J+M_n1
May 02, 2026 15:21
· 30:00
· Portuguese
· Whisper Turbo
· 3 speakers
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0:00
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Nada não, né, gente? Pelo amor de Deus. Não, é só o áudio que vai ser usado. Mas mundo concreto, que é o que nós estamos construindo, é legal mesmo. Mundo concreto é um mundo versus o outro mundo. É uma exposição mundo material. É. Acaba que é uma coisa... Eu ia falar que é um...
0:29
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
uma exposição... Os trabalhos...
0:35
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
de alguma forma falam sobre materialidade, mas acho que não é exatamente isso também, porque não é sobre a poética do concreto celular, sabe? Não é isso. Tem uma coisa de confundir a materialidade, né? Que eu acho que chama muito a atenção de o isopor que parece gesso, o concreto celular que derrete passa a parecer uma coisa mole quando ele é duro, né? Isso é uma das coisas que eu anotei, assim.
1:02
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Acho que essas ideias da contradição eu acho que estão muito presentes nos trabalhos. É contradição, não exatamente contradição, mas assim, é colapso de duas coisas em uma. Tipo assim, é a poça, uma poça que é feita de inox e que derrete, mas não derrete porque ela é de inox. Ou é, tipo, esses encontros de coisas meio absurdas, tipo a caverna e o...
1:31
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
e o crânio. São coisas muito... parece que tem sempre esse colapso de duas coisas em uma. Eu tenho a impressão de que os trabalhos ficam fazendo isso. Ao mesmo tempo que eu também relacionei isso com a própria ideia de representação, meio de substituição, de apresentar uma coisa que não está lá através de outra. Sim.
2:01
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Eu acho que eu penso um pouco os materiais como substitutos. O concreto celular não é o concreto, ele é um similar, um similar mais pobre, mais barato, mais leve. O isopor também não é...
2:19
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
uma matéria, ele não é pedra, ele não é osso, ele passa por aqui, são os materiais um pouco que simulam as coisas, assim, eu tenho um pouco essa impressão. Tem uma ideia de falsidade, assim. De umas matérias meio... Simulação. Não carregadas historicamente, sabe? Não carregadas socialmente. O isopor é uma coisa descartável.
2:47
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
sem valor no meio de arte, é até o que interessa nele. Embora ele seja uma grande matéria de escultura, o Brasil tem carnaval, tem inteiro pedido de isoporto. Mas ele é uma matéria que passa por algo sem valor, descartável, não histórico, sem lugar social. Eu acho que o concreto celular faz mais ou menos a mesma coisa, uma espécie de matéria substituta. Agora, não o inox.
3:16
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Não o inox, não o aço carbono do banco quente. Essas são outras coisas. São matérias com história, com carga. Mas elas estão a serviço de uma construção de uma imagem meio abstrata, meio genérica, estilizada.
3:37
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
A posta estilizada, o banco que é um banco standard, né? Ou aquele brilho que eu tenho naquele trabalho, aquele brilho feito de inox também, né? São muito debitárias da representação bidimensional, né? Sim. É, eu acho que a ideia de maquete também pode estar um pouco contida, assim, né? Que são trabalhos meio...
4:06
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
reduzidos nesse sentido da... Eles são econômicos, né, assim, tipo, nessa ideia de representação, assim, que o João tá falando, assim, no sentido de que são bem diretos, assim, né, tipo, é o banco vermelho, é o raio feito de um material só que deixa ver que material que é. Tem muita... Tem umas substituições.
4:38
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
É tipo materiais que ocupam lugares não muito pra qual eles foram feitos também, assim, né? Tipo, concreto, celular, tijolo. E eu tô usando pra eles, pra ser esculpido, né? Ele faz um pouco a passagem pra mim entre a espuma, esse material aerado.
5:00
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
que é um pouco a malha que recebe outros objetos. E aí o concreto celular é essa variação da espuma. No meu caso, acho que tem a ver com uma descoberta de materiais que me permite produzir imagens. Acho que no caso do João é um pouco diferente, porque acho que a imagem vem antes. Eu acho que a imagem vem antes também.
5:31
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
E eu acho que, para mim, é essa correlação entre coisas. Uma coisa me leva para a outra. O concreto celular veio dos trabalhos com espuma, e a espuma veio do desejo de pensar uma malha, um grid, que fosse aglutinante das coisas despedaçadas que eu ficava fazendo.
