Não, e aí, o modo como a Iá interpretou os trabalhos que ela conseguiu achar, descrição e tal, é muito legal.
1:10:33
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu vou mandar para vocês, para o WhatsApp. Você apontou os trabalhos ou deixou, tipo, a máquina... Trabalhos de João Loureiro, assim. Eu sou sósia do artista brasileiro João Loureiro, que tem um monte de Loureiro em Portugal, junto com seus trabalhos, junto com as suas esculturas. Meu Deus, eu quero fazer uma pra mim. Faz, é super legal. Aí, assim, tem uma foto minha no ateliê, assim, meio fazendo assim, sabe? Com uns assistentes. Vários pedaços de isopor no chão.
1:11:02
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Os trabalhos reinterpretados. Esse trabalho do Luminoso está lá. Você vai ver. Você mandou alguma coisa para o Iá ou você só botou o nome e ele buscou? Só botei o nome. Eu acho muito legal falar para a Iá fazer um sósia, porque de todo jeito vai ser só um sósia. Vou mandar primeiro para a Maiana aqui. Depois eu mando para...
1:11:28
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas a gente pode continuar a nossa conversa, que eu paro pra fazer essa bobagem. Não, eu tô muito curiosa pra ver isso. Eu acho que essa própria ideia também de sósia, de duplo, de autômato, eu fiquei pensando um pouco nesse universo, assim, né?
1:11:46
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de ideias, que acho que está nos dois trabalhos também, né? Essa coisa que tem um falso déjà vu aí. Até como essa tubulação vai parecer, né? Principalmente nesse primeiro dia do trabalho da Mayanna, em que ela vai estar...
1:12:08
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
grifando, digamos assim, essas arestas da própria arquitetura, né, e parecer talvez que é um tubo aparente de alguma coisa, e depois essa ilusão se quebra, né, na hora que o trabalho é acendido, e tem uma outra imagem que se cria, e assim como o próprio banco, né, existem bancos em exposições. Desculpa, tô rindo aqui, tô muito curiosa.
1:12:36
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Estou te mandando, Érica. Tem até uma retroescavadeira pendurada, meu Deus. Tem esse, viu? É porque eu tenho um trabalho que é uma retroescavadeira. Feita de curvinho, em tamanho natural, com todas as coisas, e ela fica largada no chão. Gente, está muito engraçado isso. Eu fiz uma exposição que era a última exposição da galeria. Depois a galeria ia ser demolida. Gente! Aí eu fiz umas máquinas de demolição de tecido, de curvinho.
1:13:05
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E elas ficavam como roupa largada no chão, assim, sabe? Não era muito legível, mas foi legal de fazer. E aí botou isso aí. Aí triturou seu site, né? Muito bom, né? E aí, tá vendo, tem uma cereja em cima da placa de alumínio em cima da mesa? Manda pra mim, João, que eu quero... Eu te mandei, eu te mandei no WhatsApp. Não foi? Deixa eu ver, sim. Pra mim foi. Agora foi. É, agora foi.
1:13:37
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu quero... Ô, João, faz o meu. Fiquei muito curiosa pra ver como seria a minha. Não é legal? Assim, mas eu não posso mandar essa menina, vai ficar putésima comigo se eu mandar isso. Achar um outro jeito de fazer. Pode ser que ela não perceba que é um IA. É. Eu fui mudando e pondo eu cada vez mais pra trás, assim, sabe? Pra ficar menos legível o rosto.
1:14:07
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu achei que talvez fosse uma opção. É só entrar no site e fazer o prompt? Ou tem que fazer alguma coisa? Foi no prompt. É? É gratuito ou tem que pagar isso? Eu tenho uma assinatura, mas esse aí você faz no gratuito. Eu assinei para fazer a imagem dos pelos.
1:14:34
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E a coisa que menos se parece é o próprio João Loureiro. É o Sosa, então. Achei o Sosa muito fraco. Está parecendo muito em português mesmo. Depois eu pedi para fazer uma imagem. Tem aquele trabalho que são as melancias na feira, sabe? Com cérebros. Que é meu e da Ana. A Ana adorou a ideia. Vamos mandar essas falsas melancias para essa exposição também. Ela falou, vamos mandar...
1:15:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Uma foto da gente com as melancias. Pede para a Iá fazer. A Iá fez, está assim, os dois de avental diferente, eu estou com o lápis atrás da orelha, assim, sabe? Uma coisa completamente absurda, assim. Novela da Globo, assim, sabe? Os caras caracterizados, diferente. Muito bom. Muito bom. Bom, enfim, desculpa, só pensei nisso, nessa...
1:15:28
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Esse rame-rame com o meio. As demandas do meio de arte que a gente vai acabando achando que a gente sabe o que é, assim, que tem um jeito certo de trabalhar, né? E essa necessidade de se reduzir, né? Reduzir o próprio processo artístico. Descreva seu trabalho em quatro palavras. É, de tornar as coisas consumíveis, palatáveis.
1:16:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ou essa coisa meio de identificar, né? Tipo, o artista que tem o trabalho que circula mais, que as pessoas identificam, que talvez do João seja esse com as espumas dos animais, né? Que por um tempo circulou muito, né? O João é o artista da espuma. Não é, né? Não é nem um pouco disso. Depois foi sorvete.
1:16:24
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Aí foi a baleia. Você tem essa sensação, Maiana? Talvez você seja a mulher das astronautas e cosmonautas. Sim. As pessoas me associam muito a pesquisas com o espaço sideral. E realmente é uma coisa que me interessa, mas é uma coisa imensa isso. Tanto que pode ser visto de muitas formas. Está mais associada a minha pesquisa de doutorado.
1:16:52
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
do que alguns trabalhos que usavam essas imagens do que exatamente eu fico pesquisando isso o dia inteiro, sabe? Tipo, basicamente não sei nada de astrologia, por exemplo, nada. Só sei isso, só gosto, só esse small talk aqui de Bach, que eu gosto, mas eu não sei muito ver constelação, não reconheço nada no desenho, não sei, sabe?
1:17:23
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
interessa muito essas coisas que estão nessas passagens. Essa coisa de sociologia é gozada, porque ela é um ponto da amizade. Tem aquele momento que você senta com a pessoa que está ficando amiga e fala, mas você é de que signo? Mas e o seu ascendente? É o small talk, a sociabilidade. Eu acho bem importante. Eu gosto.
1:17:51
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Falar do clima, falar da astrologia, né? Tipo, são coisas que vão meio gerando assuntos, assim. Mas... Eu só performo, não sei nada, assim. Só fico, ah, é, pois é, eu também gosto de comer, sou a taurina, essas coisas, assim. Mas não sei nada, absolutamente nada, assim. Então seu aniversário deve ser daqui a pouco. Sábado. Sábado? E que signo é isso? Touro.
1:18:20
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Touro. E touro não sabe nada? Não sei nada de signo. Eu sei, assim, sei os clichês, assim. Qual é a característica? A característica principal é... Gosta de... É bom vivant, assim, gosta de coisas boas, caras, conforto, é meio teimoso e lento. Faz as coisas de maneira meio devagar e sempre, assim.
1:18:51
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E a coisa de que gosta de comer. Sempre é esse o... Devagar para a Maiana, eu já acho que é mentira. Mas o sempre é verdade, né? O sempre é verdade. É a coisa da constância, assim, vai insistindo até. Isso eu me identifico, eu sou meio teimosa, assim. Eu vou fazendo as coisas e, assim, eu acho que eu ter virado artista foi um...
1:19:19
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Foi um caso de teimosia mesmo, porque não tinha nenhuma indicação de que seria o meu futuro. Você pensou em fazer outra coisa? Mil coisas. Eu formei comunicação, né? Primeiro. Aí depois eu entrei em artes.