6:00
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
de materiais, de objetos, de formas. Então, ele é uma espécie de... O concreto celular, para mim, é uma espécie de fundo, de fundo para uma figura. E aí, claro, as imagens vão aparecendo, vão aparecendo enquanto eu consigo mexer nesses materiais. E que elas se repetem. Normalmente são imagens que vêm de um corpo.
6:34
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
de uma mudança de estado físico da matéria, ou de processos de transformação. O trabalho do tubo também é meio uma coisa que tem uma estrutura por onde passa alguma coisa que se acidenta. Então, não sei, eu acho que os processos de criação são muito diferentes, mas eles encontram imagens parecidas, ou que dialogam.
7:05
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
que eu acho que, no fundo, tem um interesse um pouco desse corpo material, ou do corpo como alguma coisa que produz materialidades também. Tipo, um banco quente é muito um corpo também, é uma espécie de ser vivo ali que está emanando calor. E eu fico pensando muito no banco quente, como quando você senta no banco que alguém acabou de levantar.
7:34
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
e você pega um pouco o corpo da outra pessoa ali, assim, tem uma espécie até de agonia, assim, meio... Aquilo ali não é o corpo, não tem nada, não tem fluido, não tem nada, mas tem um calor que ela perdeu ali. Residu, né? Daquele corpo. Residu e que você... É muito... E você acaba...
7:58
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
sentindo, pegando, roubando de volta o calor dela. É muito espiritual nesse sentido, mas é muito material, energético. Não é um espiritual metafísico. Acho que isso também está na exposição, que é todo um espiritual matérico. Coisas que ficam no ar. Eu acho que é esse jeito muito específico de lidar com essa ideia de...
8:26
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
de morte, que na verdade é uma mudança de estado, uma passagem de um estado para o outro.
8:33
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Por isso eu acho que fica também essa dúvida no título, se isso vai apontar mais para essa ideia de morte ou se vai falar mais sobre essas transformações, essas instabilidades que tem na exposição, de uma coisa que nunca pode ser completamente congelada, porque ela está derretendo, ela está esquentando, esfriando.
8:56
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
E que eu acho que também tem essa noção do fantasma, né? Da coisa que estava ali e sumiu e deixou uma marca, né? Eu não sei, eu acho a ideia de pensar essa ideia de mundo dos mortos como uma, na verdade, tipo, uma fronteira entre o quão vivo e o quão morto a gente está quando a gente está vivo, quando a gente está morto. Tipo assim, qual que é o limite?
9:34
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
dessa não vida, uma coisa que não está viva. É uma coisa que eu penso muito, o tempo todo. Talvez a minha imaginação do mundo dos mortos venha de pensar, na verdade, essa fronteira entre vida e morte, mais do que nessa representação exatamente da morte.
10:01
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Eu estou pensando, eu acho que para mim a relação com esse tema é um pouco mais, muito mundana, sabe? Pense mais nos objetos mesmo, eu não sei, é menos reflexiva nesse sentido, de o que se pensa do limite com a morte. Eu não sei, o primeiro desenho que eu fiz de trabalho para essa exposição era um...
10:31
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
uma mesa em que tinha representações de elementos, como se fossem elementos químicos. Como se houvesse uma decomposição de um corpo em formas elementares. Tinha ali uma pirâmide, um cubo, uma bola, cada um de uma cor, cada um desenhado com uma textura diferente.
11:00
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Estava pensando muito materialmente na morte, se é que eu estou pensando em morte, mas muito materialmente no sentido de desmontar analiticamente o processo de decomposição ou desmontar analiticamente o corpo ou o que se pensa do corpo como um composto químico, atômico.
11:29
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Eu acho que é mais nesse sentido também que a gente, pelo menos que eu estou pensando, assim, como é que você separa, como é que você tira a morte de uma palavra e coloca ela em, e decompõe mesmo, em partes, né? A gente estava, a gente começou pensando, eu comecei pelo menos pensando a exposição.
11:57
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
numa coisa assim, se eu fizesse uma exposição de esculturas no jardim, de esculturas que são meio totêmicas e que parecem um pouco objetos memoriais ou lapidários e tal, isso colocaria a galeria numa situação institucional que ia remeter a um cemitério.
12:22
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
E aí eu pensei, como seria fazer um funeral dentro da galeria para completar esse círculo simbólico, ritualístico? E, obviamente, eu pensei, nossa, mas a gente está realmente numa situação... A gente entra em relação com algumas exposições que você observa obras de arte como se fosse um...