1:19:45
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas eu achava que artes era uma coisa assim, que não era uma profissão. Que era assim, eu gostava muito de desenhar e eu achava que eu era artista porque eu desenhava. Mas que eu ia ter que ter uma profissão, né?
1:20:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Além disso, o único momento que eu achei que eu era artista de verdade foi porque eu não tinha 17, 16, 17 anos que eu desenhava e andava com os meus desenhos. Eu estudo, vou trabalhar, vou ter uma profissão, mas eu sou artista. Quando eu entrei em artes, eu descobri que eu não era artista. Eu pensei, ah, não, peraí, arte é outra coisa. Então quer dizer que existe um mundo aí muito maior. E aí eu, desde então, nunca mais acreditei que eu...
1:20:29
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Sou artista como eu achava que eu era. Agora tudo meio... E aí, será que isso ainda dá para se sentar? Sempre é uma dúvida. Você vai continuar ou não? Pode acabar, né? Como um trabalho. Você deixa de ser... Não é uma coisa interessante, né? Não é uma coisa que nasce com você. Eu acho que pode acabar também. Pode acabar. Tudo bem.
1:21:05
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Você pode não fazer mais a qualquer momento. Pode deixar de se identificar com essa figura, pode achar outro lugar de identificação. Quando eu era adolescente ou não, eu achava que era uma verdade. Não era uma verdade para mim.
1:21:23
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Que é uma coisa meio romântica, assim, né? Que eu acho que todo mundo entra em contato com essa ideia das pessoas que nasceram para ser artista. Elas não vão conseguir escapar, elas podem ter outro trabalho e isso vai estar dentro dela. Mas falando um pouco de teimosia, quando vocês falaram de largar o osso, eu pensei que era sobre isso também. A pessoa que não larga o osso, sabe? Sim.
1:21:49
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, porque essa diferença da expressão largar o osso e largar os ossos, né? Eu acho que tem uma... O João falou disso, do largar o osso, como uma espécie de abrir mão um pouco também, já que a gente tá fazendo uma exposição meio em dupla, que não é totalmente separada, que ela acabou entrando em um diálogo, assim, que a gente, de alguma forma, largou um pouco o osso, cada um. Essa negociação, assim, né?
1:22:20
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É difícil fazer em dupla, né? É muito difícil. Você não controla totalmente. É. Não, mas é verdade. Você não tem como conduzir tudo. Você tem que ter... Ok, vamos lá.
1:22:33
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas eu acho que essa postura também diz muito dos próprios trabalhos de vocês, né, acho que o trabalho do João tem um grau de, assim, da previsibilidade do projeto, do controle, da Maiana tem mais esse, né, assim, que o ponto de partida é ser uma individual que vira uma dupla, né, assim, e daí todos fogem do controle, né, não tem mais, apesar de que vocês no final não fizeram nenhum trabalho juntos, né, assinados juntos, assim, apesar de...
1:23:03
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
compartilharem várias coisas, né? As imagens, parte dos materiais, né? Até de uma contaminação, né? Acho que, tipo, o fato da Maiana fazer pela primeira vez esses trabalhos que são mandados fazer, né? Tem essa...
1:23:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Esse lado, chega esse momento que você perde o controle de como a coisa é feita e ela vai chegar e você vai trabalhar com aquilo e não estar diretamente com as suas mãos ali fazendo a coisa. Na verdade, essa é uma situação de menos controle. Você que controla demais, Maiana, não vem com essa. Não, é verdade. Porque eu fico muito angustiada quando eu mando fazer um negócio, porque eu vejo que...
1:23:50
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu não vou estar ali negociando, tipo, aqui não, aqui não. Ele vai fazer aquilo que está escrito no projeto. Eu tenho que virar uma instrutora, uma pessoa que vai dar uma instrução, a minha instrução tem que ser clara. O meu problema é esse, é que eu não sou clara na minha instrução. Vai ser um outro agravante, é que você está longe.
1:24:15
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É. Porque eu faço muitas visitas para acompanhar o processo. Você trabalha junto com a pessoa, assim. É, vai lá olhar, conversa, decide outra coisa. E é exatamente isso, não é exatamente... Eu gostaria de ter alguém para trabalhar junto, para poder ter uma demanda também, para construir coisas que não preciso eu fazer com a minha mão.
1:24:46
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas você tem que achar um contexto para isso também. Não é isso. Você manda para o Gemini e ele vai fazer isso. É um pouco isso. Você manda lá sua escultura e o Gemini vai te dar aquilo sem nenhuma...
1:25:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
sutileza das diferenças que podem ser enormes. O enunciado para a concretização é um mundo imenso de diferenças, de possibilidades. Eu não sei, Érica, eu acho que eu falei um monte de besteira, já estou arrependida.
1:25:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Que pena que... Nem foi gravado, não tinha um problema falando besteira, brincadeira. E eu acho que você falou, devia ter falado, mas eu falei demais, tô ansiosa pra caralho, tô tomando um...
1:25:38
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu tô achando ótimo. Eu tô achando que tá ótimo. É, não, eu acho que eu também fui entendendo mais meu papel na mediação dessa conversa, né, porque esse é um projeto que nasce da sua vontade de ter esse diálogo com o trabalho do João, fora essa coisa mais conceitual que tinha o trabalho, né, de olhar pra morte, pra esses rituais e tal.
1:26:02
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
nasce dessa vontade de diálogo. Eu entendi que eu entro mais nessa mediação desse diálogo.
1:26:10
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
depois de olhar para esse material e fazer essa edição, de destacar coisas, de mudar um pouco a ordem, colocar coisas numa sequência mais narrativa. Então, agora, os próximos passos, eu acho que vai ser transcrever esse material como um todo e fazer essa edição mesmo. Por isso que, assim, não tem muito como falar hoje qual é o número de caracteres do texto.
1:26:39
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Não sei se a gente pode chutar alguma. Eu queria, talvez, conversar com o próprio Vitor, porque eu acho que ele mesmo teria meio uma ideia, assim, estimativa do quanto... É, talvez seja legal mesmo. Quanto cabe nesse material, quanto... Encontrando todas essas variáveis, né? Tipo, do que tem disponível de orçamento pra produzir esse jornal, quantas páginas ele vai ter, quanto fica confortável de ter. Porque eu acho que com o material que tem dá pra ter meio uma nuvem, assim, né? Entre...
1:27:08
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
tanto e tanto de tamanho, porque acho que tem uma coisa natural da conversa, uma circularidade, assuntos que voltam, e que agora dá para fazer essa edição. Érica, mas se você quiser fazer uma pergunta, perguntas mais específicas, autorais, digamos assim, coisas que você quer questionar os trabalhos.
1:27:35
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu tinha várias perguntas anotadas, eu tinha fiz um roteiro de dez perguntas aqui. Eu acho que no final a gente foi tratando dos assuntos de um outro jeito, né? É isso que eu acho que a coisa que é, assim, né? Tinha alguns apontamentos, assim, sobre alguns assuntos que têm em comum ou que eu via como muito dissonantes, assim.
1:27:56
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas eu acho que uma coisa que talvez foi menos tratada nos assuntos, que é uma relação com o tempo presente. Fico pensando, acho que nesse processo que eu fiz com a Maiana, de conversar, entender as referências dela, eu cheguei mais próximo de entender como esse trabalho responde a um tempo presente de uma...
1:28:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Primeiro, reconectar com uma ideia de matéria, né? Então, que esse corpo se tornou muito virtual, assim.