12:46
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
algo cadavérico mesmo, alguma coisa ali que se encerrou e que você está ali olhando aquele pedaço de coisa meio morta, como são alguns objetos de arte. E eu acho interessante, as pessoas criticam a ideia de que o objeto de arte, tem muito texto que fala sobre isso, arte, essa coisa morta, que está museificada, que está no museu e que não tem relação com a vida. E eu não sei, de alguma forma eu acho interessante esse lugar.
13:18
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
sem vida do objeto artístico, sabe? Quando ele é uma coisa inerte ali e que ele não precisa agir, sabe? Que ele vai produzir imaginação só, assim. Brinquedo dentro da caixa. É, é uma coisa que é tipo isso, assim, não tem agência em si, sabe? E...
13:44
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Eu acho que, nesse sentido, a exposição começou com uma ideia de morte que era muito simbólica. Aí o João trouxe, e eu ficava imaginando como seria fazer um funeral dentro de uma galeria, como seria um trabalho que jogasse com esse tipo de ritual.
14:10
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
que pudesse fazer uma correlação entre espectadores e convidados de um velório, assim. E depois os trabalhos, claro, foram aparecendo, cada trabalho em si começa a trazer lendo novo, né? E aí, aí sim, eu acho que, por exemplo, entre o crânio, o crânio...
14:41
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
vamos dizer, o banco quente perto de um crânio, perto de um lápide, o banco acaba virando uma espécie de lugar onde as pessoas estão sentando, poderiam sentar para ver lá, sabe, tipo, eles vão ganhando novos arranjos, assim, eu acho que é isso que vai acontecer.
15:00
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
sendo a exposição, que de repente vai ter um arranjo onde a gente vai ver esses pedaços criarem diálogos. Eu estou falando muito, gente, desculpa, estou muito cansada e eu perco a linearidade, tá? Eu estou pensando aqui como a escultura como uma coisa inerte.
15:30
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
E acho que tem mesmo um tanto de inércia. Inércia é legal nessa palavra. Ela é muito legal. Ao mesmo tempo que ela é uma coisa que remete à coisa parada, ela também remete à coisa inconstância de movimento. Ela é dupla. Eu acho muito maravilhoso esse conceito da física.
15:55
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Eu estou pensando nessas energias que a gente está fazendo correr dentro de alguns trabalhos. No calor do banco, no frio e condensação da poça, na projeção da animação no crânio, na luz, no seu circuito que passa o pavio queimando dentro e vai marcando as coisas. Mas eu estou pensando que essa energia aqui...
16:24
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
que passa por vida, por animação desses trabalhos, na verdade ela também é limitada, contida e simulada. Ela não é do trabalho, ela é adicionada, ela é artificial. Então também tem algo ali que fala de animação viva e que na verdade não é. Também é morta, também é bausa.
16:56
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
limitada, que acho que faz essa coisa que eu acho que o meu trabalho faz algumas vezes, que é ficar oscilando entre a representação de uma coisa e a própria coisa. Então é um banco quente que está emanando energia, mas ao longo do tempo é um banco que foi construído um sistema de serpentina dentro que emana calor, que aquilo é limitado, tem que ligar na tomada, vai até uma determinada temperatura, que não há...
17:23
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Uma vida de fato. Sim, não é nada muito natural, né? Não, é mecânico, né? É um funcionamento mecânico, assim. Então, ele fica passando da representação e, portanto, a projeção feita a partir da representação, que as pessoas têm experiência no trabalho, e voltando para o sistema mecânico, para a coisa em si, assim.
17:50
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
E eu acho que os trabalhos nessa exposição muitas vezes fazem isso. Esses trabalhos que emanam energia de alguma forma parecem fazer isso. Está neles o limite dessa energia muito claramente também. Sim. Eu acho que a coisa da animação está muito presente. Alguma coisa que é disparada ou animada.
18:19
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Acho que traz o elemento da duração dentro de trabalhos que são muito estáveis. Não é a performance, não é exatamente um vídeo, mas o teu filme, a tua animação é contínua, ela não tem... Ela é parada também. De alguma forma, ela é parada.
18:47
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
A pólvora também faz um caminho ali, é narrativo, mas ele não produz narrativa que estaria mais associada a uma performance. Então, a ideia de temporalidade também está aí. Eu tenho dúvidas disso, se não tem uma performance ali. Você falou da outra vez. De acender o pavio, enfim, não sei.