1:28:33
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
ele passa a ser colocado em confronto com essa matéria, com esse evento do próprio fogo. Então, esse mesmo tipo de ação espectadora que é mobilizada em alguns eventos contemporâneos do cinema, do show de arena, é ser reproduzido numa coisa que é ancestral como o fogo.
1:28:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E daí isso rebatido no seu trabalho, João, acho que essa era meio uma curiosidade, que eu acho que também tem a ver com esse legado de olhar para essas máquinas meio da surrealista, que vai olhar para essa máquina com uma ideia de erotismo, de absurdo, que eu acho que tem nesses trabalhos da exposição.
1:29:22
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Não sei se foi uma coisa muito diluída a pergunta que eu tinha escrito, mas de uma maneira mais organizada, assim, virou uma coisa muito solta. Mas é que eu vejo muito, assim, o seu trabalho tem um diálogo intergeracional, né? A forma como os artistas, desde os mais velhos até os muito mais jovens, você encontra uma identificação, né?
1:29:48
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
seja pela forma como essas imagens circulam, acho que tem um pouco essa curiosidade, até minha mesmo, nem sei se isso entra no texto, acho que talvez entre de um jeito mais...
1:30:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
é transversal. É comigo? É com você! Eu não sei, eu não sei dizer. Eu acho que também é um componente de virtualidade do trabalho, que às vezes aparece como uma imagem negativa ou como essa imagem virtual que é concretizada. A gente pode trocar o termo virtual por abstrato, talvez, e jogar de volta para a projeção mental.
1:30:29
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
para a imagem, para a instância da imagem, da imagem que é comum a todos, mas tem uma concretude inanimada ali, que é pouquíssimo da esfera da imagem virtual. O Fogo da Manhã, se for posto nesses termos de comparação com o assistir da internet, o assistir do cinema, do teatro.
1:30:58
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É bacana, porque ele é só uma espécie de partícula inicial percorrendo um circuito. Partícula inicial percorrendo. Ele é o sinal mais básico. Também mais clichê, de certo modo. É o fogo. Tem um pouco isso. Não sei no meu trabalho. Honestamente, não sei.
1:31:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que o meu trabalho que rebate mais o Fogo da Manhã ali no circuito dela é o banco. E aí o fogo não é visto, né? Se você não sentar no banco, você não vai nem sentir o calor, provavelmente. Não sei dizer o que você quiser.
1:31:47
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Continuar a pergunta ou a elaboração? Eu acho que tem uma dimensão também da experiência da relação com o trabalho, a forma de experiência que o seu trabalho proporciona.
1:32:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
para a pessoa, né, que acho que um pouco o ponto de partida dessa exposição é que os trabalhos, eles não ficam imóveis, né, eles podem estar conectados meio a essa ideia de inércia, mas eles têm uma latência, têm uma movimentação que faz com que o corpo desse espectador também reaja de uma forma diferente, né, que acho que tem a ver com esse ponto de partida do estar numa exposição versus estar num funeral, né.
1:32:29
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
nas suas semelhanças e nas suas dissemelhanças também, desse aspecto celebratório ou nessa coisa um pouco nostálgica da memória, de um recato de como numa exposição você tem que ficar um pouco em silêncio, com os braços para trás, e essas várias experiências que o seu trabalho coloca.
1:32:57
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
como estar sentado nesse banco, que a experiência é esquisita, como observar esse crânio, em que você provavelmente tem que ficar um pouco abaixado, de um lado você não vê o que está acontecendo, do outro lado você vê, acho que tem uma experiência corporal que dialoga com esse ser contemporâneo.
1:33:24
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, tem modos diferentes de estar num funeral, né? Você pode ser vinculado à pessoa que morreu ou menos vinculado à pessoa que morreu. Então são graus muito distintos de emoção. É muito como você ir em funeral e você vai pra dizer oi, pra dar o seu apoio, mas quer ir embora rápido.
1:33:44
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que a exposição tem um pouco isso também, assim, né? Tem gente que vai parar pra olhar e tem gente que não vai parar pra olhar, né? Então, eu entendo que existem rituais sociais, assim, associados, recorrentes, estanques, assim. Eu acho que a experiência do meu trabalho nessa exposição em geral é...
1:34:11
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
ela é fragmentada, as coisas parecem muito distintas e picadas, mas tem algum lugar que isso dá uma volta e se encontra de novo, sabe? É um pouco uma espécie de amarração, assim, e eu acho que os desenhos, por exemplo, têm um papel fundamental nisso, assim, estando eles presentes ou não na exposição, mas eles ditam um ambiente, assim, de certo modo, sabe? Esse clima, esse mood, assim.
1:34:42
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu não sei, não sei se responder isso objetivamente, Erika. O que você acha, Maiana? Você vê que você está quieta, eu estou preocupada aqui. Eu estou, não, eu estou quieta, eu tive que responder uma mensagem aqui, é por isso que eu dei uma...
1:35:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
aqui. Eu não sei, eu acho que tem uma coisa talvez mais... Eu fiquei presa na primeira parte da pergunta da Erika, dessa correlação entre essas diferenças de premissas, assim, dos trabalhos, né, por exemplo, você usou um termo que eu não sei qual, que eu agora esqueci, né, de usar o fogo e como é que eu uso esse elemento?
1:35:37
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de maneira mais, como é que se diz, coletivo, como se fosse um elemento primitivo da imaginação coletiva. Eu acho que eu me interesso por essas coisas, de alguma forma, como é que isso é...
1:36:02
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
como é que isso cria imaginação, técnica? A própria ideia de técnica me interessa. Talvez por isso que eu gosto muito de fazer manualmente tudo, porque é como se eu estivesse aprendendo um ofício novo, sabe? E essa ideia de eu poder estar fazendo isso tanto para um objeto de arte quanto para construir uma outra coisa...
1:36:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Me interessa. E eu acho que existe uma coisa, talvez, no trabalho do João, que não é feita de maneira completamente diferente da minha, mas que é esse interesse pelo mundo da produção de coisas. Então, é o cara que sabe fazer escultura em melancia, é o cara que sabe marcenaria, é o cara que sabe produzir sorvete de sabor com aroma de...
1:36:56
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de coisa e cor de outra, esse mundo técnico da construção, vamos dizer assim, saber técnico da construção do mundo que está disponível para um trabalho de arte como estaria disponível a lojinha de arte aqui embaixo, que você vai comprar tinta. Essa não fronteira entre o que é do mundo artístico e o que é do mundo construtivo.
1:37:23
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que isso é uma coisa que une um pouco nossos interesses, de maneira diversa. Esse interesse pelo mundo comercial, pelo mundo dos artefatos, das coisas que estão disponíveis tanto para fazer uma animação, para gerar uma imagem mental, quanto para fazer uma escultura materialmente.
1:37:51
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E eu acho que o que diferencia um pouco é esse interesse da memória. Acho que o João não se interessa pela memória. Estou fazendo uma leitura pessoal. A memória é uma coisa...
1:38:07
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A gente pode até achar que tem a ver com memória, mas acho que não tem a ver. No meu caso, talvez tenha um pouco mais, como as pessoas viam o fogo, essa imaginação da escala temporal. Ficar me colocando nessa situação, que ela é totalmente imaginativa, a ideia de sonho.
1:38:33
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
uma coisa que alguém sonhou há milhões de anos atrás e está sonhando de novo, essa ligação entre épocas. Acho que isso talvez esteja um pouco mais no meu trabalho, esse desejo de ligação extratemporal entre as coisas, de permanência.
1:39:02
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que eu não acho que tem a ver exatamente com memórias simbólicas, sabe? Tem mais a ver com essas imagens que estão aí. Ah, é o fogo, é o negócio que caiu do céu, ou é a relação de escalas entre uma coisa pequena e uma coisa imensa. Por isso a ideia de mundo como matéria, não é só a coisa das artes, mas o mundo inteiro é uma massa que está disponível para você mexer.
1:39:34
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É por isso que o mundo da arte é tão chato. É a esfera burocrática da aparição desse interesse que é muito mais amplo. Desculpa, interrompi. Acho que a gente tem esse interesse parecido, mas a gente leva para subjetivações muito diferentes.
1:40:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que você vai escavando o trabalho do João e você não encontra nada. É uma coisa louca. Eu acho isso muito legal, a ideia do opo. De alguma forma, isso me inspira. Eu acho que eu... Agora sendo meio... Talvez não precise entrar na...
1:40:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
na entrevista, mas eu acho que eu, de alguma forma, o João é meio professor pra mim, assim, ele não é, ele não é, o trabalho dele é pra mim. Tipo assim, eu aprendo, é uma influência, sabe, tipo, nesse sentido de formação mesmo, como formação artística, assim.
1:40:44
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que muitos artistas são meio professores pra mim, sem eles serem pessoalmente, o trabalho deles são, né? O trabalho meio que ensina que você pode fazer coisas, né? Eu acho que é isso, é tipo, chegar num olhar pro trabalho junto, cara, isso parece que tem alguma coisa dentro, mas no fundo você vai tentando chegar e você não chega nunca, sabe?
1:41:05
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que ele é meio oco, assim, é tipo o fim do homem, assim, aí só sobrou os pelos, aí quando você vê o pelo, o pelo é oco também, assim, sabe, tipo, é uma coisa meio de chegar até o fim, assim, e nesse fim não tem uma verdade, assim, eu acho que não tem uma concretude, né, eu acho que tem essa relação meio com o mistério, né, acho que o texto do José Augusto, né, que chama, tipo, Nenhum Mistério, a sua última exposição, Maiana?
1:41:36
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que fala um pouco desse aspecto de que as coisas são o que elas são, a espuma é espuma, ela pode ter uma ideia de representação desse espaço cósmico infinito, mas no final ela é o que ela é, é o jeito, não chama para uma outra coisa, que eu acho que é uma coisa que vocês têm um pouco em comum, esse mistério do nenhum mistério, de no final a coisa ser realmente só o que ela é, conforme ela está apresentada.
1:42:04
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E isso é uma coisa em si misteriosa, por não apontar para outra coisa, por escavar e não encontrar ali embaixo. Ainda assim, eu acho que no meu trabalho se gera mais significação, porque talvez as imagens sejam mais dramáticas, é isso, nesse sentido. Apesar de que tinha a exposição do João lá na Sé, aquelas ponchas...
1:42:29
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Abajur. As cavernas. Era muito assim, tipo, cara, ficava a cabeça indo para mil lugares. Eu vou aqui fazer o meu aparte. Eu acho que a minha relação com o teu trabalho é gostar muito e não entender muito bem como está isso, sabe?
1:42:58
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu fiquei tentando escrever sobre o seu trabalho para tentar entender qual é a relação que eu construiria com ele na exposição. Fiquei pensando, tendo definido. Eu cheguei em coisas que são muito pouco interessantes, sabe? E também muito genéricas. Acho que tem uma certa atemporalidade. Mas isso não é o que acontece. Tem essa referência...
1:43:28
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
da cultura no seu trabalho, historicamente. E ela parece codificada de outro modo. O trabalho meio que interpreta, reinterpreta, reapresenta. E, claro, embora tenha interesse nesses grandes assuntos, hoje o trabalho consegue encostar para se formar.
1:44:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
em pequenos pontos, em pequenos pontos de contato, em pontos de contato muito pessoais com a cultura. Mas eu não sei, eu acho que o meu trabalho também lida com a cultura em pontos muito pessoais de contato, muito... Eu vou pensar sobre arquitetura e fazer trabalhos sobre arquitetura, mas nunca sobre a arquitetura.
1:44:26
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Até porque não há arquitetura. Mas vai assim, tem aquela anedota da construção daquela casa, daquele arquiteto, e aí essa anedota vai gerar uma outra coisa. Tem umas histórias, né, João? Você tem trabalhos que partem de histórias, nesse sentido. Isso é muito legal, no sentido que talvez a narratividade do trabalho esteja antes dele.
1:44:55
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É muito são. Não é o teu trabalho que gera uma narratividade, mas é...
1:45:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É uma narratividade que gera uma redução, que o seu trabalho reduz. Uma condensação. Uma parte daquela narrativa que você vai lá... É o pijama do Getúlio Vargas. É um ponto singular de uma narrativa oficial. Como se fosse contar a história, a narrativa, de um ponto de vista menor.
1:45:27
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tipo uma metonímia, né? A parte pelo todo, a coisa que... O Bart tem esse conceito que eu acho legal, que ele é bem antigo, é uma coisa que passou do tempo, a galera falava muito disso, mas que é o cúmpto de uma fotografia, o que é que chama atenção não seria a grande narrativa, que seria o estúdio, seria a coisa cultural daquela imagem, mas é um detalhe que faz com que toda aquela imagem...
1:45:57
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Seja meio... Se fixe num ponto só, tipo, sei lá, o fato da foto... A foto de um preso que vai ser executado. Então, a foto é de quando ele está vivo e quando a foto for revelada ele já está morto. É um detalhe que dá esse mal-estar, assim, né? Então, eu acho que é isso que a Erika falou, é legal também, a ideia de metonímia, né?
1:46:27
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
nos seus trabalhos, assim. Mas eu te interrompo. Não, não, a gente está pensando meio livremente, assim, né? Mas eu acho que, pra mim também, muitos artistas são meio professores, me ensinam sem ter nenhum contato, quer dizer, eu olho muito trabalho, tenho os meus favoritos.
1:46:56
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tem aqueles das épocas também, né, que são, ah, teu ídolo, daí passa, sei lá, cinco anos, meu Deus, nada a ver, ou sei lá. É, já passei por isso, assim, várias vezes. Tinha um cara que achava incrível aquele trabalho, aquela moça também, tinha um puta trabalho. E depois as coisas vão ficando velhas, assim, não sei. O seu trabalho também vai mudando e se desfazendo daquilo.
1:47:21
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que você falou uma coisa, você falou do pijama do Getúlio como um ponto de condensação ali, mas acho que também acontece muitas vezes no meu trabalho desses que têm narrativas, por exemplo, narrativas longas, que eles não só falam do fato, mas eles falam das condições de aparição do fato no campo da arte. O pijama do Getúlio, só para contar essa anedota aqui,
1:47:49
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu fui convidado para participar dessa exposição, que era uma exposição vinculada à Feira de Arte do Rio de Janeiro, e eles colocaram artistas que fariam trabalhos de grandes dimensões, de grande escala, para fazer trabalhos no Jardim do Palácio do Catete, que era o Palácio do Governo, quando o Getúlio era presidente. E eu fui lá ver, acho que eles me colocaram lá, porque eu tinha feito trabalhos grandes, uma baleia, uns animais.
1:48:19
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E fui ver o palácio, ver o que era o acervo do palácio, e evidentemente o objeto mais central ali é o Getúlio, o pijama do suicídio exposto junto com a arma, com a bala, uma vitrine ali. E nessa sala que tinha o pijama do Getúlio com a arma e com a bala, tinham várias aposições do pijama do Getúlio na imprensa, manifestação de funcionários públicos vestindo o pijama igual do Getúlio, tinha...