19:16
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
A gente tinha aquela história de fazer uma churrasqueira, lembra, no começo? Uma churrasqueira que teria o formato da galeria Mari Matsumoto. E a gente faria um churrasco na abertura. E acho que uma das coisas que, além da literalidade da coisa, a casa pegando fogo e tal, mas uma das coisas que me fez sair disso foi o caráter performático de ficar ali fazendo um churrasco. Que acho que não era bom.
19:46
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
para mim. Desconfortável também, claro. Eu entendo a coisa de que pode ser performático, mas, na verdade, eu penso mais como uma ação, porque, claro, eu preciso de...
20:00
S…
Speaker 3 (J+M_n1)
um disparador, mas essa ação não é como se fosse um abandono da ação para o próprio objeto, como se fosse ligar o objeto. Acho que tem formas de fazer isso parecer mais ou menos performance. Por exemplo, se eu acendesse essa pólvora de um outro cômodo onde não aparece,
20:29
S…
Speaker 3 (J+M_n1)
Onde aparece a ação de ligar, ela simplesmente entra dentro da sala. É bom que os tubos vêm lá da sala da Marli. E quem acende, seja ela lá. A Marli lá na casalinha dela vai lá e acende. A Marli com fósforo na mão. E longe de todos os espetadores. E de repente esse fogo chega sozinho.
20:57
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
É, ao mesmo tempo, eu acho que esse trabalho, assim como outros, eles reconfiguram alguma coisa nesse espectador, né, assim, esse trabalho específico do...
21:09
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
não sei se ele ainda chama CineTubo, ou se ele já ganhou outro nome, que até dá esse nome de sessão porque tem esse magnetismo de olhar essa coisa acontecendo. Eu acho que outros trabalhos também têm, como essa ideia de ver esses...
21:29
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
esse vapor saindo por esses pelos, né? Ou olhar esse vídeo em que quase nada acontece saindo de dentro desse crânio, né? Acho que tem algum fascínio nessa estranheza e que muitas vezes essa... quase essa ideia meio do estranho familiar, né? Porque todo mundo já viu fogo, todo mundo já viu todas essas coisas, mas elas deslocadas ali, elas criam essa...
21:56
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Esse fascínio mesmo, essa atração, essa postura corporal mesmo. Eu fico muito imaginando como as pessoas vão se comportar quando elas perceberem que aquele banco, na verdade, ele esquenta. Eu imagino que muitas vezes elas vão sentar rapidamente e levantar com susto. Eu acho que também tem um pouco essa camada de um...
22:19
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
terror, de uma agonia que tem na exposição, que eu acho também relacionado com essa ideia de morte, né, assim, olhar essas esculturas totênicas aí que tem essa aparência de lápide num quintal, é uma coisa meio agoniante, né, meio angustiante, assim como perceber que um objeto inanimado tem vida, né, tem alguma, essa marca de vida que é o calor, né.
22:44
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
ou essa mancha, né, que tem também uma vida negativa, que é do frio, né, acho que esse aspecto um pouco desse terror da exposição, que é e não é ligado à morte, que também me interessa, assim, um pouco, que eu acho que tá e não tá em outros trabalhos de vocês. Você acha, eu não tinha pensado ainda nessa palavra, o estranhamento, o estranho, né, você já pensou nisso, João? A estranheza?
23:16
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Quando eu estava começando a trabalhar, assim, lá na década de 90, assim, isso era uma onda, assim. O estranhamento. Tinha uma história de Ostraneni, que era um texto de um filósofo russo muito bacana. Eu fiz o olhar ali depois. Tinha a história do trabalho de arte ser lugar do estranhamento.
23:41
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Da coisa que não se completa, da experiência que não se completa, que não te devolve materialidade plena. Durante muito tempo pensei nesse sentido. No começo da produção, que eram os móveis, mais ou menos um mobiliário. Depois foi se perdendo. Como discurso, mas no fundo como ambiência.
24:14
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Eu diria hoje que o seu trabalho tem mais estranhamento do que o meu. Eu estava pensando nessa história das lápides que a Erika falou. Eu acho que essas lápides ali no jardim são, entre aspas, mórbidas, mas elas também são fazer lápides no jardim da galeria, muito objetivamente, claramente.