1:48:46
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
várias coisas desse tipo. Tinha aqueles bonecos de poço inflável com ventilador, que era o pijama do Getúlio. Era uma coisa muito maluca. Deixou de ser o Getúlio para ser o pijama do Getúlio. Fiquei pensando que o que tinha em grande escala era a circulação dessa imagem do pijama.
1:49:07
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E aí resolvi, então, refazer o pijama e colocar em escala comercial de novo. Aquele pijama foi, no momento que ele foi feito originalmente, ele era um pijama comprado numa loja, e eu resolvi refazer o pijama para circular comercialmente. Essa foi a minha leitura do que seria fazer um trabalho de grande escala para essa situação. Evidentemente, a curadora do museu foi contra, porque não era esse o objetivo da exposição, afinal de contas, eles queriam uma grande escultura no jardim.
1:49:36
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tanto que, apesar de ela ter concedido, ela colaborou muito, desde que eu fui lá, pesquisei o pijama, peguei o pijama na mão, fiz as fotos, batia os pantones, etc, etc. Apesar de tudo, ela não deixou eu expor o pijama na exposição. Ela me fez pegar a verba de produção, fazer um outdoor, onde havia um QR Code para mostrar...
1:50:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
o pijama. Eu juro por Deus. Então o pijama nunca foi exposto lá. E, muitos anos, bom, um tempo depois, parece que o Ibram entrou em contato com o museu exigindo 10% dos valores de venda por direitos de imagem do pijama. E eu acabei fazendo um acordo dizendo, ok, eu faço essa tiragem aqui, eram 37 pijamas que eu consegui fazer e depois não faço mais, então não pago nada pra vocês. Olha só.
1:50:32
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Depois ainda houve uma terceira situação em que o museu entrou em contato comigo e pediu uma doação do pijama. Vocês querem uma doação para o servo? Não, ele não vai entrar no servo. O pijama vai ser usado para visita guiada, para educativo. O educativo para pessoas cegas. Então o pijama... Vocês entendem que é um trabalho de arte?
1:51:02
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É claro, ele também é trabalho de arte, mas ele também é pijama, é verdade. É o risco que corre de ele ser um pijama, né? Esse é o problema. É o problema que eu vou correr se alguém... Ah, eu quero comprar essa lápide pra eu ser enterrado mesmo, não é pra botar na minha coleção de arte. Exatamente, exatamente. É lápide, mas também é trabalho de arte. Aí você tem que fazer suas regras. Não, isso aqui é uma obra de arte, isso não pode ser lápide. Ou não, beleza, vai... Pode vir um pouco.
1:51:32
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tem gente que dorme com pijama, é bem comum. E é legal. Sonho de morte. Talvez, talvez não, também. Sonho de arte. Mas enfim, e a pessoa do educativo foi ficando puta comigo, porque eu estava meio encher o saco, que ela tinha que considerar aquilo um trabalho de arte e não...
1:51:57
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Era uma coisa assim, ah, você não quer ajudar as pessoas cegas que fazem vivência no museu, sabe? Você tá sendo filho da puta, assim. Aí no final eu doei, falei, tá bom, vai aí, faz o que você quiser. Enfim, mas só isso, porque acho que o trabalho também tá, muitas vezes ele também tá comentando a instância de aparição possível pra aquele trabalho, de existência dele na circulação dele como arte, do sistema de arte.
1:52:27
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Os sorvetes, que são esse usufruto puro, assim, doce, gostoso, seria só uma operação cromática, mas na verdade eles são vendidos. Existe um plano de negócios feito por um amigo, pelo João Gegê, para esse trabalho. Então, a sorveteria que monta para vender os sorvetes tem que ter lucro. Ela tem que fazer a equação ali, o preço do sorvete tem que dar lucro para a sorveteria. Ele é explorado comercialmente.
1:52:53
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então, esse tipo de coisa cai muito mal nesse sistema. Cada vez que vai expor esse trabalho, esse é o ponto que dá problema. Ah, mas tem que vender, mas tem que dar lucro. E no caso da Pinacoteca, que é quem detém o trabalho hoje, a Pinacoteca é da Secretaria de Cultura do Estado. Então, se eles venderem o dinheiro do sorvete, tem que entrar para a Secretaria de Cultura do Estado. E que vai realocar esse dinheiro em qualquer outro lugar.
1:53:22
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
vai pagar o filme do Mário Frias sobre o Bolsonaro, entendeu? São uns nós desse sistema que vão aparecendo também. Mas acho que isso entra também, João, no seu interesse por esses agentes que estão no mundo da arte, não só os serviços, como todas as esferas que vão passando.
1:53:50
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
para um você encomenda, para um você aprende o modo de fazer, no outro você vai ter que envolver o próprio comércio que está entre comércio de arte e comércio de manufatura ou de comida, que eu acho que vão tornando os trabalhos mais complexos, vão entrando em esferas, que sai só do material e vai para o social nesse sentido.
1:54:17
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que eu acho que é muito legal, porque aí são trabalhos que vão ganhando esse... vão literalmente expandindo, vão estourando a bolha do sistema da arte para ir para o sistema do mundo, né? Sistema dos objetos do mundo, assim. É. Espero que sim, espero que sim.
1:54:42
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que tanto nesses trabalhos dessa escala, quanto na escala em si, do objeto, tem esse ruído entre expectativa e essa torção. Eu estou pensando aqui no trabalho da mesa de isopor, na mesa flutuante.
1:55:00
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
aquele pano, aquela coisa panosa, suspensa, um volume gigante, e você entra dentro da sala e aquilo fica assim, você fica meio que num bug no meio daquilo. Então, acho que esses sistemas que vão sendo frustrados, tanto no nível do objeto quanto no social, onde o trabalho está inserido, eu acho que é um modo...
1:55:27
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
invertido de propor o trabalho de arte, não como uma, como se diz, um contrato positivo, mas como uma espécie de mostrar o avesso, assim, sabe? Mostrar um pouco o avesso das coisas. Um funcionador, assim, né? Um funcionador, que deu um trabalho meio do contra, assim, tipo...
1:56:00
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O aluno do contra que vai falar alguma coisa na aula. Ah, mas e se não sei o que, não sei o que? Na verdade, o professor queria que todo mundo entendesse uma parte só do assunto.
1:56:18
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Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas, para mim, tanto nessa esfera da produção das coisas, de conhecer o modo de produção das coisas, quanto de tensionar as negociações dentro das esferas institucionais da arte, os trabalhos têm uma coisa de desalienação.
1:56:39
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de descobrir como é que é produzido o sorvete, de descobrir se pode botar fogo numa galeria comercial. Mas por que não pode? Como que isso é feito? Desvendar um pouco a infraestrutura das relações, tanto das relações de produção, do serviço, quanto das estruturas das instituições. Mas, afinal, por que não pode? Qual é o problema? Qual é o perigo? Qual é o risco? E, no final, o trabalho...
1:57:08
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Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
essa ficou uma camada meio implícita algumas vezes, né, assim, da forma como vocês dois trabalham, mas que no processo criativo tá ali essa ideia de...
1:57:21
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de descobrir o mistério de como as coisas são produzidas, como as exposições são arranjadas, como... Fico lembrando também daquele trabalho, talvez isso não esteja tão claramente assim, mas do cheque na ARPA, no Pacaembu, parece uma coisa absurda, né, de estar ali o cheque em branco pendurado numa feira de arte, né, e aquilo, eu acho que é um desses trabalhos que eu estudei, ele...
1:57:46
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Na imagem, revela um pouco a transação econômica. É a bandeira daquele lugar mesmo. É a bandeira da filha de arte. É muito direto. O que é surpreendente é que a Arpa tenha topado tão tranquilamente que a gente achasse cheques no estágio do Paquembu. Foi super legal da parte deles.
1:58:14
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
eles não são, não é que eles forem ingênuos, eles sabem, e toparam, falaram, não, é isso mesmo, também é um tempo a ser criticado, também é espaço de crítica, mas foi legal, assim, ter aquele prédio histórico, aquela entrada monumental, e aquela feira, aquele rame-rame do meio de arte, esses cheques hasteados ali, foi bacana pra mim que eles toparam.
1:58:44
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Que tem esse lado que eu acho também, de algum jeito, vocês dois se nutrem, assim, né, dessa ideia de recuperação, né, assim, de como esse sistema, ele recupera essas formas que são aparentes a princípio de subversão, de contestação, e vocês usam o fato de que esse sistema se interessa por isso também, né, a feira quer um trabalho que seja irreverente, né, e...
1:59:11
S…
Speaker 3 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Por último, a própria galeria de mostrar trabalhos que têm esses estados tão instáveis. A galeria tem interesse de construir essa imagem de uma instituição que se interessa por coisas que são experimentais, que são meio exóticas. Acho que sim. A galeria tem interesse em duas coisas. Uma é na imagem de...
1:59:40
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Vai, vamos usar um termo antigo, vanguarda, e interesse comercial, são negócios, né? Mas tem modos diferentes de tocar um negócio, assim, né? Se a galera entende que o artista é alguém que é um parceiro, alguém que está trabalhando junto...
2:00:00
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Não no sentido de vou dar entrevista para a coluna social, mas no sentido de que aquilo é um pensamento que ambos se favorecem se aquela produção ganhar um espaço mais livre, condições melhores de construção e aparição. Que o sucesso comercial também está um trabalho que vai ganhando complexidade, que vai ganhando...
2:00:31
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
maturidade, experimentação. Acho que é isso, o espectro da imagem da galeria com os trabalhos que são mais arriscados. Esses trabalhos, como é que você comercializa esse trabalho do tubo, né, Maiana? Desse trabalho que tem uma forma que se adapta a cada espaço, com acidentes que variam.
2:00:56
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Como funciona isso? Como funciona um trabalho que você tem que pôr no freezer todo dia? Como isso circula no mundo, fora da situação de exposição? É legal, são trabalhos que estão também pensando criticamente o que é que se faz como arte, o que é que se apresenta como arte.
2:01:20
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E essa pós-morte do trabalho, porque se o trabalho em exposição, ele está nesse estado de morte, ir para a coleção privada é a pós-morte ainda. É um outro círculo do inferno, digamos. É como chutar o cachorro morto, né?
2:01:42
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, tem isso também, né? Todo mundo já está ligado do que são os problemas desse sistema. No fim das contas, eu acho que o que é legal da gente, pelo menos para mim, é o que me faz continuar fazendo trabalho de arte, às vezes, entrando, estando meio dentro, meio fora do mercado de arte, porque eu não sobrevivo de trabalho de arte, né? Então, eu estou meio dentro, mas eu estou mais fora do que dentro do mercado em si.
2:02:12
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
mas no mercado financeiro. O sistema de arte, não. Acho que o sistema de arte é uma coisa mais ampla. Mas o fato de que, na verdade, eu acho que os trabalhos nascem antes do desejo de concretizar eles e depois os problemas que eles vão gerando vão colocando em contato essas outras agências.
2:02:38
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E depois, como é que faz para vender? Bom, aí é um segundo problema. Esse segundo problema pode causar um terceiro problema, que é um problema ético, um problema de conservação, um problema material. Enfim, esses são problemas que o trabalho vai gerando, mas que não impedem exatamente, não que não impedem, mas acho que o propósito final não é exatamente esse. Eu acho que tem trabalhos que são subversivos.
2:03:09
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que nascem pelo desejo de contestar a instituição. Eu acho que no nosso caso não é bem assim, sabe? Acho que a imaginação vem antes, o desejo de fazer e de ver vem antes, e o embate com o sistema que está amparando o trabalho vem depois.
2:03:31
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O que torna a coisa mais honesta, mais divertida, nesse sentido. Porque você ficar vivendo para ficar brigando com a instituição é uma vida muito chata. Até rima. Tipo, eu quero aqui quebrar essa parede só para dizer que eu tenho o poder, como artista, de quebrar essa parede. É um pouco... Tá, e aí?
2:03:59
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
O que você ganhou com isso, sabe? É um acordo muito... Aí a galeria vai deixar e vai se beneficiar porque saiu como a legal, assim, sabe? Não é exatamente questionar o poder, parece meio infantil nesse sentido, tipo assim, olha aqui, eu vou confrontar o meu pai porque eu sei que no fundo ele não vai ter coragem de me bater, assim, sabe? Então, eu acho que tem uma coisa de um assunto.
2:04:29
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
de um questionamento que ele vem como uma consequência do desejo de imaginação. É isso, as ideias aparecem e quando elas vão para o mundo, o que elas vão mobilizar? Não sei se estou falando de outra coisa agora, dei uma perdida na língua.
2:05:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
linha de raciocínio. A gente se perde muito nessa conversa. A hora que vier essa transcrição editada, porque é uma conversa muito longa.
2:05:11
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que a gente vai ficar horrorizados, assim, com as bobagens que a gente falou. No momento que eu serei benevolente. A gente vai evitar, sim. Eu acho que tem bastante material já. Sim. E a coisa é, eu vou colocar desses, passar num desses aplicativos para transcrever, né, e daí vou conferir se está tudo certo.
2:05:37
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Vou começar a mexer nesse texto. Pobre Érica. Ai, Érica, socorro. É, socorro. Não, para, gente. Era melhor ter feito um texto de chat GPT, falar, complete aqui quais são as palavras-chave do seu trabalho. Acho que é para isso que existe statement, João. Os artistas não fazerem isso com os curadores, com os críticos. Eu pedi para o Gemini fazer para mim um mini bio.
2:06:07
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Não, ele inventou um monte de merda. Pedi fazer um statement, já pedi várias coisas, assim. Eu tenho que mandar essas coisas pra essa exposição, eu tô de saco cheio e tô tentando resolver tudo por iá. É um trabalho de máquina, né? Esse é um trabalho de máquina, fazer statement, mini build, então ele merece ser feito por uma máquina. O trabalho é que você tem que ficar abrindo mão de tudo, assim, eu acho um negócio meio maluco, assim. Abrindo mão da...
2:06:35
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Do não nomear, do não definir, do não fechar, né? Uma coisa engraçada, assim. Enfim. Aguardem as cenas dos próximos capítulos. Vou também precisar... A gente não decidiu o título, né? E aí, vamos fazer uma votação? Vamos fazer uma votação. Ah, enfim.
2:06:59
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Érica, você quer dar a sua sugestão? Você não falou da sua, né? Boa, Érica, dá o título da exposição, vamos lá. Não, dá o título aí, fala aí. Não, eu entendi que vocês já estavam entre duas, né? Que é largar os ossos e tem dia que é noite. E meia morte, tem meia morte na história. É, meia morte também tinha.
2:07:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu fico menos inclinada a meia-morte. Eu acho que tem... Revela uma coisa que talvez não esteja exatamente na exposição. Eu acho que esse assunto da morte, ele também acaba sendo meio espinhoso, né? Difícil de lidar. Ele foi subido de um jeito muito... É, eu acho que tem umas imagens que são meio armadilhas, assim, né? A morte é meio uma delas, assim. Sim. Por isso que eu acho que eu fico mais entre os outros dois.
2:07:57
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho a exposição, apesar de tudo, muito solar. Pra falar de noite. E eu acabei me apegando um pouco ao largar os ossos. Eu posso. Eu concordo com a exposição ser meio solar, sim. Eu também acho. É toda animada, sim. Uma coisa meio pra cima, apesar de estar falando de algumas coisas de limite, de fim. Ela é meio divertida, né? Ela é.