24:36
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
É, lápis que são esculturas, que têm representações, sei lá, de gotas, de escorrimentos, de ovo, e que também são muito diretas as representações, muito sem firula, assim, sem... Eu estou fazendo as coisas de um jeito mais material, assim, mais mundano mesmo.
25:00
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Mas eu acho que o seu trabalho tem mais, nessa exposição, acho que tem mais mistério do que o meu. Porque, na verdade, eu estou pensando em três trabalhos ou quatro trabalhos, é meio isso. Que são o banco quente, o crânio com a projeção da animação da caverna, a placa com os pelos gravados, que talvez tenha fumaça, talvez não, eu ainda não decidi.
25:37
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
E aquele trabalho do brilho, com os quebra-cabeças. São cinco. Quatro. O do sweater na janela foi... O sweater, eu não sei o que fazer, porque ele vai ficar muito como uma exceção, eu acho.
26:00
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
Eu acho que formalmente talvez sim, mas ele enquanto corpo, o corpo aparece ali também, né? Esse corpo ausente, esquisito, colado muito na arquitetura, como se fosse emparedado. Eu acho que é um pouco isso, só se o trabalho dos pelos já não faz um pouco isso, sabe? Já não faz o corpo...
26:28
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
sobrou só a queratina, sabe? Uma coisa assim. Sei lá, acho que não é uma possibilidade. Eu acho que muita coisa a gente vai decidir na montagem amanhã, né? Sim. Hoje a impressão que eu tenho é que tem muita coisa. Eu também fico muito em dúvida do que vai acontecer com... Eu acho que tem uma diferença muito grande entre as esculturas, as minhas, e entre elas...
26:53
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
tanto formalmente quanto materialmente, eu acho que, no fundo, o que vai ligar os meus trabalhos é um pouco esse diálogo de estados, tipo, o ovo que ainda vai nascer, é mais talvez de representação do que a coisa é, do que esse diálogo visual, e eu tenho um pouco de receio do que pode acontecer, pode ser que fique muito desconexo, sabe?
27:20
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
o tanto de material que tem, tem inox, tem alça galvanizada, tem concreto celular, tem pólvora, tem acrílico. É uma, realmente...
27:32
S…
Speaker 3 (J+M_n1)
Mas eu acho que é um arsenal que está meio dentro desse vocabulário da coisa muito industrial, né? Acho que os dois têm um pouco essa coisa em comum, assim, de ser esse material muito impróprio, aparentemente, à primeira vista, assim, para a arte, porque, como o João falou um pouco do Isopor, esse material que ele não tem essa... muito esse gesto humano aparente, essa história, ele não tem esse carregado, né, assim, de...
27:59
S…
Speaker 3 (J+M_n1)
de uma vida, né? Parece que ele todo foi feito por máquina, né? E eu acho que essa também era uma coisa que sempre me vem na cabeça quando eu penso no trabalho de vocês, acho que especialmente esses, que eles têm essa relação com as máquinas, né? E com essa ideia de saber, técnica e tecnologia, que eu acho que vocês ficam...
28:22
S…
Speaker 3 (J+M_n1)
o tempo todo mobilizando essa técnica e a tecnologia, mas no sentido meio do absurdo, da coisa que não servia inicialmente para aquilo, e que é um desenho que é da coisa eficiente, é do design industrial, do manual, mas que ele não se concretiza com esse fim inicial, ele escapa para um lado...
28:48
S…
Speaker 1 (J+M_n1)
da ficção, da fantasia, da ilusão. Eu acho que, Maiana, essa sua preocupação com a variedade de materiais, eu acho que todos eles já estão dentro do seu trabalho. E, de algum modo, todos eles já são quase a mesma coisa, sabe? Eu tenho um pouco essa impressão. Eu sou uma consumidora de produtos da Libero Badaró, São Paulo, Mercado Livre.
29:22
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
Eu sou, tipo assim, artista que faz trabalho com financiado, patrocinado pelo Mercado Livre. Impressionante. Entrega amanhã. Exatamente, entrega amanhã. Sempre nas bitolas que já existem, para não me dar problema. Nada é sob medida, é tudo o que já existe. Eu acho que isso é um dado, um pouco, talvez, que as pessoas sabem um pouco.
29:51
S…
Speaker 2 (J+M_n1)
É muito raro que eu mande produzir alguma coisa sob medida. Porque não dá tempo, né?
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