2:08:28
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho também que ela tem... Eu fico imaginando algumas pessoas, de alguma forma, ou, sei lá, ela gerar um pouco o riso, assim. O riso... Como é que fala aquela palavra? Meio sem graça, o riso sem graça, ou o riso quando você ri meio de nervoso, ou você ri meio desconcertado, assim.
2:09:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que ela pode gerar um pouco isso, assim. Eu tenho uma amiga que quando eu posto uma foto de um trabalho, muitas vezes ela comenta kkkkk. Eu contei uma piada. Oi! Como assim kkkkk? Os seus trabalhos produzem isso, eu queria te dizer. Eu rio muito quando eu vejo os seus trabalhos. E quando eu falo deles pra alguém, eu falo de um jeito meio assim também. É uma espécie de... Eu não consigo explicar porque eu rio, na verdade.
2:09:29
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu não consigo explicar, mas me gera uma espécie de vontade de rir, assim. Uns mais que outros, né? Bateria com o bigode. É, uns mais que outros, assim. Enfim, claro. Eles são xistosos, né? É. São xistosos. Eles fazem uma coisa do humor, do xiste, assim. Eu acho. É do xiste, é de causar um clima, assim, mesmo.
2:10:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que a gente pode ir com largar os ossos. Eu também. Eu leio esse termo como uma coisa jocosa, assim, largar os ossos. Eu acho que pode ter uma leitura externa pesada por conta do contexto da arte que quer tornar tudo muito sério, assim. Mas, assim, a exposição vai também entregar o que ela...
2:10:35
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Os trabalhos vão segurar. Acho que vão ter que fazer esse trabalho de reinterpretar o título. Eu acho que esses três títulos são ok. Falando sério, eu acho que se você tiver uma preferência pelo dia que é noite, pra mim tá ótimo. Acho que não tem problema nenhum. Acho que é legal também. Ele é meio um xix.
2:11:03
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ele é meio uma falta de sentido, uma inversão de sentido que não vai a lugar nenhum. É isso que eu acho legal desse título, tem dia que é a noite, que é essa contradição, que era uma das coisas que estava no início da nossa conversa. A ideia de mundo duplo, um mundo que...
2:11:25
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
um mundo do fim que produz uma outra vida, né? Depois do fim, uma coisa assim, né? Nesse sentido da morte como um mundo investido. Nesse sentido, eu acho legal o título, porque ele coloca isso, né? O único ponto que eu acho é que ele tem esse... Ele é uma expressão popular meio...
2:11:53
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É um pouco a história da expressão popular, não da expressão idiomática, mas da expressão popular, assim, um pouco gíria, assim, né? Aí fica aquela questão de uma apropriação cultural, assim, de uma coisa que é de fora a gente puxar pra gente, assim. Mas eu acho que também, tudo bem. Vou colocar aqui no... Nossa, tem uma música do Gonzaguinha.
2:12:22
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Tem dia que é noite? Aham. Acabei de ver. Puta, Gonzaguinha. É. Gonzaguinha é foda. Se fosse Gonzagão ainda. É. Ah, não. O nome da música é Tem dia que de noite... Tem dia... Tem de dia... Tem de dia que de noite é assim mesmo. Não, não é assim. É a expressão mesmo.
2:12:54
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Que é uma expressão popular que reflete momentos de desânimo, negatividade ou quando tudo parece der errado, mesmo em um dia ensolarado. Legal. Que seja negativo, né? É. Mas é isso também. A expressão, ela é usada mesmo assim, né? Tem dia realmente que não dá certo, que não tem como. Ela é mais negativa do que largar os ossos, nesse sentido, eu acho. É.
2:13:25
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É sim. Largar os ossos é mais sem localização, assim, né? É. É porque dia e noite nessa frase significa positivo e negativo, né? Positivo e negativo. Mas tem o claro e escuro que também é um pouco chato. Sim. Dia e noite são palavras muito poéticas, né? Assim, nesse sentido. Agora, largar os ossos é isso, né? Ela tem esse lugar meio...
2:13:59
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
abandonar o corpo, assim, né? Deixar para trás as partes sólidas, né? Deixar para trás as partes sólidas, muito bom. Do jeito mais cru e concreto de falar. Nossa, gostei muito dessa elaboração. É, a exposição, grosso modo, de esculturas, né? É. Eu não sei, acho que agora, nesse momento, eu iria largar os ossos, assim.
2:14:33
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então vamos, Maiana. Eu toco, acho legal. Vai segurar a onda, né? Não vamos parecer dois góticos, a turma do Penadinho. Olha, os dois títulos tem um pouco disso. Os dois títulos usam preto. Góticos, a gente tem que ir de preto na abertura. A gente tem que fazer um título rosa e comic-sando. Vai ficar com o Vitor isso.
2:15:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu queria fazer uma coisa gótica. Os morcegos, assim. Teia de aranha já tem um monte, né? Escapamos de ter uma teia de aranha nessa exposição. Escapamos, foi por pouco, porque tinham dois trabalhos, um meu e um do João, que eram teia de aranha. Daí ia ficar gotiquíssimo. Agora, a gente tem uma, assim, ficando com largar os ossos, a gente ainda tem uma possibilidade que é fazer um título completamente neutro, que não diga nada.
2:15:29
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E aí a gente, como convite, que não vai ter nenhuma imagem, só vai ser um fundo, uma cortisa, assim, sabe? Porque a gente não tem imagem dos trabalhos. Tem essa opção também, né, João? Eu não sei. Eu acho que vai ser imagem esse convite. E por isso, a Maiana Redin e o João Loureiro largaram os ossos. Eu acho. Por que eu fico mandada de rir dessas coisas, gente? Eu sou muito reteira.
2:16:00
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu mandei para os amigos, nossa, pesado, e eu rindo, cacacá. Mas é um pouco cacacá também. É um pouco cacacá. E se chegar lá, não é uma exposição de pinturas matéricas pretas? É, não é. É outra coisa, é muito mais... Tem nada de muito profundo, né? O que é ali são essas imagens, são essas coisas sólidas que ficaram para trás.
2:16:26
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É, são as operações, as operações um pouco desconcertantes de algumas coisas, porque isso, porque aquilo, acho que é um pouco aí. É menos definitivo, né? Menos sobre a verdade das coisas. Não é sobre a verdade. Eu acho que ia funcionar muito o teu trabalho do sweater, sabia? Tudo a ver com o título Largar os Ossos. Literalmente...
2:16:52
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
É verdade. Tinha essa ideia, eu não lembro se aquela segunda sala tem janela. Não, com grade são as salas de escritório, sim. As salas de exposição não tem grades. Tem janelas, mas não tem grades. Eu acho interessante também esse trabalho que fica quase escondido, que fica mais convivendo com essa área administrativa da galeria do que com os próprios outros trabalhos. Sim.
2:17:26
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu ia até perguntar para vocês uma opinião, eu estou com várias dúvidas que não estou conseguindo resolver, mas eu fiquei pensando, que acho que tem a ver com essa questão de usar a galeria, se não seria interessante eu fazer todo o sistema de tubulação sem as cerâmicas na sala, só os tubos.
2:17:50
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E deixar que a cerâmica aconteça só quando ela entra, quando ela atravessa a parede e faz o painel. Acho bonito. Pode ficar muito bom, ainda mais porque essa primeira sala é mais como o branco. Eu acho que vai ter essa maior transparência, essa camuflagem.
2:18:12
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho bonito. Eventualmente, esse talvez vai ficar mais... Acho que pode ser um jeito de tornar o trabalho menos... Menos informação, mais conceitual de um lado e do outro lado mais... Eu acho mais crítico. Mais crítico.
2:18:39
S…
Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
mais econômico, assim mesmo. Mais consciente criticamente do que se coloca como arte. Eu tenho um pouco essa impressão, assim. Essa passagem pra outra sala é isso, né? Essa passagem pra outra sala é fazer um quadro. Fazer um quadro, né? Ele termina como espécie de coisa mais barroca, assim, mais confusa, mais...
2:19:00
S…
Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Mas que quando ele está trabalhando para arquitetura, ele é realmente só a tubulação e depois ele vira um objeto artístico. Uma coisa meio de desvio para o vermelho, que tem essas salas, essa transformação do espaço. E aí, João, se a gente vai fazer isso, eu acho que até na sala da frente a gente pode ter mais trabalho, pode ter dois, por exemplo, porque aí a tubulação não vai ter.
2:19:28
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
tanta informação. Na sala da frente, a sala onde vai estar a tubulação. Acho que o cristalino preenche bem aquele espaço, ele ocupa bem. Acho que ele é uma opção. Vou botar o cristalino e a poça d'água, por exemplo. E a poça d'água, ou só a poça d'água. Funciona muito bem. Mas acho que daí fica muito vazio, fica muito...
2:19:55
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
A gente está com muito trabalho, eu estou achando. É, né? Eu estou achando que a gente está com mais coisas.
2:20:00
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
que a gente precisa pra essa exposição. E que a gente vai precisar dar uma editada na hora lá. É, né? Pode ser. O primeiro que cai fora é o cristalino. Na minha opinião. Hoje, né? Ai, nossa, eu tô tão apegada a ele. É que ele é um trabalho que tem relação com o seu trabalho, eu acho, bastante. É, eu acho que ele tem uma coisa...
2:20:22
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Ah, sei lá. Escultório que é legal também. Desenho. Enfim. É isso, gente. Cada vez que eu olho pro trabalho, a coisa vai crescendo. Mas eu acho que é isso. Na montagem, a gente vai com calma editando. Quando é a montagem? Só pra eu saber. Eu acho que vai ser dia 23, sábado. Dia 20...
2:20:54
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Quantos dias que a gente planejou? Os trabalhos vêm... Dia 18, não é isso? É dia 18 que chegam. Então, é essa semana do dia 18. E do Dica chega quando? Ele falou que fazia pro dia 15 pra mim. Tá. Ele já tá te mandando fotos, assim? Mandou uma. Uma da gota, da poça. Eu vou mandar mensagem pra ele. É, vai perguntando. Tá.
2:21:26
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
E aí, gente, tem uma outra coisa que eu acho que, assim, eu estou fazendo uma, eu estou focando nas duas esculturas, que é o ovo e a lápide, que tem umas gotas escorrendo, e que eu acho que, por exemplo, o picolápide e a lápide com gotas, eles são muito parecidos nesse sentido. Então, eu colocaria um só.
2:21:47
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Só que agora, essa lápide das gotas escorridas, eu tô colocando um outro elemento em cima, que até quero ver o que vocês acham. Vou mandar pra vocês, João. Que diferencia ali um pouco do picolápide. Eu acho que eu não vou ter tempo de fazer três esculturas. Eu acho que só vou ter tempo de fazer duas. Duas lápides. Que eu não sei se não fica pouco pra lá pra fora. Aí, nesse sentido, talvez até o raio...
2:22:15
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Posso ir lá pra fora, sabe? Elas são meio, parecem meio grandes, né? Eu acho que duas... Acho que a gente não corre o risco de ficar pouco. Acho que duas é bom. Tudo bem, elas não têm que preencher o espaço todo, né? Não, não, mas eu digo, tipo, de ter mais trabalhos fora, né? Não precisa ser todas juntas no mesmo lugar, mas, assim, pensar em usar esse espaço externo... Tem a minha malha, né? Tem a Tereza Malha, é isso. Posso ver se eu faço mesmo.
2:22:46
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Estou aqui cogitando até a ideia de pensar se ficar muito apertado lá dentro do raio e ir lá para fora, porque o raio pode ir para fora, ele é uma calha, acho que ele sonaria. E eu achei que essa mancha gelada, essa poça, também iria para fora. Inicialmente a gente tinha pensado nisso, mas eu fiquei pensando que ela pode derreter rápido demais.
2:23:14
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Pelo sol, né? E eu acho que ela pode sumir um pouco também. Porque ela é muito baixa, ela é totalmente no chão, ela pode ser pisada. Tem um monte de trabalho que isso acontece e eu fico meio... Eu já tive muito trabalho que as pessoas pisam. A chance vai ser muito grande. E aí eu acho que dentro do espaço em branco, da sala branca, ela fica mais...
2:23:44
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Vai dar pra ver com mais detalhe que ela tá gelada. Sim, naquele fundinho. Eu acho ela super boa na sala branca. Acho que é legal. Aí se a gente pôs ela na sala branca, o que eu tinha pensado que seria o ponto de contato dos nossos trabalhos é aquela história que a gente conversou na tua tubulação, fazer uma concessão pra pôr um desenho na parede. Eu acho que pode ser legal botar um desenho. Pode ser super legal.
2:24:11
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Speaker 2 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Acho que pode ser super legal. Minha única questão é que aí são duas operações em relação ao tubo. A minha e a sua da poça. E ali eu acho que talvez se fosse uma só. Mas assim, eu acho que vai ter em alguma parede. Eu acho que também pode ser assim, tipo...
2:24:31
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu acho que o tubo, ele vai ser ativado ali. Quando ele for ativado, aí ele vai virar uma coisa assim. Depois, eu acho que sem as cerâmicas, ele praticamente vai sumir, assim. Talvez. E aí a sala vai ser como uma sala vazia, sabe? Tipo, eu colocaria alguma coisa na parede, eu acho que um desenho na parede. Eu acho que um desenho, um desenho é joia. E eu acho que é legal também, se ele vai descer pra fazer uma moldura pro desenho, também ele desce desse lugar meio desaparecido.
2:25:00
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu vou fazer isso. Eu acho uma solução bacana. Vamos ter isso como uma solução mais concreta. Eu quero achar aquele desenho. Você tem meu livro, Maiana? Tenho. Eu sei qual é. Eu tenho. Tem um desenho que está lá. É aquele desenho que eu estou querendo. Eu escrevi para a galeria para saber se eles venderam, se está com eles. Por que você não faz outro desenho desse? Eu vou fazer.
2:25:30
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Eu fiz um. Eu fiz um. E aquele até ele é com lápis, né? É. Eu gosto dele com lápis. É meio uma fumacinha também. Vou fazer outro. Acho que hoje à tarde eu vou bateria, eu consigo bateria e eu vou fazer vários deles. Depois eu mando umas opções.
2:25:52
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Speaker 1 (Conversa Mayana + João - 2026_04_29 09_51 GMT-03_00 - Recording)
Então tá, gente, vamos encerrar? Vamos. Pobre Érica. Pobre Érica, gente, eu quero pedir mil desculpas por ser prolixa. Eu tô com muita dificuldade em me comunicar, faço um esforço imenso, eu tô muito longa, desculpa, tá? Eu acho que você tá se comunicando.
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Тиздән
Бу терминның берничә мәгънәсе бар: Транссибирь тимер юлының Транссибирь бүлекчәсе
Тиздән...
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Бу ысулның төп өстенлеге — ул җөмләнең эчтәлеген һәм аның эчтәлеген аңлатучы җөмләләрне аерып күрсәтә.